sexta-feira, abril 09, 2010

#28 - Maradona by Kusturica, de Emir Kusturica


Eu não entro naquela velha polêmica de quem foi melhor, Maradona ou Pelé. Por dois motivos. Primeiro, porque Pelé é um escroto, e depois porque me recuso a alimentar uma rivalidade animalesca inventada pela Rede Globo para ganhar dinheiro e audiência. Até na bocha brasileiro tem rivalidade histórica com argentino? Patético. Fato é que eu vi o Maradona jogar, e bem!

Maradona não é um escroto. É uma figura polêmica, esquisitona e folclórica. Finda a carreira nos gramados, começou a entrar no fundo do poço. Ficou deformado, quase morreu, ressuscitou e por muito pouco não deixou nossos irmãos platinos fora da próxima Copa do Mundo. Ou seja, haja material para um documentário!

Porém, se a polêmica fosse outra, se me perguntassem quem tem o melhor documentário, Pelé ou Maradona, responderia sem pestanejar que é gol para o argentino. Enquanto o bajulado ponta brasileiro tem um documentário panfletário, piegas e egocêntrico, dirigido por ninguém menos que o Barretão em 1974 (nem vou falar daquele outro, terrível, no qual Robinho simula o tal gol de placa que não foi filmado), Maradona ganhou como cinebiógrafo um diretor sérvio, o exótico Emir Kusturica.

O documentário de Kusturica foge bastante do convencional. É assumidamente passional e pessoal, nada referencial. Maradona não se deixa filmar como Pelé, nem fala de glórias passadas na terceira pessoa do singular. Ao invés disso, se mostra arredio, quase um antipersonagem. Mesmo assim, Kusturica consegue trabalhar bem em cima disso, caprichando no texto. A todo momento, deixa claro que sua intenção não é desmistificar o craque, e sim mitificá-lo. De quebra, ainda há um argumento político que pega carona nas convicções sócio-econômicas de Maradona, que tem Fidel e Guevara tatuados no corpo.

Meu ídolo no futebol? Zico. E o documentário sobre Maradona é muito melhor que o documentário sobre o Pelé.

7 comentários:

Kamila disse...

Meu ídolo no futebol se chama Neto! rsrsrsrs Poxa, ele me proporcionou ver o Timão campeão brasileiro pela primeira vez! :)

Maradona jogou MUITO. É fato! E quero muito conferir este documentário!

Beijos!

Luiz Mendes Junior disse...

Vi Zico e Maradona. Não vi Pelé, mas vi muito VT dele, jogos inteiros gravados, inclusive, e li muito sobre. O impacto dele no futebol se assemelha muito ao que o Michael Jordan teve no basquete. Mas, como MJ nos EUA, Pelé também não é unanimidade. Vou ver se consigo catar esse documentário do Maradona, que também era um grande craque.

Luciano disse...

Ainda bem que seu blog não é sobre futebol, pq já deu pra perceber que você não entende nada do assunto.

Agora sobre o filme, vou procurar assistir, deve ser bom mesmo.

Talvez não mostre um cara escroto, mas sim um mal carater... mais um.

Abraços.

ZIBA! disse...

O Maradona deitou e rolou no bom e mau sentido na vida, foi eliminado de uma copa do Mundo por dopping, atirou com espingarda de chumbo em jornalista, cheirou tudo que tinha direito, sendo que ele era um esportista.E ainda sim, os hermanos o idolatram, como um semi Deus
Atitudo legal, não é? Não recrimino o portenho, acho ele uma figura carismática, acho bem legal ele vibrando, girando a camiseta no estádio em pleno jogo do Boca Juniors, ao invés de ser comportadinho engomado.
Não boto nem em questão se ele é ou não um escroto, como você trata o Pelé, no campo pessoal, acho uma besteira danada entrar, pois vida pessoal vai além do que as câmeras da própria Globo que voc^citou mostra , percebo o Pelé egocêntrico, até porque ele foi ótimo no que fazia, não importa se o melhor ou não, mas foi muito bom, e vangloriar-se depois de velho, por que não?
Brasileiro tem mania de não valorizar o que é interno, avalie você aí se o Pelé fosse argentino, minha mãe de Deus, seria até presidente do país.

Interessa-me o documentário também, até porque gosto do argentino, mas apenas isso, e não avaliar se ele é escroto, mau caráter e etc.

Se alguém que lê o blog encontrar algum link para download, por favor disponibiliza =)

abraços

Vulgo Dudu disse...

Kamila, concorda que é muito mais digno ter como documentarista o Kusturica do que o Barretão? rs...

Mendes, o Jordan era um fenômeno! E eu, como basqueteiro que sou, sou muito grato por ter visto ele no auge. Mas nunca torci pelos Bulls. Aliás, sempre torcia para eles perderem... hahahah! O doc do Maradona vale a vista.

Luciano, depois que você assistir ao filme, passe por aqui e deixe um comentário pra gente ver se você entende tanto de cinema quanto de futebol.

ZIBA, reitero que o Pelé é um escroto. E não é pela intimidade dele - foda-se o que ele faz entre quatro paredes. O problema, ao meu ver, é a maneira como ele usa o fato de ser uma figura pública e influente. Ele é patético. O Maradona é um porra-louca, longe de idolatrá-lo por aqui. Acontece que, como personagem documantacional, ele é uma figura interessante. Bastante interessante.

Bjs e abs a todos, brasileiros e argentinos!

Surfista disse...

Dudu, Edson Arantes do Nascimento é bem limitado. Pelé foi um gênio no futebol. Edson fala besteira. Pelé falava com os pés e foi o primeiro popstar do esporte mundial. Podem até lembrar do Jesse Owens, mas Pelé era latino, preto e pobre. Edson é um. Pelé é outro infinitamente superior.

Eu gostei muito do "Pelé Eterno" pelas razões que já conversamos. Tirando a tal recriação desnecessária do gol contra o Juventus, o filme apresenta o atleta do século a uma geração que só conhece o Maradona e Romário, outros gênios, por sinal.

Também concordo com o que o colega colocou: "se o Pelé fosse argentino, minha mãe de Deus, seria até presidente do país."

Vulgo Dudu disse...

Dougra, eu nem gostei dos docs do Pelé. Eu acho ele muito, mas muito escroto. Talvez se eu fosse santista, pensasse diferente. Vai saber. Mas me incomoda a forma como ele usa a imagem de dentro das quatro linhas para fazer politicagem fora das mesmas.

Abs!