sábado, novembro 28, 2009

#129 - Apenas o fim, de Matheus Souza + Bate-papo


Fui convidado pelo pessoal do SESC a participar de um festival bastante interessante, chamado Festa, ou Festival Estudantil das Artes. Trata-se de uma grande mostra do que anda sendo produzido por gente jovem, de filmes a peças de teatro, passando por música e artes plásticas. O local que abrigou o evento, o SESC Nacional, é dotado de uma infra-estrutura impecável!

Pois bem, fui chamado para uma sessão do filme Apenas o fim, dirigido pelo Matheus Souza, então estudante de cinema da PUC-Rio. Após a projeção, estava marcado um bate-papo entre eu, o ator Gregório Duvivier (um dos protagonistas do filme) e a plateia. Foi uma noite bastante agradável, cheia de surpresas.

A primeira, e melhor delas, sem dúvida nenhuma é o filme em si. Apenas o fim é uma daquelas produções despretensiosas que, tamanho o afinco e a dedicação com que são feitas, conseguem um êxito maior do que o esperado. A ideia é simples: uma jovem revela ao namorado que vai embora dentro de uma hora. O casal passa então a repensar o passado para buscar entender o presente e projetar o futuro.

Simples assim: os pilotis da PUC servem como cenário principal, os atores improvisam muitas das falas e a câmera apenas testemunha os diálogos - estes o grande trunfo do roteiro de Matheus Souza. As falas são inteligentes, divertidas e muito bem sacadas. A dupla de protagonistas, Erika Mader e Gregório Duvivier, estão em plena sintonia, agindo com a naturalidade que o argumento exige.

Apenas o fim é repleto de referências pop. O bacana é que eu nunca (nunca mesmo) tinha visto um filme nacional que trouxesse toda essa bagagem referencial de forma enxuta, sem exageros, sem pedantismo e na medida certa. Impossível não lembrar de grandes diretores que começaram suas carreiras com pequenos e despretensiosos êxitos no gênero: Kevin Smith e O balconista; Richard Linklater e Slacker.

Poderia se tratar de uma produção de interesse restrito, talvez à jovem classe média da Zona Sul que frequenta universidades privadas. Porém, cinema, quando é realmente bem-feito, tem o poder arrebatador de continuar impregnado na retina de qualquer espectador, independentemente do poder aquisitivo ou do grau de escolaridade. Sai do local para o global. Prova disso foi o que ouvi de uma aluna da rede municipal, um pouco mais velha, ao deixar o cinema:

"Amanhã, na aula, vamos todos ficar falando sobre o filme!"

O bate-papo foi a segunda grata surpresa da noite. Uma plateia bastante heterogenea, composta majoritariamente de adolescentes, todos completamente imersos na trama de Apenas o fim. Ao lado de Gregório Duvivier, falamos não somente sobre o filme, mas também refletimos sobre a indústria do cinema.

A mim, foi um prazer imenso participar do evento, conhecer pessoalmente o Gregório e partilhar um pouco da minha modesta vivência cinematográfica com todos os presentes. É justamente esta possibilidade de troca de conhecimento que faz com que eu mantenha este espaço sempre atualizado - ainda que o tempo vez em quando seja curto.

Agradeço ao pessoal da Assessoria de Cultura do SESC pelo convite. Nota 10 para eles! Que venham os próximos eventos!

7 comentários:

Kamila disse...

"Apenas um Fim", como você bem disse, é um filme bem simples, que bebe na fonte de um Richard Linklater, mas que é uma obra MUITO charmosa e que mostra que o Matheus tem muito potencial como diretor e roteirista.

Beijos!

Reinaldo Glioche disse...

Parabéns pelo post. Bastante jornalístico msm. Gostei. Do filme gostei mais ou menos.
ABS

Robson Saldanha disse...

Considero bem suas críticas. Não sou comentador assíduo mas sempre visito. Gosto da sua visão crítica ainda que não tenha nem metade dos filmes que vê. Fiquei curioso em conferir esse filme depois da forma despretensiosa e interessante que tratou não só do filme mas também do bate-papo!

Rafael Carvalho disse...

De fato, o filme é bem bom e faz um bem danado para o cinema nacional, nada acostumado a produções assim, leves, despretensiosas, descomprissadas e pops.

Mas uma coisa: por mais que as referências sejam muito interessantes, acho que existe, sim, um exagero nelas. Nada que torne o filme cansativo, mas às vezes não parece algo tão natural. De todo modo, é uma bela renovação para nossos filmes.

Vulgo Dudu disse...

Kamila, o cara tem mesmo potencial. Ficamos todos no aguardo do seu próximo trabalho!

Reinaldo, obrigado! Eu gostei do filme, mas gostei mais ainda de ver a reação da molecada que estava lá na sala de projeção. Foi uma experiência muito interessante.

Robson, valeu! O filme, infelizmente, tem distribuição restrita, já que é independente. Mas eu sei que ele anda viajando o país, na maioria das vezes em festivais. Fique de olho, que vale a pena!

Rafael, eu não vi exageros nas referências. Talvez pela forma com que os diálogos a colocam em evidência. E achei bem bacana as opiniões pessoais, em forma de cacos. Acho que isso enriquece o filme. Por exemplo, defender que Transformers é mais legal que Godard, sem que isso soe pretensioso.

Bjs e abs a todos! E obrigado pelas visitas, pessoal!

Surfista disse...

Parabéns!!! Maneiríssimo.

Vulgo Dudu disse...

Dougra, foi bem bacana mesmo! Já viu o filme? Tenho certeza que você também teria uma relação afetiva com o tema...

Abs!