quarta-feira, setembro 16, 2009

#98 - Os Trapalhões e o rei do futebol, de Carlos Manga


Como a maioria das crianças da década de 80, eu adorava Os Trapalhões. A hora do lanche, aos domingos, era sagrada: parávamos todos para assistir ao programa na casa dos meus avós, comendo sanduíche de presunto e bebendo coca-cola gelada. Por isso, cada lançamento do quarteto nos cinemas era motivo de euforia. Ainda mais quando o assunto era futebol - já que meu tio levava toda a molecada, rubro-negra desde cedo, ao Maracanã.

Quando Os Trapalhões e o rei do futebol entrou em cartaz, eu tinha oito anos. Lembro-me que saí do cinema bastante satisfeito. Inclusive, algumas cenas ficaram marcadas na memória: Didi fazendo gol contra e comemorando, depois batendo escanteio e correndo para cabecear a bola na pequena área e Pelé fazendo gol de goleiro - mais difícil do que o gol que ele não fez na vida real, do meio do campo.

Assistir ao filme agora, já adulto, foi uma experiência realmente frustrante. Tirando as cenas inesquecíveis descritas acima, pouca coisa se salva. O roteiro é bastante confuso e a história se esgota em poucos minutos. Porém, o pior mesmo são as atuações. Pelé - como eu não vi isso, mesmo com oito anos? - é péssimo. Vê-lo atuar é tão constrangedor e irritante quanto ouvi-lo falar em terceira pessoa. Luiza Brunet empresta seu charme jovial à mocinha, mas compromete. O pior, porém, é o texto. Didi, por incrível que pareça - e aí, aos oito anos, não tinha mesmo como entender - faz uma série de piadas de teor adulto. Tem até duplo sentido, quando uma bandeja de cuscuz é encharcada com água:

"Ficou cuscuz molhado!"

Os outros três Trapalhões pouco aparecem. O filme ainda conta com um time que mais tarde viria a fazer carreira na teledramaturgia, como Carlos Manga, Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares.

Era melhor ter deixado Os Trapalhões e o rei do futebol na memória, protegido e intacto.

10 comentários:

Alex Gonçalves disse...

Que horror, Dudu! Mas o pior é que isto de fato acontece: temos lá um filme armazenado em nossa memória desde a infância como se fosse uma perfeição, mas basta rever depois de vários anos para nós sacarmos o quanto de fato é horroroso. Tive essa reação quando revi há uns três anos "Diabolique", aquele remake de "As Diabólicas" com Sharon Stone e Isabele Adjani. Claro, continue adorando o filme, mas no seu lançamento eu cheguei a considerar o filme da minha vida! No mais, essa piadinha do "cuscuz molhado" foi bem infame! ¬¬' :P

Vulgo Dudu disse...

Alex, o engraçado é como a memória é seletiva. Eu não lembrava nem que o filme era com a Luiza Brunet. Só lembrava do gol contra do Didi e do Pelé fazendo gol do meio de campo. Mas o filme é muito, muito ruim! Não dá nem vontade de comprar os outros da coleção, para não estragar as boas memórias que eu tenho dessa época. Afinal, foram as minhas primeiras experiências com cinema...

Abs!

Pascarella disse...

Dudu, vou seguir seu conselho e proteger a boa lembrança que tenho do filme.
Lembro do Pelé defendendo um pênalti e o Didi pegando a bola com a mão pra comemorar o feito com ele. Resultado: outro pênalti. Muito bom.

Kamila disse...

Os Trapalhões também fizeram parte de minha infância. O primeiro filme que eu vi no cinema foi deles. Era de praxe nas férias escolares: eu e minhas irmãs éramos levadas para assistir aos filmes deles. :-)

Eu ainda não conferi essa obra, por exemplo, mas a minha favorita dos Trapalhões é "Os Saltimbancos Trapalhões".

Beijos!

T1460 disse...

Eu vi muitos filmes deles, mas este é um que só me lembro de cenas isoladas. A cena do Didi escanteio para ele mesmo é clássica.

Anônimo disse...

Meu Deus! E como foi que seus pais deixaram vc ver esse filme?

Vulgo Dudu disse...

Pascarella, mantenha essas cenas só na cabeça. Não vale a pena rever o filme. Mitos caem.

Kamila, nós pegamos bem essa época dos Trapalhões no cinema. Mas o nosso crivo adulto acabou se desenvolvendo. Cinéfila como você é, duvido que curta rever um filme dos Trapalhões - a não ser por zoação.

T1460, é só isso mesmo que vale a pena lembrar...

Anônimo, eu vem deveria forçar a barra para que eles me levassem. Eu era bastante insistente quando era criança.

Bjs e abs!

Anônimo disse...

comenta os filmes que vê, mas não tem senso na hora de escolher os filmes que revê. bem, eu NUNCA, mas NUNCA mesmo me arrependi de ter revisto algum filme da infância. e olha que já foram vários. ESQUECERAM DE MIM, Debi e Loyd, Cheque em branco, Gremlins,... só pra começar. e tds continuaram mto bons mesmo e super divertidos agora que os revi dpois de adulto. alguns até melhoraram no meu conceito, como Cemitério maldito. Caso notável de melhora meeeeesmo. agora...filmes como simão, o fantasma trapalhao, qual eu fui ver no cinema de babá , q eu já torci o nariz na e´poca não reveria nem fudendo.

Anônimo disse...

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ANONIMO,

Vulgo Dudu disse...

Ô anônimo, como assim não tenho senso na hora de escolher os filmes que revejo? Você não leu a resenha? Foi um filme que marcou minha infância! Se você nunca se arrependeu com filmes de infância, sorte a sua! Pois lhe digo: é frustrante!