quinta-feira, fevereiro 04, 2010

#9 - Battle Royale, de Kinji Fukasaku


Em um futuro não muito distante, a economia japonesa está na lama, o desemprego cresce a taxas alarmantes e o sistema educacional entra em colapso. Jovens rebeldes e problemáticos se recusam a seguir os programas letivos e aumenta a evasão escolar. Os adultos, temendo que a situação piore, aprovam um ato chamado Battle Royale, no qual uma turma de oitava série é sorteada e levada a uma ilha deserta. Lá, recebem uma mochila com armas e provimentos. Durante três dias, eles precisam matar uns aos outros. Aquele que sobreviver fica livre para ir para casa. Este é o argumento de um dos filmes mais polêmicos da Terra do Sol Nascente.

Battle Royale é baseado num controverso mangá que causou celeuma entre os japoneses mais conservadores. Organizações políticas tentaram a todo custo bani-lo do país, mas malograram. A polêmica serviu para aguçar ainda mais a curiosidade das pessoas - que lotaram os cinemas para ver a adaptação cinematografica dos quadrinhos. Mais uma vez, houve tentativa de boicote. Que, mais uma vez, malogrou.

De fato, Battle Royale é bastante violento. O que se vê na tela são jovens uniformizados matando seus colegas de classe com armas sortidas. Tem machado, foice, aparelho de dar choque, veneno, revólver e até metralhadora. O diretor Kinji Fukasaku, no entanto, soube trabalhar bem o argumento. Durante quase duas horas de projeção, o ritmo se mantém alucinante. A contagem de corpos não para!

O bacana é que, em meio à carnificina, os jovens continuam experimentando as angústias e frustrações da adolescência. Paixões são desveladas, traições são descobertas e mentiras são confessadas. Tudo isso contribui para deixar o filme ainda mais esquisito e diferente - ou seja, ainda mais interessante. O ponto alto é, sem dúvida alguma, a presença do mestre Takeshi Kitano no elenco. Ele interpreta o professor que coordena a batalha. Sua caracterização é perfeita, cheia de sarcasmo.

Cogitou-se a hipótese de um remake rodado nos Estados Unidos. Não foi para frente. Alguns dizem que a Toei, responsável pelos direitos do filme, não concordou com as condições impostas pelos estúdios de Hollywood. Porém, como bem lembrou um amigo meu, não pegaria bem filmar jovens estadunidenses em idade escolar metralhando os colegas...

3 comentários:

Ilan disse...

Fiquei curiosíssimo para assistir!

Kamila disse...

Também fiquei curiosíssima para assistir.

Beijos!

Vulgo Dudu disse...

Ilan e Kamila, pois então, matem a curiosidade! rs...

Bjs e abs!