quinta-feira, outubro 08, 2009

#114 - Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds), de Quentin Tarantino


Se a II Guerra Mundial fosse como Tarantino a imaginou no roteiro de Bastardos Inglórios, sem dúvida alguma os livros de história encabeçariam a lista dos mais vendidos. Com menos violência e ação, mas com encenação eficiente e diálogos caprichados, o diretor conta uma aventura que envolve personagens reais e fictícios, mudando o rumo da maior batalha do planeta.

A história se concentra em três núcleos, que em certo ponto do filme se cruzam: uma jovem judia sobrevivente de uma chacina nazista, um coronel com fama de caçador de judeus e um grupo de militares estadunidenses sanguinários e desequilibrados liderados por Brad Pitt - os tais Bastardos Inglórios do título. Com a única missão de matar nazistas, usam métodos nada ortodoxos para espalhar a fama pelo território ocupado, fazendo até mesmo Hitler tremer.

Ao longo de quase duas horas e meia de projeção, há uma série de situações típicas dos filmes de Tarantino. O apuro técnico é inconstestável. As cenas de ação e violência, bem como a roupagem pop, continuam impressas no fotograma, ainda que de forma menos estilizada. A direção de arte é perfeita, recriando brilhantemente os tempos de guerra.

Um dos maiores méritos de Tarantino no ofício de diretor é a forma como explora os personagens, tornando-os irresistíveis. É o que acontece, por exemplo, com o núcleo dos Bastardos Inglórios, cada um com sua característica peculiar. O elenco ajuda. Brad Pitt mais uma vez dá conta do recado, com um irritante sotaque de caipira. Porém, o destaque é o ator austríaco Christoph Waltz, que dá um banho de interpretação na pele do sádico, porém educado, coronel Hans Landa.

O curioso é que há um exploitation italiano chamado Quel maledetto treno blindato, filmado em 1978 e também ambientado durante a II Guerra Mundial, que recebeu nos Estados Unidos o título de Inglorious Bastards (note que o bastardo aqui é escrito com a letra a, enquanto Tarantino usa a letra e). Fala sobre soldados que infringiram o código militar, mas que conseguem fugir e bolar um plano para aplicar um golpe nos nazistas. Como Tarantino adora referências cinematográficas, fica a curiosidade.

Bastardos Inglórios é diversão garantida! Um cinema intenso com a assinatura de Tarantino. Estreia amanhã no circuitão.

9 comentários:

jeff disse...

Estou contanto as horas para amanhã. Como ia estrear já, não deixei para ver no Festival. Só ouvi o pessoal dizer bem do filme. Como qualquer coisa do Taranta, acho que será do cacete.

E acho que tu teve mais sorte que eu no Festival. hehe Ótima cobertura. Não comentei, mas não deixei de ler.

[]s!

Bruno disse...

Estou esperando o ano inteirinho por esse filme!
Com certeza é dobaralho!

Ygor Moretti Fiorante disse...

Esse é sem duvida um dos mais aguardados do ano, tarantino invade a segunda guerra acho q depois disso não será mais a mesma história rsss.

abraço!

T1460 disse...

Vamos ver o que Tarantino aprontou dessa vez! Esse eu não perco nem que chova canivete no caminho pro cinema!

Kamila disse...

Vou assistir amanhã, aí, te digo melhor o que achei do filme, mas estou com boas expectativas em relação à obra.

Beijos!

Waldir disse...

Perfecto!

Vulgo Dudu disse...

Jeff, na verdade eu vi esse na cabine de imprensa. Nem me movi para ver antes porque sabia que ia entrar em cartaz logo que terminasse o festival. Eu gostei muito. Veja e escreva sobre, que quero saber a sua opinião!

Bruno, é um Tarantino requintado. Bastante divertido.

Ygor, como eu escrevi aí: se a história fosse como Tarantino imaginou, livros de história seriam best sellers...

T1460, não perca MESMO! Acredito que você vá gostar bastante.

Kamila, estou esperando sua resenha!

Waldyr, bem-vindo por aqui e obrigado pelo comentário. Perfecto!

Bjs e abs!

Surfista disse...

Tarantino é um dos últimos diretores com assinatura, com estilo em seus filmes: violência, diálogos velozes, referências da cultura pop, humor negro e reviravoltas realmente interessantes. Se "Kill Bill" é o seu filme mais divertido, acho que "Bastardos" é a sua cartada mais ambiciosa. De certa forma, ele quer mostrar que está chegando à maturidade artística sem perder o punch.

Surfista disse...

Ah, quase esqueci. A fugitiva judia (curiosamente dona de um cinema em Paris) e a atriz alemã (agente dupla) também são personagens maravilhosos. É filme que rende pauta para várias rodadas de cerveja.