sexta-feira, fevereiro 05, 2010

#10 - Ah... o amor! (Ex), de Fausto Brizzi


Estreia hoje no circuito carioca, após semanas de pré-estreias, a comédia romântica italiana Ah... o amor!, que foi aclamada pela crítica e pelo público da Itália. Porém, trata-se de uma tentativa de comédia romântica hollywoodiana das piores. Abaixo vocês podem ler o que eu escrevi para a Revista Programa, do Jornal do Brasil.

Tinha tudo para dar certo. A julgar pela tradição da comédia italiana, que sempre proporcionou boas risadas através das lentes de mestres como Mario Monicelli, Ettore Scola e Dino Risi, o argumento de Ah... o amor! parece promissor. O filme, conta a sinopse, começa onde todas as comédias românticas param: na troca de juras de amor eterno. No entanto, o resto é mais do mesmo. O diretor Fausto Brizzi se afasta de quaisquer referências cinematográficas do seu país de origem e entrega uma produção italiana com pretensões hollywoodianas. O resultado é constrangedor.

Quase tudo em Ah... o amor! é artificial e forçado. O roteiro abusa não somente dos clichês típicos ao gênero, mas utiliza-se de incontáveis ícones da cultura pop para falar de desilusões amorosas e de destinos que se cruzam. O desfecho, preguiçoso, traz com didatismo pueril uma lição de vida prosaica. Montagem, cenografia, diálogos e até a trilha sonora se tornam uma mera tentativa de espelhar o que de pior já foi produzido pela indústria cinematográfica em termos de comédia romântica. Nem a atuação irrepreensível de Fabio De Luigi, na pele de um sujeito perseguido pelo ex de sua namorada, consegue salvar o filme.

Frustrante.

7 comentários:

Eduardo Albuquerque disse...

O que dizer? Obrigado pelo aviso. Parabéns pelo blog. Suas críticas são bem argumentadas.

Você poderia adotar um sistema de pontuação para os filmes. O que acha?

Kamila disse...

Obrigada. Vou fugir do filme. :-)

Beijos!

Vulgo Dudu disse...

Eduardo, obrigado pela visita! Quanto ao sistema de pontuação, acho que fugiria do intuito do blog, que é ter uma linguagem menos referencial, mais pessoal. Costumo dizer que, aqui, não escrevo críticas, e sim resenhas. Consigo ver uma diferença entre as duas. Deixo as pontuações para as críticas que escrevo no Jornal do Brasil e na Revista M... Volte sempre!

Kamila, ainda assim eu gostaria de saber sua nota para esse filme! Você me conhece, sabe que não tenho tanta paciência para o gênero. Tanto é que o camarada Érico Reis, do Globo, cotou o bonequinho sentado aplaudindo - e ele é um cara cuja opinião tem valor.

Bjs e abs!

Anônimo disse...

Eu gostei do filme!Achei muito singelo!A trilha sonora é muito bonita tb!Vale à pena conferir!
Jussara

Vulgo Dudu disse...

Jussara, um dos pontos fracos do filme, pra mim, é justamente a trilha sonora. De resto, é filme italiano tentando ser estadunidense. E isso, para mim, é falta de criatividade. Enfim, cada um com seu cinema... Bem-vinda por aqui e volte sempre!

Abs!

roberto leal disse...

Cai aqui por culpa do google. Azar o meu. Não posso calar diante do que vi na telona e do que li aqui a respeito.
O filme é muito bom. É uma típica comédia européia, que nada tem a ver com as baboseiras "água com açúcar" americanas. Seu comentário é um grande equívoco. Acho que vc estava num mau dia (prefiro pensar assim - talvez venha aqui outra vez, só para conferir).
Aos cinéfilos, não aceitem passivamente uma opinião. Assistam o filme. Se não gostarem, ponham na minha conta.
Meu e-mail: bettoleal@gmail.com

Vulgo Dudu disse...

roberto, engraçado isso... Eu vejo muitas comédias românticas estadunidenses contra a minha vontade - são ossos do ofício, vejo por profissão. E quando saí de casa para ver este aqui, realmente acreditava que seria uma comédia diferente, aos moldes europeus. Porra nenhuma: repito que é igualzinha ao pior que se tem feito no gênero, como um monte de outras baboseiras por aí. Algumas cenas chegam a ser realmente constrangedoras. O roteiro é fraco, os personagens mal desenvolvidos, a trama completamente previsível e o desfecho beira o patético. É mais do mesmo.

Acredite, eu estava num bom dia quando saí de casa. O mesmo não posso dizer quando saí da sala de projeção. A culpa foi do filme.

Entretanto, se você der uma olhada por aqui, vai ver que eu respeito, e muito, a opinião dos outros. Voce tem todo o direito de achar o meu texto um equívoco. E eu de achar que o equivocado aqui é você, certo? Canso de repetir que cinema é que nem traseiro - cada um tem o seu.

Quanto aos cinéfilos que comentam por aqui, às vezes "agradecendo" ao "aviso" quando acho o filme ruim, não se engane. Não é que sejam passivos. De jeito nenhum. A Kamila, por exemplo, é uma das blogueiras com mais personalidade que eu conheço. O que querem dizer, de fato, é que se identificam com o que escrevo. Identificação que foi construída ao longo de alguns anos.

No mais, é isso aí! Seja sempre bem-vindo por aqui. E vamos comentar, discutir, pensar cinema juntos.

Abs!