sexta-feira, maio 07, 2010

#33 - Aproximação (Disengagement), de Amos Gitai


Enfim, vamos tirar as teias de aranha daqui. Finalmente estreou, ainda que em poucas salas do circuito carioca, o novo - que também não é tão novo assim - filme do cineasta Amos Gitai. Apesar de Aproximação não ter sido tão bem recebido pela crítica em geral, eu gostei do que vi. Escrevi uma pequena resenha que compartilho abaixo com vocês, queridos e donairosos leitores.

O israelense Amos Gitai é um diretor conhecido pela forma esteticamente simples com a qual trata temas complexos, sem perder a pujança. Em Aproximação, o realizador faz uma abordagem sobre o impasse étnico que favorece os conflitos, armamentistas e psicológicos, entre judeus e palestinos. A bela Juliette Binoche protagoniza o drama de uma mulher que, após o funeral do pai, precisa viajar até Israel para acertar as contas com um passado nebuloso. A tal viagem se dá em um momento crítico, no qual as tropas israelenses comandam a retirada dos judeus da Faixa de Gaza.

O roteiro de Aproximação pode ser subdividido em três partes: um ligeiro e interessante prólogo sobre a questão da nacionalidade, o funeral na França e a viagem da protagonista até Israel. É justamente na terceira parte que o argumento ganha contundência. Gitai dá ao filme o ritmo necessário para que seus personagens desenvolvam a trama de forma sólida. Planos longos, sequências lentas e diálogos curtos deixam as interpretações em destaque. A última cena é bela e, ao mesmo tempo, impactante.

7 comentários:

Airton disse...

filmes sobre israel e a eterna tensao ali sao sempre interessantes
bom o post
passa la no blog

http://publicandobr.blogspot.com/

Robson Saldanha disse...

Dudu, nem sempre o que a crítica critica nos temos que achar a mesma coisa né? O tema é bem interessante e acho que iria gostar tbm. Se tiver a oportunidade eu vejo!

Camila disse...

Tenho receio de filmes como esse. Sempre me sinto tendenciada a escolha um lado. Mas acho que é mais por interpretação minha mesmo. (risos)

Vulgo Dudu disse...

Airton, é um filme simples e, ao mesmo tempo contundente. Vale a espiada.

Robson, é verdade. Mas me coloco entre os críticos, né? Já que exerço a profissão. Se vir o filme, passa aqui para dizer o que achou, ok?

Camila, o interessante é que o Amos Gitai, judeu, é acusado de pegar pesado com o seu povo. Particularmente, acho exagero. Ele deixa o dedo na ferida, o que incomoda alguns. Porém, especificamente nesse filme, acho que ele retrata os palestinos de forma meio equivocada, mas nada que prejudique o todo. Vale a pena!

Bjs e abs a todos!

Rafael Carvalho disse...

Eu nunca vi nada do Gitai e esse filme me deu vontade de conhecer a filmografia do cara. E a presença da Binoche é mais um belo incentivo.

Pedro Henrique disse...

É isso aí Dudu. Concordo. Gitai já era um dos meus favoritos, agora é o cara da vez vindo lá daquele lado do mundão.

Vulgo Dudu disse...

Rafael, eu gosto muito da maneira contemplativa com que ele trata temas bombásticos. Binoche está estranhamente sensual no filme! Chamou a minha atenção.Há uma cena de nudez frontal bastante interessante.

Pedro, ele filma os conflitos de forma bem lírica. Acho que é isso que o cinema pode fazer pela humanidade: tratar as questões com uma visão mais periférica, sem tanta rudeza ou crueza.

Abs!