quarta-feira, dezembro 30, 2009

#142 - Lula - o filho do Brasil, de Fabio Barreto


Meninos, eu vi! Sim, fui à cabine de imprensa de Lula - o filho do Brasil pelo Jornal do Brasil. E não era uma sessão ordinária. Além do próprio diretor (dias antes de sofrer o grave acidente), estavam presentes nomes como Ziraldo, Sérgio Cabral, Walter Salles e Eduardo Coutinho (perdi uma boa oportunidade de trocar uma ideia com ele). Sala cheia.

A crítica vai ser publicada no primeiro dia de 2010, quando acontece a estreia do filme. Adianto que nem gostei do que vi. Obviamente, a produção é caprichada - afinal, conseguiu orçamento de R$ 12 milhões, dinheiro da iniciativa privada. A fotografia é bonita, a trilha sonora é muito boa e os atores rendem. Mas o roteiro não acompanha. E sem roteiro não há filme que se sustente.

Vou deixar as polêmicas de lado: não vou discutir sobre oportunismo eleitoreiro por aqui. Não estou a fim. Particularmente, não gosto do trabalho do Fabio Barreto. Apesar do domínio técnico, o cineasta entrega filmes, na maioria das vezes, desinteressantes. Lula - o filho do Brasil não foge à regra. Teve gente que discordou de mim: no foyer, um sujeito dizia ao diretor que ficou arrepiado do começo ao fim da projeção.

Lula - o filho do Brasil vai dar muito o que falar!

Meus desejos de pronta recuperação ao Fabio Barreto. Dia primeiro eu publico a resenha por aqui, combinado?

Conforme combinado, eis o que escrevi na Revista Programa, do JB:

Ideologias políticas à parte, é inegável que a trajetória do presidente Lula é digna de merecer um filme. Fabio Barreto realiza, sem o apoio de leis de incentivo fiscal, uma produção que acompanha os primeiros 35 anos de vida do líder brasileiro. A narrativa, baseada no livro homônimo de Denise Paraná, tem início com o nascimento no pobre sertão pernambucano e vai até a morte da mãe, em 1980 – portanto, antes mesmo da fundação do PT.

Sendo assim, o filme tem argumentos que o defendem de ser uma produção com fins meramente políticos. O principal problema de Lula, o filho do Brasil está na falta de ritmo do roteiro, que cola uma série de fatos em ordem cronológica sem dar tempo à plateia de se aprofundar nas questões vividas pelo protagonista, ainda que o tom dramático seja bastante acentuado na maioria das sequências.

De positivo, o filme conta com uma belíssima trilha sonora, composta por Antonio Pinto e Jaques Morelenbaum. A caracterização de Rui Ricardo Diaz, na pele de um Lula desconhecido do grande público, também impressiona.

9 comentários:

Robson Saldanha disse...

É uma pena que um filme que teve 12 milhões de renda, com boa trilha, atores bons e uma fotografia interessante se perca justamente no quesito roteiro, né? Que é tão importante!

Kamila disse...

Eu imaginava que você não iria gostar desse filme e vou ficar ansiosa esperando pela sua resenha aqui!

Beijos!

Reinaldo Glioche disse...

Então amanhã tem critica.

Só para constar tb não gosto do trabalho do Fábio Barreto não. É no final das contas, dinheiro mal investido. Obviamente, em termos financeiros, com Lula a história será outra. Já em termos artísticos...

Welington@hotmail.com disse...

Acabei de ver e adorei o filme. Rui Ricardo Dias arrebenta mesmo. Não achei o roteiro ruim, ele apenas segue a trajetória de Lula que não termina com a morte da mãe. É um filme muito bonito. Fotografia e trilha digna de Oscar.

Vulgo Dudu disse...

Robson, ainda foi mais que isso: parece que o orçamento girou em torno de R$ 16 milhões!

Kamila, eu não gosto dos trabalhos do Fabio Barreto...

Reinaldo, estendo o ajuizamento para toda a família Barreto.

Wellinton, foi o que falei: teve gente que discordou de mim. Você é um deles. Mas volto a ressaltar que o roteiro beira o monótono. É bastante desinteressante, por mais paradoxal que isso possa parecer - já que a história do Lula é cinematográfica.

Bjs e abs!

Mescla de culturas disse...

O começo é lindo e Glória Pires está encantadora!

Vulgo Dudu disse...

Mescla, a preparação de atores é boa e funciona. Mas Glória Pires, na minha opinião, fica bem atrás de um monte de outros atores, como Milhem Cortaz, por exemplo. Quanto ao começo, é bem filmado, sim. Há técnica, mas falta coesão, roteiro, fluidez etc. Cinema ainda é contar histórias. E apesar da de Lula ser muito boa, o filme fica bem aquém nesse sentido.

Abs!

Bruno Linhares disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mescla de culturas disse...

Sim!Eu ainda tenho que me libertar de alguns vícios e exigir mais dos filmes.Tenho achado tudo lindo,rs.
"Cinema ainda é contar histórias".Muito obrigado!