quinta-feira, dezembro 24, 2009

#136 - A vida íntima de Pippa Lee (The private lives of Pippa Lee), de Rebecca Miller


A vida secreta de Pippa Lee tem um dos argumentos mais absurdos da temporada. É um filme chato, arrastado e inverossímil, que talvez agrade um pequeno grupo de mulheres à procura de diversão barata. Lá no fundo, é uma fábula sobre a inviabilidade contemporânea de sustentação do modelo familiar estadunidense perfeito, apregoado desde o fim da II Guerra Mundial. O roteiro, adaptado de um romance escrito pela própria diretora, Rebecca Miller (filha do escritor Arthur Miller), contextualiza a vida no subúrbio e os dramas que se escondem entre as quatro paredes das casas sem muros e de jardins impecáveis.

A protagonista, que dá nome ao filme, é quem vai nortear a história, repleta de culpa, através de flashbacks sobre sua condição de mulher perante a sociedade. Dona de casa aparentemente perfeita, Pippa Lee é casada com um homem bem mais velho, tem uma filha com quem não consegue se relacionar direito e esconde um passado tempestuoso que inclui uma mãe exótica. Ao se mudar para o subúrbio em busca de paz e tranquilidade, estranhos acontecimentos (nem tão estranhos assim) começam a fazer com que ela tema por sua sanidade mental. As lembranças da infância e da juventude traçam, aos olhos do espectador, sua trajetória até o protótipo de esposa ideal.

O roteiro nem chega a se aprofundar nos temas mais complexos, mantendo um certo tom de provincianismo justamente quando o argumento poderia ser tratado com mais consistência. Outro problema são os personagens, mal desenvolvidos. Nem mesmo aqueles tipos estranhos, socialmente desajustados, comuns a todos os filmes do gênero, são capazes de criar certa dose de empatia.

Bem que o filme engana. Prova disso são os nomes de celebridades que aparecem aos montes no cartaz do filme, ainda que tenham participações discretas ou papéis de menor relevância. Keanu Reeves, Winona Ryder e a estonteante Monica Bellucci – o que de melhor há no filme, sem dúvida nenhuma – fazem parte da lista. Brad Pitt, cujo nome fica no topo, escrito em letras graúdas, apenas assina a produção executiva.

Particularmente, já me cansei há tempos de filmes assim. A vida secreta de Pippa Lee vai do nada a lugar nenhum. Ou melhor: do nada ao lugar comum.

2 comentários:

Kamila disse...

Nossa, texto que fez com que minha vontade de assistir a este filme diminuísse por completo!

Beijos!

Vulgo Dudu disse...

Kamila, eu achei bem ruim. Muito sem graça! Você conhece o meu gosto, né?

Bjs!