quarta-feira, outubro 28, 2009

Luz, câmera... canção! - Arcade Fire

Quando o disco de estreia do Arcade Fire, Funeral, foi lançado aqui no Brasil, fiquei embasbacado! Era rock independente repleto de harmonias, com linhas melódicas complexas e, o mais bacana, com letras que traziam uma coesão entre as faixas. A banda trabalhou a velha e saudosa concepção de álbum, algo que parecia ter sido abandonado pela indústria fonográfica havia muito tempo.

O Arcade Fire foi fundado em 2003, lá no Canadá - terra de excelentes artistas, como o coletivo Broken Social Scene e o dinossauro do rock Neil Young. Ok, eles também têm Celine Dion e Bryan Adams, mas vamos dar um desconto.

Não bastasse o apuro melódico dos integrantes do Arcade Fire, os videoclipes também impressionam pela sutileza e requinte. Uma das faixas de Funeral, "Rebellion (Lies)", ganhou um vídeo com uma fotografia estonteante. O roteiro é simples, bem simples. Lembra um pouco aquele conto do flautista de Hammerling, que enquanto toca vai esvaziando a cidade de ratos. No caso, enquanto o Arcade Fire toca, em uma cidade interiorana tipicamente canadense, as crianças vão os seguindo.



Perdi o show dos caras no Tim Festival de 2005, aqui no Rio. Estava de plantão no trabalho. Deu raiva.

segunda-feira, outubro 26, 2009

#122 - Anticristo (Antichrist), de Lars Von Trier


Os filmes de Lars Von Trier costumam ser experiências intensas - o que, ao meu entender, é algo bastante positivo. Quando o diretor, na minha opinião o mais provocador da atualidade, anunciou um filme de terror, era óbvio que o horror seria psicológico. E era muito provável também que a parte estética teria destaque.

Anticristo é exatamente o que Von Trier vem propondo ao longo de sua filmografia: uma jornada catastrófica pela mente perturbada do ser humano (e não do diretor), com total domínio sobre a técnica cinematográfica. O roteiro conta a história de um casal que perde o filho pequeno, morto após cair da janela, enquanto faz sexo. Para tentar aliviar a dor do luto, vão para uma cabana no meio do mato. No meio do mato mesmo. Lá, o que era para ser um tratamento alternativo, acaba se tornando uma experiência que foge do controle.

O grande impacto do filme não está nas cenas de violência e mutilação sexual, e sim no argumento, que se fecha de forma obscura e perturbadora nas sequências finais. O recheio tem a marca do diretor, que tem fama de fazer a vida dos protagonistas um inferno particular. Cenas de sexo, masturbação e animais mortos causaram celeuma em Cannes. Puro exagero. Nada de mais. Nem gratuito. Tudo está de acordo com o argumento. Além do mais, quem entra numa sala de cinema para ver um filme de Lars Von Trier já sabe mais ou menos o que esperar...

Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg impressionam pela naturalidade diante das câmeras, em grande parte provocada pela direção, que proibia ensaios antes das filmagens. Porém, Anticristo é um filme essencialmente visual. A fotografia é de deixar qualquer espectador de queixo caído. Até mesmo o prólogo, de conteúdo terrível, é belo. Planos abertos, repletos de textura e com poucos timbres sonoros relembram a técnica de Tarkovsky, a quem Von Trier dedica o filme.

No fim das contas, é uma experiência estética irresistível, por mais pesada que possa ser ao espectador.

O filme me lembrou muito, guardadas as devidas proporções, minha música predileta do Ben Harper, "The woman in you". Concorda?

sexta-feira, outubro 23, 2009

#121 - Os vigaristas (The Brothers Bloom), de Rian Johnson


Sexta-feira, vocês já sabem, é dia de estreias no circuitão! Hoje chega aos cinemas o filme Os vigaristas, com Adrien Bodry, Mark Ruffalo e Rachel Weisz no elenco. Escrevi uma resenha para a Revista Programa, do Jornal do Brasil. Para quem não pode comprar a publicação (ou seja, para quem não é carioca, porque os cariocas compram o JB, não é mesmo?), eis abaixo a minha opinião.

Produção do ano passado, Os vigaristas conta a história dos irmãos Bloom, que aplicam golpes milionários usando o charme e a elegância como isca. Quando o alvo é uma jovem ricaça orfã, que vive reclusa em uma mansão, um deles começa a questionar o modo de vida que leva, colocando em xeque os planos do outro.

Mesclando aventura e comédia, o roteiro também prega peças no espectador. Repleto de reviravoltas previsíveis, acaba soando cansativo. Figurinos e cenários retrô tentam dar um ar exótico à trama, mas causam estranhamento. O único item que se destaca é mesmo a deliciosa trilha sonora, repleta do dixie jazz de décadas passadas. Adrien Bodry e Mark Ruffalo têm atuações discretas. Quem salva o filme é Rachel Weisz, no papel da curiosa mocinha.

segunda-feira, outubro 12, 2009

#120 - Observe and report, de Jody Hill


Lançado diretamente em DVD, Observe and report é uma comédia que foge um pouco dos padrões. É politicamente incorreta, repleta de piadas grosseiras e com um protagonista que é o verdadeiro escroto. O roteiro aproxima o espectador do anti-herói, ainda que ele bata em crianças, experimente drogas e ofenda transeuntes.

Seth Rogen interpreta Ronnie Barnhardt, o chefe de segurança de um shopping center. Bipolar, precisa tomar remédios para controlar o humor instável. Quando um maníaco ronda o estacionamento mostrando o pênis e falando impropérios, um investigador da polícia toma a frente das investigações, colocando sua autoridade em xeque. Capturar o criminoso, então, se torna uma obsessão na vida de Barnhardt.

O filme ganha corpo mesmo na segunda metade de projeção, com sequências bastante interessantes e intensas. Trata-se de uma das comédia mais violentas dos últimos tempos, com cenas de brigas e discussões acaloradas - o que é bom. Outro ponto positivo são os personagens coadjuvantes, principalmente os que integram a equipe de segurança do shopping. Destaque para o excelente Michael Peña, o braço-direito de Rogen. Impagável!

Se o roteiro de Observe and report se debruçasse um pouco mais sobre a questão psicológica do protagonista, poderia arrancar uma belíssima interpretação de Rogen. Não vai tão longe assim, mas deve agradar muita gente.

#119 - Jesus Christ Vampire Hunter, de Lee Demarbre


Cinema é a maior diversão. Essa máxima é muito mais verdadeira nos filmes B do que nas produções hollywoodianas. Bole uma história realmente insana, junte um punhado de amigos e reserve os finais de semana para as gravações. Rodado no Canadá, num período de dois anos, Jesus Christ Vampire Hunter é uma produção de baixo orçamento que traz o melhor dos trash movies: interpretações espontâneas, improviso cênico e um argumento completamente original.

Jesus Cristo volta à Terra para acabar com uma gangue de vampiros que ataca pobres e incautas lésbicas. Com visual descolado, a bordo de um skate, o filho de deus procura o líder das criaturas do mal para salvar a humanidade. Ao longo de sua jornada, conta com a ajuda de sacerdotes punks e um lutador mexicano.

A maioria das cenas foi feita nas ruas de Ottawa. Muito provavelmente sem autorização das autoridades locais. Por isso, é comum ver, ao longo da projeção, transeuntes espantados com a ação - o que torna o filme ainda mais divertido. A maioria dos atores é amadora, com pouca ou nenhuma experiência. Até a mãe do diretor faz uma ponta como lésbica.

O bacana é que o filme foi inteiramente rodado em 16 milímetros. Ou seja, deu trabalho! A trilha sonora é outro destaque, com inserções musicais estapafúrdias. E para fechar com chave de ouro, a canção na sequência final diz: it's all good/ it's all right/ everybody gets laid tonight.

Para ser visto com amigos, cervejas e petiscos.

#118 - Flight 666, de Sam Dunn e Scot McFadyen


Sam Dunn foi o responsável pelo excelente documentário Metal. Utilizando-se dos conhecimentos adquiridos na cadeira de antropologia, misturados à paixão pelo heavy metal, o diretor conseguiu contextualizar de forma lúdica e científica uma paixão que vence barreiras temporais. Logo, era ele mesmo a pessoa mais gabaritada para acompanhar o Iron Maiden, sua banda predileta, em uma empreitada realmente ousada: dar conta de uma turnê pelos cinco continentes, em cidades nunca antes visitadas, a bordo do Ed Force One, avião particular do grupo inglês.

Os rapazes tiram onda. Quem pilota o avião é ninguém menos que o próprio vocalista, Bruce Dickinson. Nos aeroportos, em meio às notificações de voos regulares, os alto-falantes anunciam o voo 666 - como se fosse a coisa mais natural do mundo. Pela primeira vez na história da música, uma banda pode percorrer distâncias de quase 3 mil quilômetros entre uma cidade e outra. Ao todo, foram 23 shows em 45 dias.

Em Flight 666, a câmera funciona como os olhos de um fã que tem acesso irrestrito ao backstage. Por respeitar tanto a banda, Dunn passa a maior parte do tempo como vouyer, enfrentando o receio de músicos e membros da produção em ter a rotina devassada. Ao longo do filme, além de mostrar detalhes da extensa turnê, o espectador fica conhecendo um pouco mais sobre cada membro da banda.

Há também uma curiosidade que se passa no Brasil, quando o Ed Force One pousa em São Paulo. O recordista de tatuagens do Iron Maiden é um pastor de uma igreja pentecostal. Além de pregar o evangelho se utilizando das letras das canções da banda, ele tem espalhadas pelo corpo 176 tatuagens. Algumas, segundo ele, em três dimensões: quando ele se mexe, se mexem também as tatuagens...

Filght 666 é divertido sem abrir mão do conteúdo documental. Clássicos dos bons tempos, como "Aces high", "Two minutes do midnight", "Rime of the ancient mariner" e "Can I play with madness", demonstram o fascínio que a banda ainda exerce em jovens fãs, desafiando teorias estéticas e musicais. O heavy metal, de fato, não morreu.

#117 - Black Dynamite, de Scott Sanders



Fechei o Festival do Rio com chave de ouro! Já esperava que Black Dynamite, paródia dos antigos blaxploitations, fosse tudo isso. Todas as peculiaridades que fizeram do gênero uma referência estética e cinematográfica são exageradas propositalmente, criando uma espécie de caricatura.

A história segue a consagrada fórmula da década de 70: basicamente, é sobre vingança. Mais ainda, trata da luta solitária de um justiceiro contra traficantes e mafiosos. Black Dynamite é um anti-herói sinistro: ex-agente da CIA, temido por todos, praticamente invencível, mestre na arte do kung fu e irresistivelmente atraente. Quando recebe a notícia da morte do irmão, até a polícia teme o banho de sangue que está por vir.

Logo de cara, o diretor Scott Sanders deixa claro que a intenção é escrachar os clichês. Por isso, na sequência inicial, o microfone vaza escandalosamente. Ao longo da projeção, uma série de pequenas falhas, comuns em produções de baixo orçamento, são inseridas propositalmente. O roteiro é meticulosamente esburacado, os diálogos são inacreditavelmente manjados e os atores suam para forçar a barra nas interpretações. Um verdadeiro deleite para os fãs dos antigos blaxploitations.

Black Dynamite é infame, diferente e jocoso. Há muito tempo não me divertia tanto numa sala de cinema!

No site da M..., a resenha fala um pouco mais sobre o que foi o blaxploitation. Quem quiser ler, clique aqui!

sexta-feira, outubro 09, 2009

#116 - Tyson, de James Toback



Quando eu era moleque, Mike Tyson estava no auge da carreira. Aguardava as lutas na televisão, já de madrugada, ansioso. E a maioria delas costumava terminar em menos de dois minutos. No videogame, em Mike Tyson’s Punch-Out, do Nintendo, era preciso passar por todos os outros personagens para enfrentar Tyson. Tarefa quase impossível, não fosse uma sequência de comandos no controle que dava acesso direto à luta. Ainda assim, encaixar um golpe no sujeito era tarefa árdua. E se o jogador levasse apenas dois socos, era game over.

O documentário Tyson traz à tela um pugilista com uma capacidade de autocrítica impressionante. O ex-campeão dos pesos-pesados, outrora o homem mais temido do planeta, abre a guarda para falar abertamente sobre algumas das passagens mais duras e tempestuosas da sua carreira, como o conturbado casamento com a atriz Robin Givens, o uso de drogas, a derrota para James “Buster” Douglas, a condenação por estupro e até a mordida na orelha de Evander Holyfield.

Durante uma hora e meia, Tyson não para de falar! Chega até mesmo a chorar - em uma mecânica realmente bizarra - quando lembra de seu primeiro treinador, Cus D'Amato, morto antes que ele levantasse o cinturão de campeão. A montagem podia ajudar a narrativa a fluir melhor, mas também não compromete. Quem se acostumou a ver Tyson enfrentando os maiores pugilistas do mundo, vai achar interessante vê-lo lutar contra o seu maior oponente: ele mesmo.

Outra versão da resenha lá no site da M... Quer ler? Que bom! Então, clique aqui.

#115 - 9 - A Salvação (9), de Shane Acker


Sexta-feira é dia de estreias no circutão. Além do novo e badalado filme de Tarantino, uma produção de Tim Burton pode agradar os fãs de animações. A resenha de 9 - A Salvação foi publicada hoje na Revista Pograma,do JB. Como de costume, eis mais ou menos o que está escrito por lá.

Produzida por Tim Burton, a animação 9 – A Salvação é melancólica e tem temática adulta. Em um mundo pós-apocalíptico, em que a população foi dizimada por máquinas inteligentes, um cientista projeta bonecos de pano numerados de 1 a 9, na esperança de construir um futuro melhor. A trama começa quando o número 9 ganha vida. Sem saber, ele carrega um segredo que pode mudar o destino do planeta.

O longa, dirigido por Shane Acker, é uma extensão do curta-metragem que foi indicado ao Oscar em 2004. Apesar do roteiro não ser dos melhores, o capricho estético é incontestável. Os cenários e as criaturas fantásticas que surgem na tela enchem os olhos do espectador. Cenas dramáticas e com uma pequena dose de violência podem, inclusive, assustar algumas crianças. Não fosse uma lição de moral que não fica tão clara nos minutos finais de projeção, o filme agradaria muito mais.

quinta-feira, outubro 08, 2009

#114 - Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds), de Quentin Tarantino


Se a II Guerra Mundial fosse como Tarantino a imaginou no roteiro de Bastardos Inglórios, sem dúvida alguma os livros de história encabeçariam a lista dos mais vendidos. Com menos violência e ação, mas com encenação eficiente e diálogos caprichados, o diretor conta uma aventura que envolve personagens reais e fictícios, mudando o rumo da maior batalha do planeta.

A história se concentra em três núcleos, que em certo ponto do filme se cruzam: uma jovem judia sobrevivente de uma chacina nazista, um coronel com fama de caçador de judeus e um grupo de militares estadunidenses sanguinários e desequilibrados liderados por Brad Pitt - os tais Bastardos Inglórios do título. Com a única missão de matar nazistas, usam métodos nada ortodoxos para espalhar a fama pelo território ocupado, fazendo até mesmo Hitler tremer.

Ao longo de quase duas horas e meia de projeção, há uma série de situações típicas dos filmes de Tarantino. O apuro técnico é inconstestável. As cenas de ação e violência, bem como a roupagem pop, continuam impressas no fotograma, ainda que de forma menos estilizada. A direção de arte é perfeita, recriando brilhantemente os tempos de guerra.

Um dos maiores méritos de Tarantino no ofício de diretor é a forma como explora os personagens, tornando-os irresistíveis. É o que acontece, por exemplo, com o núcleo dos Bastardos Inglórios, cada um com sua característica peculiar. O elenco ajuda. Brad Pitt mais uma vez dá conta do recado, com um irritante sotaque de caipira. Porém, o destaque é o ator austríaco Christoph Waltz, que dá um banho de interpretação na pele do sádico, porém educado, coronel Hans Landa.

O curioso é que há um exploitation italiano chamado Quel maledetto treno blindato, filmado em 1978 e também ambientado durante a II Guerra Mundial, que recebeu nos Estados Unidos o título de Inglorious Bastards (note que o bastardo aqui é escrito com a letra a, enquanto Tarantino usa a letra e). Fala sobre soldados que infringiram o código militar, mas que conseguem fugir e bolar um plano para aplicar um golpe nos nazistas. Como Tarantino adora referências cinematográficas, fica a curiosidade.

Bastardos Inglórios é diversão garantida! Um cinema intenso com a assinatura de Tarantino. Estreia amanhã no circuitão.

quarta-feira, outubro 07, 2009

#113 - Big River Man, de John Maringouin



Na minha opinião, o que define um bom documentário é o interesse que o personagem desperta. A imprevisibilidade do comportamento humano é algo que, quando capturado diante das telas, coloca o documental em uma posição muito além do argumento meramente proposto. Um sujeito que é ex-viciado em jogo, professor de violão flamenco, enólogo nas horas vagas, figurante em filmes de ação, garoto-propaganda e jurado de concurso de beleza já reúne predicados suficientes para ser objeto documental. Melhor ainda se for um nadador nato, recordista mundial de grandes travessias. O esloveno Martin Strel é tudo isso, além de já não ser tão jovem, estar acima do peso e não abrir mão de uma cerveja gelada.

O foco de Big River Man é a tentativa de nadar toda a extensão do Rio Amazonas. Porém, basta deixar a câmera ligada para se ter uma ideia de quem é Martin Strel: um esloveno humilde, porém famoso em sua cidade natal, e que goza de certo prestígio entre chefes de estado e políticos influentes. Quase sempre calado e com um largo sorriso no rosto, é saudado por onde quer que passe. Não é multado quando estaciona em local proibido e nem é importunado pela polícia quando dirige embriagado. Tem contratos vitalícios para frequentar um moderno parque aquático e dirigir um carro importado.

Com braçadas fortes, nadou os rios Danúbio, Mississippi e até o poluído Yangtzé, em jornadas que duravam cerca de dois meses. O motivo, alegava, era chamar a atenção das pessoas para as causas ambientais. Portanto, o Rio Amazonas, além de significar a quebra de seu recorde pessoal, também se encaixa perfeitamente na proposta ecológica.

O filme se torna mais denso e interessante quando o espectador percebe que nem ao mesmo a equipe que acompanha Strel sabe quem ele realmente é e quais são os verdadeiros motivos que o levam a arriscar a vida nadando. Muito mais do que uma aventura aquática, a travessia do Rio Amazonas se transforma em uma jornada de grandes proporções, guardando surpresas - nem sempre agradáveis - para todos que embarcaram nela.

Posso afirmar, sem dúvida, que se trata de um dos melhores e mais insólitos documentários dos últimos anos. Há uma versão maior da resenha lá no site da M... Para ler, clique aqui!

Ainda dá tempo...

QUI (8/10) 22 Estação Ipanema 1

segunda-feira, outubro 05, 2009

#112 - American Prince, de Tommy Pallotta



Uma nova geração de cineastas foi atrás de Prince para recolher as memórias não apenas de seu atribulado passado, mas também dos bastidores das filmagens de American Boy: o retrato de Steven Prince. Em American Prince, o diretor Tommy Pallotta usa a mesma estrutura do documentário de 1978, mantendo o personagem em foco novamente por 50 minutos. O ex-ator, atualmente um empreiteiro, fala com a mesma desenvoltura de outrora sobre a indústria cinematográfica da qual fez parte durante alguns anos.

American Prince e American Boy: o retrato de Steven Prince são mostrados em sequência para o público do Festival do Rio. Uma excelente oportunidade para conhecer uma figura ímpar, cuja atuação em Taxi Driver não chega a despertar tanta curiosidade – mas que tem um roteiro de vida tão interessante quanto o do filme. Se é tudo verdade ou mentira, não cabe ao espectador julgar. O próprio Prince diz que todos passam por situações insólitas na vida. O que o difere dos outros é a maneira como ele as encara.

Quer ver os dois?

TER (6/10) 16 e 20 Cine Glória
QUA (7/10) 15:15 Instituto Moreira Salles
QUI (8/10) 16:30 e 23:30 Espaço de Cinema 2

#111 - American Boy: o retrato de Steven Prince (American Boy: a profile of Steven Prince), de Martin Scorsese



Quem diria que o sujeito que interpretou Easy Andy, o negociador de armas de Taxi Driver, era uma figura tão interessante? As histórias de Steven Prince eram tão incríveis, que o diretor Martin Scorsese resolveu filmar uma conversa informal e fazer um documentário. Durante muito tempo, American Boy: o retrato de Steven Prince permaneceu no limbo, sem uma distribuição adequada. Acabou virando uma raridade, apreciada por poucos.

Cerca de 12 horas de entrevista se transformaram em um filme de 50 minutos. O esquema é simples: na maior parte do tempo, a câmera focaliza Prince sentado em um sofá, contando eloquentemente suas histórias. Algumas pequenas inserções de imagens de arquivo são feitas. O espectador se transforma em ouvinte.

Prince era viciado em heroína e levava uma vida cheia de excessos. Porém, era também um exímio contador de histórias. Em American Boy: o retrato de Steven Prince, ele incorpora diversos personagens e torna as narrativas ainda mais interessantes. O que conta é tão louco e incrível, que algumas de suas aventuras inspiraram sequências cinematográficas inesquecíveis, como a célebre cena de Pulp Fiction em que John Travolta aplica uma injeção de adrenalina em Uma Thurman.

Mais de três décadas depois, um outro documentário com Prince foi feito - o que nos leva à próxima postagem.

domingo, outubro 04, 2009

#110 - O rei da fuga (Le roi de l'évasion), de Alain Guiraudie




Os filmes da mostra Midnight Movies têm fama de serem bizarros. A produção francesa O rei da fuga faz jus à reputação. Não se deixe enganar pela sinopse, que passa a impressão de uma produção de aventura: um sujeito homossexual, que enfrenta a crise de meia-idade, salva uma adolescente de ser violentada por jovens baderneiros. Com o tempo, acaba se apaixonado por ela. O casal precisa fugir para consumar a relação, e passa a ser perseguido pela polícia.

Tecnicamente, o filme é muto fraco. As atuações são mornas, a fotografia é simples, a edição é quadrada etc. Os maiores problemas se concentram no roteiro, que é muito fraco. Nada de tão importante acontece na tela. Há um punhado de sequências sem muita coesão, que mostram uma série interminável de cenas de sexo, algumas pouco eróticas, apesar de ousadas, tamanha a frieza e apatia com a qual o tema é tratado.

E é justamente aí que o filme fica bizarro. O protagonista, gordo e mal ajambrado, faz sexo com um velho de 80 an0s. Depois, tenta fazer sexo anal com a adolescente usando um gel chamado "frescor refrescante". Um grupo de homens faz masturbação coletiva. Todas essas cenas são jogadas na cara do espectador, sem que pareça haver uma intenção. Os diálogos, bastante bizarros, sublinham a esquisitice. O tema, a crise de identidade do protagonista, que poderia ser explorado, fica em segundo plano.

Nem preciso terminar a resenha com este trocadilho terrível: fuja de O rei da fuga. Não há mais sessões agendadas durante o Festival do Rio. Sorte do público!

sexta-feira, outubro 02, 2009

#109 - Bad lieutenant: port of call New Orleans, de Werner Herzog




Não dá para considerar Bad Lieutenant: port of call New Orleans uma refilmagem da obra de Abel Ferrara. As diferenças são enormes, a começar pelo talento de quem dirige. Werner Herzog transforma a história de um policial perturbado e viciado em drogas em um filme ousado e repleto de cenas inesquecíveis.

Para começo de resenha, ao invés da Nova York orginal, aqui a trama se passa em uma Nova Orleans castigada pelo furacão Katrina. Ao invés de Harvey Keitel, um irrepreensível Nicolas Cage, renascendo do limbo e dando fôlego à carreira. No lugar da investigação sobre o estupro de uma freira, o tenente malvado do filme de Herzog investiga a chacina de uma família africana, motivada pelo controle do ponto de venda de drogas em um bairro miserável do subúrbio.

O filme conta com sequências insólitas e diálogos inesperados, tudo no capricho. A fotografia é um show à parte. A todo instante, Herzog quebra a austeridade do gênero policial com pitadas de sarcasmo e humor negro. É impressionante como uma trama policialesca, que poderia ser tão desinteressante quanto uma crônica do Gil Gomes, se transforma em algo tão interessante.

Herzog diz não considerar Bad lieutenant: port of call New Orleans um remake, já que alega não ter visto o de Ferrara - que, por sua vez, disse ter ficado bastante irritado quando soube que seu filme estava sendo refilmado. Fique tranquilo, Abel: a única semelhança parece mesmo ser o carisma do anti-herói protagonista.

Imperdível!

#108 - Gamer, de Mark Neveldine e Brian Taylor


Sexta-feira chegou. Em meio ao Festival do Rio, estreia no circuitão uma verdadeira bomba. A sessão para a imprensa de Gamer foi quase exclusiva para mim. No começo do filme, havia na sala de projeção apenas eu e o gato de estimação do Estação. Com 15 minutos de filme, justamente os únicos que realmente valem a pena, outros colegas de profissão chegaram. A resenha foi publicada hoje na Revista Programa, do JB. Segue um resumo do que escrevi lá.

Os 15 minutos inciais de Gamer conseguem deixar qualquer fã de filmes de ação extasiado: explosões, tiros e mutilações enchem a tela. A premissa é até bastante interessante: em um futuro próximo, uma tecnologia revolucionária permite que jogadores de games multiplayer, como Counter Strike e Call of Duty, comandem remotamente seres humanos de carne e osso. Um famoso e violento jogo de batalhas chamado Slayers usa criminosos condenados à morte como personagens, prometendo a liberdade ao grande vencedor. Gerard Butler interpreta Kable, o favorito ao título, controlado por um adolescente de 17 anos.

Apesar da fotografia caprichada e da edição ligeira, basta pouco mais de 30 minutos de projeção para perceber que o filme não vai decolar tão alto como promete. O roteiro é enfadonho, os personagens são mal desenvolvidos e a trama é resolvida de forma preguiçosa.