domingo, setembro 20, 2009

Teatreiro, eu? - "Till - a saga de um herói torto", com o Grupo Galpão


Receber a notícia de que o Grupo Galpão vem ao Rio com um espetáculo novo é sempre motivo para encontrar um certo alento necessário para mover a vida com mais serenidade. Esquecer as tarefas entediantes, as rotinas estafantes, as discussões estressantes. Mais do que isso, é um momento para nos sentirmos menos culpados por optarmos pela burocracia enfadonha, imposta talvez pela covardia de não seguirmos em frente os nossos instintos, dos nossos postos de trabalho. Feliz é aquele que faz o que ama. Iluminado é aquele que consegue quebrar a quarta parede de um palco italiano e fazer com que tal amor seja compartilhado. Com o Galpão, a mim, é sempre assim.

O novo espetáculo do grupo mineiro, Till, a saga de um herói torto, é uma farsa deliciosa, com texto e encenação caprichados. Conta a história de um sujeito preguiçoso cujos predicados vão sendo retirados pelo diabo, motivado por uma aposta com deus: o ser humano ficaria perdido sem as boas virtudes. Após ser abandonado pela mãe - em cujo ventre ficou por mais de cinco anos -, Till vaga pela Alemanha medieval tentando sobreviver a qualquer custo. Aplicando pequenos golpes e bolando um punhado de artimanhas, logo passa a ser perseguido.

Em uma tentativa de retomar as raízes, a encenação é feita ao ar livre, com acesso gratuito. Porém, já consagrado, o Galpão conta com uma estrutura cenotécnica espantosa. A cenografia e os figurinos são fantásticos. Ou seja, toda a estrutura para que os atores rendam o máximo é oferecida. O resultado, já que o grupo é um dos poucos onde os talentos são realmente homogêneos, é brilhante. Nem mesmo a irrepreensível Inês Peixoto, que dá vida e, mais do que isso, carisma ao protagonista, ofusca os coadjuvantes da história. Isso se chama coletividade. Inclusive, quem assina a direção de Till, a saga de um herói torto é Julio Maciel, também integrante da companhia, que conhece bem os limites dos atores e a melhor forma de trabalhar o coletivo em prol do jogo cênico.

Foi uma noite extremamente agradável. O Parque dos Patins pareceu pequeno para a força do espetáculo do Galpão. Nem mesmo o barulho constante de helicópteros (há dois heliportos, um em cada extremidade do parque) atrapalhou a fruição do público. Voltamos para casa preenchidos e nutridos, com aquela sensação de que a vida pode, sim, ser um pouco mais agradável. E de que a arte é algo para ser partilhado.

O Grupo Galpão tem uma missão. Eles sabem disso. Até o mais breve possível, pessoal!

Cariocas, não percam! Ainda restam algumas apresentações por aqui. Segue o servição:

Hoje, 20 de setembro, no Parque dos Patins, Lagoa, às 19h.
24 e 25 de setembro nos Arcos da Lapa, às 19:30h.
27 de setembro na Quinta da Boa Vista, às 16h.

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