terça-feira, junho 29, 2010

#51 - Educação (An education), de Lone Scherfig


A educação britânica tem fama de ser bastante rígida e conservadora. A escritora Lynn Barber sofreu na pele a pressão pelo diploma, e acabou escrevendo suas memórias sobre o período. Aí, veio Nick Hornby, talvez um dos autores mais bacanas da literatura inglesa contemporânea, e transformou as vivências de Barber, que por si só já eram bastante interessantes, num belo roteiro para a tela grande.

Não há como não se envolver com Educação, mesmo que você seja do sexo masculino e a história tenha enfoque feminino. Trata-se de um filme muito bem feito. Ambientado na década de 60, acompanhamos as diversas descobertas da jovem protagonista, a adolescente Jenny, sobre questões essenciais na formação do caráter. Lições que a escola, por mais qualificada que seja, não dá. Com bastante sensibilidade, são abordados temas como amor, sexo, família e ética.

O ponto alto do filme são as interpretações, que beiram a perfeição. Carey Mulligan dá o brilho e a empatia necessários à protagonista. Alfred Molina, como o patriarca austero que investe na educação da filha, está perfeito. Peter Sarsgaard faz par romântico com Mulligan, em uma atuação bastante convincente. Direção de arte e fotografia não ficam para trás. Ou seja, Educação é tão bom tecnicamente quanto dramaticamente.

sexta-feira, junho 18, 2010

#50 - O profeta (Un prophète), de Jacques Audiard


Meu primo, Felipe, entusiasta do bom cinema, que já havia visto o filme nos Estados Unidos, me fez a recomendação. E eis que estreia hoje no circuitão nacional esta película francesa bastante interessante. Alternando momentos oníricos com sequências de violência brutal, O profeta tem conseguido admiradores ao redor do mundo. Não à toa foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e venceu o Grande Prêmio do Juri em Cannes. De fato, é um filme bastante interessante. Complexo, cheio de texturas e que não segue um padrão cinematográfico comercial.

Acompanhamos a história de Malik El Djebena, um jovem de origem árabe que vai para a cadeia depois de, supostamente, atacar um policial. Inexperiente e desprotegido, acaba recebendo uma proposta para um trabalho sujo, imposta por mafiosos italianos que dominam o pavilhão em que está encarcerado: deve matar um prisioneiro, também árabe, que aguarda julgamento. Se executar a tarefa, ganha proteção. Caso se recuse a fazer o serviço, é ele quem será morto.

A sequência inicial, de extrema violência, é magistralmente bem filmada. Logo nos minutos iniciais da trama, o protagonista começa a trilhar seu caminho dentro do cárcere, buscando não somente a sobrevivência, mas o respeito dos outros prisioneiros. Em meio a tudo isso, um fantasma começa a visitá-lo, dando-lhe pequenas lições de vida, por vezes na forma de paródias religiosas.

Fica claro que Jacques Audiard a todo o instante busca um contraponto para a violência que recheia o roteiro de O profeta. Acerta em cheio ao filmar os devaneios religiosos do protagonista, inclusive como uma forma de contextualizar a presença do credo e da fé nas práticas criminosas. É como se houvesse, ali também, uma guerra santa: de um lado, os corsos italianos cristãos. Do outro, os árabes muçulmanos.

Edição, trilha sonora, fotografia - tudo em seu devido lugar. Porém, o que chama a atenção mesmo são as atuações, brilhantes! Uma produção bastante caprichada, com um rigor estético pouca vezes visto em uma produção que tem como argumento a violência do cárcere.

sábado, junho 12, 2010

#49 - Não, minha filha, você não irá dançar (Non ma fille, tu n´iras pas danser), de Christophe Honoré


Apesar do que sugere o título, o novo filme de Christophe Honoré não fala sobre uma jovem que sonha seguir a carreira de bailarina contra a vontade dos pais. O roteiro de Não, minha filha, você não irá dançar conta a história de uma mulher que tenta reconstruir a vida debaixo das asas de uma família castradora. Após se desentender com o marido, ela foge levando os dois filhos para a bucólica casa dos pais, no interior da França. Lá, no entanto, sofre com as intromissões e pressões familiares.

O mérito de Não, minha filha, você não irá dançar está no estilo singular de Honoré. Seus atores rendem, a trilha sonora é cuidadosa, os diálogos têm profundidade e o desfecho é bastante interessante. No entanto, o que não deixa o filme fluir é a tentativa do diretor em explicar suas intenções à plateia. A inserção de um punhado de sequências incomuns e cansativas acaba se transformando em um clamor por compreensão. Isso acontece com a longa cena de um ritual de dança celta, que remete ao título do filme, e com a tradução da canção “Making plans for Nigel”, da banda inglesa XTC, cuja letra faz alusão ao drama pessoal da protagonista.

sexta-feira, junho 11, 2010

#48 - Soul Kitchen, de Fatih Akin


Demorou bastante, mas finalmente entrou em cartaz uma boa opção para o Dia dos Namorados. Ao invés de levar a pessoa amada para ver aqueles filmes que desdenham da capacidade intelectual do público, vale a pena pegar uma fila - porque Dia dos Namorados sem fila não vale - para conferir Soul Kitchen. Escrevi a resenha há um bom tempo, mas a opinião ainda continua a mesma. Dê um confere logo abaixo.

A maioria das comédias contemporâneas tem como erro crasso desdenhar da capacidade do público. O grande mérito de Soul Kitchen, simpática produção alemã escrita e protagonizada por Adam Bousdoukos, é justamente fugir das referências ao pastiche e ao riso fácil. Com um excelente elenco e personagens bem desenvolvidos, fica fácil contar a história de um jovem que, em meio a uma crise emocional, cogita vender seu pacato restaurante. Porém, da noite para o dia, ele vê seu estabelecimento se transformar em um lugar badalado e cobiçado por corretores e investidores.

O roteiro não traz grandes novidades, mas também não cai na tentação dos clichês baratos. A direção de Fatih Akin é segura o suficiente para conseguir interpretações convincentes e tornar o filme uma experiência bastante agradável. Ainda que o espectador mais exigente não caia na gargalhada durante a projeção, provavelmente sairá do cinema satisfeito, como se tivesse apreciado uma boa refeição.

#47 - KISS meets the phantom of the park, de Gordon Hessler


O KISS sempre foi uma banda teatral, com veia para a dramaticidade. Shows pirotécnicos, maquiagem pesada e guarda-roupa extravagante eram marca registrada do quarteto. E se eles tinham lancheiras, bonés, bonecos, toalhas de praia e outras miudezas mais, nada mais lógico do que estender o merchandising para as telas de cinema. Daí surgiu um dos filmes mais toscos e, por isso mesmo, divertidos que uma banda já realizou: KISS meets the phantom of the park, produção de 1978.

O roteiro é pavoroso, o que não é de maneira alguma uma afronta. Tudo tem início quando os "cavaleiros a serviço de Satã" são contratados para realizar uma curta temporada de shows em um parque de diversões - no qual a grande atração são as réplicas perfeitas de personagens que se mexem como seres humanos. No local, muito misteriosamente, obviamente, pessoas desaparecem sem deixar qualquer rastro. Um dos desaparecidos é o noivo de uma jovem, que vai contar com a ajuda do quarteto para solucionar o caso.

Stanley, Simmons, Criss e Frehley, além do sucesso, desfrutam de poderes intergalácticos, oriundos de valiosos talismãs cósmicos, para defender os fracos e oprimidos. Durante o filme, pouco falam - Gene Simmons, inclusive, ruge como um leão. O que sobra, então, é um desfile de efeitos especiais toscos, que na época deviam ser o máximo. Com direito a raios lasers e voos acrobáticos, tudo para que o KISS consiga salvar o dia.

O mais interessante é perceber que em momento algum o tom do filme pende ao lado obscuro do trabalho da banda - que, lembremos aqui, teve seus discos queimados em fogueiras doutrinadoras espalhadas por todo o território estadunidense. Inclusive, quem assina a produção é ninguém menos que Joseph Barbera, o mesmo que produzia os desenhos animados mais famosos da época.

Logo, pode-se dizer que Kiss meets the phantom of the park é um "filme animado".

quinta-feira, junho 10, 2010

#46 - Kick-Ass: Quebrando tudo (Kick-Ass), de Matthew Vaughn


Parece que a onda do momento é adaptar quadrinhos adolescentes para a tela grande. Pegando carona na aguardada estreia de Scott Pilgrim vs The World, outra produção adaptada de HQ, Kick-Ass, ganhou os holofotes por causa das polêmicas cenas de violência envolvendo a personagem da pequena atriz Chloe Moretz. Aliás, tanto a imprensa disse, que minhas expectativas eram bastante altas.

O filme conta a história de Dave Lizewskiu (Aaron Johnson), um jovem viciado em revistas de super-heróis que resolve ele mesmo proteger os cidadãos de Nova York. Cria, então, o Kick-Ass. Logo, passa a experimentar o sucesso e sai do anonimato em que vivia, despertando o interesse, inclusive, das garotas da escola.

Kick-Ass é um filme bacana, mas não é tão violento assim, não é tão inovador assim, não é tão polêmico assim e nem é para ser tão badalado assim. O roteiro é mediano, fazendo opções nítidas por uma narrativa mais voltada ao público juvenil. As cenas de combate, apesar de serem bem coreografadas, não têm qualquer tipo de exagero estético ou cartunesco - o que, no caso, seria interessante.

O grande barato é realmente ver a pequena Chloe Moretz na pele de Hit Girl, uma heroína de apenas 11 anos que tem absoluto conhecimento e domínio sobre qualquer tipo de arma. A atriz rouba a atenção em todas as cenas em que é enquadrada. Justiça seja feita, é preciso mencionar também o trabalho de Nicolas Cage, que interpreta Big Daddy, o pai da menina.

Bacana. Porém, é só mais um filme de temática adolescente.

quarta-feira, junho 09, 2010

#45 - Procurando Elly (Darbareye Elly), de Asghar Farhadi


Durante a década de 90, os filmes iranianos se popularizaram e ganharam o apreço do circuito dito alternativo. Acabou virando, também, ensejo para estereotipar cinéfilos pedantes. De fato, eram produções diferenciadas, com temáticas humanas e ritmo bem mais lento do que o padrão ocidental. Planos longos e pouquíssimos diálogos colaboravam para a fama dos filmes iranianos.

Pois bem, Procurando Elly é um filme iraniano. Entretanto, esqueça tudo que você acha que sabe sobre a produção cinematográfica do pequeno país do Oriente Médio. Com um roteiro impecável, repleto de reviravoltas e questionamentos religiosos, morais e culturais, o longa tece uma trama tensa em tom crescente até os minutos finais de projeção. Tudo isso com uma simplicidade estética assombrosa, digna dos grandes roteiros.

Acompanhamos um fim de semana numa estância litorânea perto de Teerã. Amigos vão ocupar uma distante casa à beira-mar. Apenas uma convidada, a Elly em questão, não está enturmada com o resto do grupo. Quando ela é requisitada para ficar de olho nas crianças, uma tragédia acontece: um menino quase morre afogado, mas consegue ser resgatado e reanimado. Porém, segundos depois, todos se dão conta de que Elly desapareceu, sem deixar qualquer vestígio.

O que se tem em seguida é uma sucessão de eventos que vão minando o convívio, antes pacífico, de todos os ocupantes da casa. Teorias e hipóteses são levantadas no esforço de tentar compreender o que realmente aconteceu. A câmera perambula livremente pelos cômodos, por entre os ocupantes, interrompe discussões acaloradas, para finalmente mirar o mar como se ali houvesse um deserto. O clima de desolação e suspense é brilhantemente traduzido pela fotografia e pela montagem.

O desfecho comprova que, mesmo no suspense, a simplicidade é muito mais convincente do que artifícios romanescos mirabolantes.

terça-feira, junho 08, 2010

#44 - Bigger Stronger Faster, de Chris Bell


O título cairia bem a um filme pornô, mas não é nada disso. O subtítulo tenta explicar melhor as três palavras realçadas: os efeitos colaterais de ser um estadunidense. Chris Bell, um sujeito que pratica fisiculturismo e levantamento de peso, vai buscar respostas para o crescimento exponencial do uso de esteroides anabolizantes - drogas que ele jura nunca ter utilizado. Com uma câmera na mão, ele busca entrevistar atletas, médicos e até a própria família, uma vez que seus dois irmãos são usuários regulares de anabilizantes.

Nascido em uma típica família estadunidense de classe média, religiosa e conservadora, Bell começa a questionar por que somente ele dentre os três irmãos foi o único que não desenvolveu apreço pelos esteroides. Vai buscar também compreender os estereótipos de perfeição vendidos pela mídia desde a época em que era preciso afirmar ao mundo o estilo de vida de seus conterrâneos. Schwarzenegger (apesar de ser austríaco), Hulk Hogan e Stallone, todos anabolizados, porém patrióticos, eram exemplos a serem seguidos.

O argumento também procura entrar na polêmica criada a partir da proibição do uso dos medicamentos nos esportes. E aí a maionese desanda. Ia tudo muito bem, até Bell começar a defender que os anabolizantes não são tão perigosos assim e que não deveriam ser banidos do esporte. As questões levantadas, com o discurso autorizado de especialistas no assunto, é até substancial. Porém, destoa completamente da proposta inicial sublinhada no próprio título do filme. Não se pode criticar o uso desenfreado de anabolizantes para depois tentar convencer o espectador de que eles não são tão nocivos quanto se pensa. O documentário acaba se tornando, invariavelmente, uma peça dicotômica. E isso, no cinedocumentário, é uma falha incorrigível.

Uma pena, porque o roteiro é bom. No fim das contas, não dá para entender qual foi o real objetivo de Bell com o filme: denunciar ou desmistificar o uso esteroides anabolizantes.

segunda-feira, junho 07, 2010

#43 - Tudo pode dar certo (Whatever works), de Woody Allen


Quando Woody Allen filma a si mesmo tendo ataques neuróticos e bloqueios criativos, suas produções costumam ser um pé no saco - ao menos a mim. É um personagem que já deu o que tinha que dar lá no começo da carreira como cineasta. Talvez o velho Allen tenha percebido isso. Muito perspicazmente, vez em quando, começou a escalar bons atores para substituí-lo. É o que ele faz em Tudo pode dar certo, divertida e despretensiosa comédia existencial.

O ótimo Larry David é quem fica encarregado de ser o alterego de Allen, e o faz muito bem. Seu personagem, o mal humorado professor de física indicado ao Nobel, Boris, dialoga com a plateia sobre as escolhas que fazemos e sobre aquelas às quais não temos controle. Solitário, decide abrigar uma jovem interiorana recém-chegada a Nova York em sua casa. A relação dos dois se fortalece e uma série de eventos, que talvez não possam ser explicados pelas leis da física, tomam parte em um microcosmo tipicamente novaiorquino.

O elenco é competente, o roteiro é bom, os diálogos são bem trabalhados, os personagens são bastante interessantes e, por isso, o filme flui com leveza. O desfecho é meio preguiçoso, meio bobinho, meio desnecessário. Mas e daí? Às vezes a vida é assim mesmo.

sexta-feira, junho 04, 2010

#42 - Capitalismo: uma história de amor (Capitalism: a love story), de Michael Moore


Todas as histórias de amor passam por crises. Algumas são resolvidas no diálogo, outras terminam em separação. O capitalismo sempre foi a queridinha dos olhos dos estadunidenses. Porém, ao contrário do que fazemos com nossas amantes, eles fizeram questão de deixar o resto do mundo tirar uma casquinha. Mais do que isso, precisavam torná-la mais atraente do que a vizinha dita safada, representada pelo socialismo.

Capitalismo: uma história de amor pega carona na onda avassaladora de pessimismo que deixou investidores do mundo inteiro de cabelos em pé e muitos estadunidenses na lama. O mercado, personificado como entidade pensante, ficou mau humorado. Resultado: bancos quebrados, hipotecas executadas e a mesma ladainha que o capital especulativo sempre provocou em países periféricos, cobaias e clientes dos EUA: população arrasada e banqueiros salvos pelo governo.

Michael Moore é o típico malandro do cinedocumentário. Aparece mais do que o argumento, mais do que os personagens, mais do que os objetos documentados. Aqui, resolve diminuir o volume de seu egocentrismo, mas continua amplificando melodramas e forçando situações. Ainda assim, tem êxito ao mostrar como os estadunidenses foram educados para entender, desde a infância mais tenra, que o socialismo é uma ameaça, um monstro, um horror, o fim do mundo. E que o capitalismo é o herói, o mocinho, a liberdade, o júbilo. É o Rocky derrubando o Drago, o Bradock detonando os vietcongues e por aí vai.

Porém, cá pra nós, só os estadunidenses mesmo, acharcados pelo sistema que ajudaram a erguer, para achar que Obama significaria mudança. O documentário erra a mão justamente neste ponto, quando tenta traçar um paralelo meio torto entre os democratas e os ideais libertários de esquerda, levantando a possibilidade de mudança e derrocada da crise capitalista pelas mãos um Obama recém-empossado.

No fim das contas, é aquilo: o tema é interessante e o documentário é bem acabado. Vale a pena dar um confere. Mas aguentar Michael Moore e a Obamania é dose!

terça-feira, junho 01, 2010

#41 - Anvil! The story of Anvil, de Sacha Gervasi


Dois amigos, ainda adolescentes, resolvem montar uma banda de heavy metal. E decidem que, a partir dali, continuarão para sempre com o sonho de seguir dedicando suas vidas à música. No caso, a dupla é composta por Steve "Lips" Kudlow e Robb Reiner, os integrantes principais da Anvil - uma banda canadense que influenciou uma penca de artistas do gênero, mas que nunca conseguiu seu lugar ao sol. Por quê? É o que esse documentário tenta entender.

Décadas depois de se apresentarem num megafestival no Japão, ao lado de bandas que atingiram o estrelato (Scorpions e Bon Jovi, por exemplo), o sonho não acabou. Já quarentões, os dois fundadores da Anvil continuam tocando, apesar de serem obrigados a dedicar boa parte dos seus esforços em atividades regulares e remuneradas. Lips, guitarrista e vocalista, é entregador de merendas escolares. Robb, exímio baterista, considerado por Lars Ulrich, do Metallica, como um deus das baquetas, se dedica a pequenos reparos domésticos.

O documentário esmiuça o dia a dia da dupla e acaba se intrometendo nas sucessivas tentativas de shows, turnês e gravações. Todas, quase sempre, desastrosas. Acompanhamos a opinião de familiares, amigos e músicos. Há também depoimentos apaixonados de fãs ardorosos, que vigiam de perto todos os passos da banda. No fim das contas, o barato de Anvil! The story of Anvil é mostrar a paixão de dois amigos fraternais pela música. É uma produção com mensagem positiva, que fala sobre amizade e companheirismo, mas que em momento algum tenta empurrar pieguice goela abaixo de quem a assiste.

Durante os créditos finais, o que fica é aquela sensação boa de que a música, seja ela o heavy metal ou o rock, tem o poder de nos transformar em crianças grandes. É isso que Lips e Robb são: duas crianças grandes a serviço do rock'n'roll.