domingo, outubro 04, 2009

#110 - O rei da fuga (Le roi de l'évasion), de Alain Guiraudie




Os filmes da mostra Midnight Movies têm fama de serem bizarros. A produção francesa O rei da fuga faz jus à reputação. Não se deixe enganar pela sinopse, que passa a impressão de uma produção de aventura: um sujeito homossexual, que enfrenta a crise de meia-idade, salva uma adolescente de ser violentada por jovens baderneiros. Com o tempo, acaba se apaixonado por ela. O casal precisa fugir para consumar a relação, e passa a ser perseguido pela polícia.

Tecnicamente, o filme é muto fraco. As atuações são mornas, a fotografia é simples, a edição é quadrada etc. Os maiores problemas se concentram no roteiro, que é muito fraco. Nada de tão importante acontece na tela. Há um punhado de sequências sem muita coesão, que mostram uma série interminável de cenas de sexo, algumas pouco eróticas, apesar de ousadas, tamanha a frieza e apatia com a qual o tema é tratado.

E é justamente aí que o filme fica bizarro. O protagonista, gordo e mal ajambrado, faz sexo com um velho de 80 an0s. Depois, tenta fazer sexo anal com a adolescente usando um gel chamado "frescor refrescante". Um grupo de homens faz masturbação coletiva. Todas essas cenas são jogadas na cara do espectador, sem que pareça haver uma intenção. Os diálogos, bastante bizarros, sublinham a esquisitice. O tema, a crise de identidade do protagonista, que poderia ser explorado, fica em segundo plano.

Nem preciso terminar a resenha com este trocadilho terrível: fuja de O rei da fuga. Não há mais sessões agendadas durante o Festival do Rio. Sorte do público!

5 comentários:

Bruno disse...

Por isso que eu amo cinema europeu! hahaha

Kamila disse...

Vou seguir seu conselho e fugir desse filme. :-)

Beijos!

T1460 disse...

Já fugi! Masturbação coletiva de homens é demais para mim haha.

Vulgo Dudu disse...

Bruno, europeu, né? Não necessariamente o francês contemporâneo, certo? rs...

Kamila, é o melhor a fazer mesmo!

T1460, a cena da masturbação nem é a mais bizarra. O pior é o cara com o velhinho. Muito estranho.

Bjs e abs!

Carlos Eduardo Valente disse...

Que preconceito é esse, gente?
Como se velhinhos de 80 anos não fizessem sexo!!! heheheh
Apesar do personagem se dizer com 70 e alguma coisa. Gostei demais do texto do velhinho na transa final. Não acehi nada bizarro.
Masturbação entre homens? Caramba! Eu fazia isso com os amigos quando adolescente, pra ver quem jorrava mais longe! Era campeonato! Muito natural, muito normal.
A indecisão do personagem, por ser gay, quarentão, gordo (aliás, existem gays quarentões, cinquentões e de mais idade e gordos!!!)não me traz problema algum! No filme Gordos (o título mesmo em espanhol é esse mesmo, de 2009, do mesmo diretor de Azul Escuro Quase Negro), também existe essa indecisão por parte de um personagem, também na faixa dos 40 anos, gay e gordo!
Pra mim, é um bom filme! Não achei que devia fugir dele. Até recomendo!
Gays necessariamente não são todos saradinhos, fashion, bonitinhos. Viva a diversidade. hehehehhe