quarta-feira, novembro 18, 2009

#126 - Distrito 9 (District 9), de Neill Blomkamp


Esqueça todos os clichês de filmes sobre alienígenas. Distrito 9 já começa invertendo duas regras do gênero: em primeiro lugar, a nave extraterrestre para acima de Johannesburgo, em plena África do Sul (em vez de escolher uma metrópole internacional); depois, ao invés de serem uma ameaça, as criaturas que de lá descem não pretendem destruir o mundo, e sim habitá-lo, uma vez que não conseguem voltar para casa.

Outra diferença fundamental está na estrutura narrativa. Distrito 9 se apresenta como um documentário no qual especialistas falam sobre a difícil convivência, há 20 anos, entre humanos e alienígenas. A maior parte do filme tem imagens de linguagem documental, o que acentua o conteúdo crítico proposto pelo argumento. Está na cara que se trata de uma crítica contemporânea às políticas segregacionistas, muitas vezes impostas pelo fim das barreiras econômicas - ou seja, a tal globalização. Os alienígenas vivem agrupados em uma espécie de favela cercada e vigiada, o tal distrito que dá nome ao filme.

O mundo se reorganiza e obedece as leis de uma instituição multinacional que substitui a ONU. É de lá que vem o personagem que vai nortear o roteiro: um funcionário que, atendendo ao pedido dos humanos, elabora uma estratégia para acabar com o Distrito 9 e mandar os alienígenas para outro lugar. Durante uma operação, ele acaba entrando em contato com uma misteriosa substância que vai o transformando, lentamente, em uma das criaturas. Em um processo quase kafkaniano, passa a depender da ajuda de quem antes nutria fobia.

Distrito 9 é um filme de baixo orçamento, que dosa perfeitamente os efeitos especiais, evitando que o excelente argumento fique em segundo plano. Ou seja, esqueça o nome de Peter Jackson, que assina apenas a produção, e os efeitos mirabolantes dos hobbits. Distrito 9 é visualmente simples, mas esteticamente consistente. Acaba criando uma nova linguagem para o gênero da ficção-científica.

7 comentários:

Bruno disse...

Filme excelente, um dos melhores do ano!

Mas acredito que se perde na historia da metade pro final...

Abração!

Kamila disse...

Dudu, concordo que uma nova linguagem foi criada para um filme do gênero de ficção científica. Eu não costumo gostar de obras nesse estilo, mas achei este filme bem criativo e diferente. Pena que o roteiro meio que se perde no ato final.

Beijos!

Luiz Mendes Junior disse...

Tô louco para ver esse filme

Rafael Carvalho disse...

De fato, um corpo estranho dentro dentro dos filmes de ficção científica e de aliens, no melhor dos sentidos porque toda a estranheza e bizarrice da narrativa são construídas justamente para renovar os gêneros. E além de tudo, o filme possui o fator crítica social muito bem inserida na trama. Muito bom.

Vulgo Dudu disse...

Bruno, eu não senti essa perda no desfecho. Claro, ele abandona a estética documental. Mas ainda assim acho que aquela ação louca e desenfreada é mais para agradar o público de sci-fi. Ainda assim, gostei. E aquela última cena tem um quê de Blade Runner, né? O origami... e tals...

Kamila, como falei aí em cima, eu não achei que o roteiro se perde. Acho que era inevitável que o tom do argumento mudasse um pouco de ritmo. O filme vale, mesmo, pela nova estética.

Mendes, eu acho que você vai gostar bastante!

Rafael, isso que é bacana: a crítica social não toma o lugar de destaque no roteiro. Ela fica sempre ali, como falei, meio kafkaniana - você precisa aceitar, de cara, para que faça sentido.

Bjs e abs!

musicabetudo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Raphael Barboza disse...

Só consegui ver o filme hoje... Tinha evitado ao máximo ler sobre o filme e não sabia muito o que esperar, por isso, quando vi o nome do Peter Jackson no início, pensei logo em uma super produção com muitos efeitos. Por sorte, ledo engano.
Achei muito bom e inovador, mas achei que no final o roteiro entra um pouco no clichê de filmes de ação - o que não chega nem perto de acontecer até a cena final. O final feliz e até a "martirização" do protagonista destoaram um pouco, mas o saldo é muito positivo. Muito bom.