segunda-feira, outubro 12, 2009

#118 - Flight 666, de Sam Dunn e Scot McFadyen


Sam Dunn foi o responsável pelo excelente documentário Metal. Utilizando-se dos conhecimentos adquiridos na cadeira de antropologia, misturados à paixão pelo heavy metal, o diretor conseguiu contextualizar de forma lúdica e científica uma paixão que vence barreiras temporais. Logo, era ele mesmo a pessoa mais gabaritada para acompanhar o Iron Maiden, sua banda predileta, em uma empreitada realmente ousada: dar conta de uma turnê pelos cinco continentes, em cidades nunca antes visitadas, a bordo do Ed Force One, avião particular do grupo inglês.

Os rapazes tiram onda. Quem pilota o avião é ninguém menos que o próprio vocalista, Bruce Dickinson. Nos aeroportos, em meio às notificações de voos regulares, os alto-falantes anunciam o voo 666 - como se fosse a coisa mais natural do mundo. Pela primeira vez na história da música, uma banda pode percorrer distâncias de quase 3 mil quilômetros entre uma cidade e outra. Ao todo, foram 23 shows em 45 dias.

Em Flight 666, a câmera funciona como os olhos de um fã que tem acesso irrestrito ao backstage. Por respeitar tanto a banda, Dunn passa a maior parte do tempo como vouyer, enfrentando o receio de músicos e membros da produção em ter a rotina devassada. Ao longo do filme, além de mostrar detalhes da extensa turnê, o espectador fica conhecendo um pouco mais sobre cada membro da banda.

Há também uma curiosidade que se passa no Brasil, quando o Ed Force One pousa em São Paulo. O recordista de tatuagens do Iron Maiden é um pastor de uma igreja pentecostal. Além de pregar o evangelho se utilizando das letras das canções da banda, ele tem espalhadas pelo corpo 176 tatuagens. Algumas, segundo ele, em três dimensões: quando ele se mexe, se mexem também as tatuagens...

Filght 666 é divertido sem abrir mão do conteúdo documental. Clássicos dos bons tempos, como "Aces high", "Two minutes do midnight", "Rime of the ancient mariner" e "Can I play with madness", demonstram o fascínio que a banda ainda exerce em jovens fãs, desafiando teorias estéticas e musicais. O heavy metal, de fato, não morreu.

6 comentários:

Bruno disse...

Sou suspeito para falar, mas esse documentário é simplesmente MA-RA-VI-LHO-SO!

Só quem viu o Maiden ao vivo sabe como é a energia dos show, um sencação indescritível!

Kamila disse...

Ainda não assisti a este documentário, mas, mesmo não sendo fã do Iron Maiden, eu conferiria porque acho os membros da banda verdadeiras figuras.

Beijos!

T1460 disse...

Eu participei da turnê, na platéia do show de Porto Alegre. Vi algumas gravações bem perto de mim, que provavelmente não entraram no filme. E, desnaturado, ainda não assisti.

Uma amiga minha, que mora no Rio de Janeiro, ganhou uma promoção e assistiu ao lançamento do documentário no Brasil, ao lado da banda.

Alex Gonçalves disse...

Engraçado que nos tempos que eu curtia rock (não que eu ainda não ouça alguns CDs que ainda tenho em casa) nunca havia sido fã de "Iron Maiden". Talvez porque na minha época tenha sido aquela onde o vocal era o Blaze Bayley (cruzes!). E eu estou louco para ver "Metal". Não sei o porquê de até agora não fazer o download.

Vulgo Dudu disse...

Bruno, eu nem escrevi isso na resenha, mas eu vi o Iron Maiden ao vivo quando já não era tão fã assim, no Rock in Rio 3. Achei o show muito bacana, lembrei todas as letras... Foda mesmo!

Kamila, de fato, são todos umas figuras. E vale também pela montagem, que é bem interessante. O foco não é sempre a música.

T1460, rapaz, aluga logo o filme que você vai adorar!

Alex, Blaze Blaine era um merda! E olha que eu ainda prefiro o Iron Maiden com o Paul Di Anno, o vocalista anterior ao Bruce Dickinson. Mas o doc vale pela montagem! Excelente!

Bjs e abs!

Surfista disse...

Achei sensacional! Concordo que é um making-of comportado da banda. Não há nada de sexo, drogas e rock'n'roll. Há até um tempero familiar no filme, como a presença da prole do Steve Harris na turnê.

Acho também que o grande barato do documentário é a química dos músicos com o seu público. Senti como um reconhecimento do grupo ao povo de cabelos compridos e camiseta preta que acompanha o Iron Maiden há 25 anos.

Além do pastor tatuado em Sampa, gostei muito das passagens pela Cidade do México, por San José (Costa Rica) e pela Colômbia do Hugo Chavez.

Up the Irons!