sexta-feira, junho 04, 2010

#42 - Capitalismo: uma história de amor (Capitalism: a love story), de Michael Moore


Todas as histórias de amor passam por crises. Algumas são resolvidas no diálogo, outras terminam em separação. O capitalismo sempre foi a queridinha dos olhos dos estadunidenses. Porém, ao contrário do que fazemos com nossas amantes, eles fizeram questão de deixar o resto do mundo tirar uma casquinha. Mais do que isso, precisavam torná-la mais atraente do que a vizinha dita safada, representada pelo socialismo.

Capitalismo: uma história de amor pega carona na onda avassaladora de pessimismo que deixou investidores do mundo inteiro de cabelos em pé e muitos estadunidenses na lama. O mercado, personificado como entidade pensante, ficou mau humorado. Resultado: bancos quebrados, hipotecas executadas e a mesma ladainha que o capital especulativo sempre provocou em países periféricos, cobaias e clientes dos EUA: população arrasada e banqueiros salvos pelo governo.

Michael Moore é o típico malandro do cinedocumentário. Aparece mais do que o argumento, mais do que os personagens, mais do que os objetos documentados. Aqui, resolve diminuir o volume de seu egocentrismo, mas continua amplificando melodramas e forçando situações. Ainda assim, tem êxito ao mostrar como os estadunidenses foram educados para entender, desde a infância mais tenra, que o socialismo é uma ameaça, um monstro, um horror, o fim do mundo. E que o capitalismo é o herói, o mocinho, a liberdade, o júbilo. É o Rocky derrubando o Drago, o Bradock detonando os vietcongues e por aí vai.

Porém, cá pra nós, só os estadunidenses mesmo, acharcados pelo sistema que ajudaram a erguer, para achar que Obama significaria mudança. O documentário erra a mão justamente neste ponto, quando tenta traçar um paralelo meio torto entre os democratas e os ideais libertários de esquerda, levantando a possibilidade de mudança e derrocada da crise capitalista pelas mãos um Obama recém-empossado.

No fim das contas, é aquilo: o tema é interessante e o documentário é bem acabado. Vale a pena dar um confere. Mas aguentar Michael Moore e a Obamania é dose!

5 comentários:

Kamila disse...

O Michael Moore é um daqueles casos "ame ou odeie". rsrsrsrsrsrsrs

Eu gosto dos filmes dele, mas acho que ele se aproveita muito do poder de manipulação que as imagens têm. Ele faz com que elas digam, exatamente, aquilo que ele quer que elas digam e isso, nem sempre, é bom.

Mas, quero conferir o documentário!

Beijo!

Vulgo Dudu disse...

Kamila, eu tô no "odeio, mas nem tanto". Ele me irrita um pouco com o egocentrismo e os truques não-documentais. É um estilo de doc bem dele, com a cara dele. O lance desse aqui é que o tema é interessante e o argumento funciona em mostrar que os estadunidenses cresceram ouvindo "quem tem mado do comunista?" ao invés de "quem tem medo do lobo mau?"...

Bjs!

Rafael Carvalho disse...

Também tenho me cansado dos filmes do Moore e sua imparcialidade mal disfarçada. Mas esse é o estilo do cara, fazer o que!

Vulgo Dudu disse...

Rafael, pois é. O doc se sustenta pelo fato do argumento ser interessante. Mas essa coisa de se colocar à frente do objeto documentado é meio enfadonho. Ele é tipo o Jô Soares do cinedocumentário.

Abs!

B. Borges disse...

Vejo da seguinte forma a questão do Obama: acredito que o Moore quiz mostrar a importância de determindados acontecimentos, para a mudança de pensamento, no caso estimulada pela frase: Sim, nós podemos! Como em outras passagens históricas que uma pequena atitude de protesto toma proporções enormes, pelo menos essa, acredito eu, seria seu maior desejo.
E concordo com a parte dele se posicionar frente às câmeras, afinal o filme é dele né, e ele pode se expressar como bem entender, afinal todos nós estamos fazendo o mesmo, em diferentes meios de comunicação, só que em menor escala, não é verdade?