sábado, setembro 12, 2009

#96 - Falando grego (My life in ruins), de Donald Petrie


Se eu fosse membro do governo grego, estaria arrependido em ter concedido à Nia Vardalos e companhia autorização para filmar nas ruínas gregas. Há décadas não era permitido o acesso de cineastas nos sítios arqueológicos. Porém, acreditando que Falando grego pudesse soar como um protesto respeitoso contra um turismo mercantilista e vazio, meramente comercial, lá foi a atriz pegar um avião até o Velho Continente. O resultado? Um filme arruinado.

Nem vale a pena perder tempo falando sobre como o elenco é fraco e os personagens, desinteressantes. A começar pela própria Nia Vardalos, que faz uma ginástica facial intensa durante os cerca de noventa minutos de filme. São caras e bocas intermináveis, irritantes. Estereotipados propositalmente, os turistas são como agentes detratores de uma cultura milenar, berço da civilização. A protagonista, uma professora de história desempregada que faz bico de guia, luta para por um pouco de cultura nas cabeças vazias de estadunidenses consumistas, australianos bêbados e espanholas ninfomaníacas. Porém, é taxada de chata, insuportável. Dizem os próprios gregos, que no filme também são estereotipados como malandros e preguiçosos - não sobra para ninguém, nem para os canadenses muito bem educados - que ela perdeu o kefi, algo como o tesão.

Até aí tudo bem. O governo grego deveria até estar gostando do filme, que mostra as belas paisagens, ainda que bem rapidinho, de uma Grécia que é patrimônio da humanidade. Porém, todo o argumento vai por água abaixo quando Georgia, ou Nia Vardalos mesmo, já que ela sempre interpreta ela mesma, começa a ter lições de vida com o que outrora era um bando de baderneiros. Abrindo mão de tudo o que acreditava no início do filme, passa a aceitar a vitória da ignorância sobre o conhecimento. O desfecho ainda vem para ratificar tudo isso.

Sem contar as subtramas convexas. Como se trata de uma comédia romântica, arrumam logo um par para Nia Vardalos nos primeiros minutos de filme. Um sujeito que mais parece um ogro, chega ao final da projeção como um apolíneo deus grego. A outra subtrama dá conta das sabotagens que um funcionário concorrente planeja para ver a mocinha afastada de suas atividades. Um vilão tão inerte, que nem dá vontade de torcer para ele.

Nem o experiente Richard Dreyfuss salva o filme. É obrigado a fazer um número de piadas de salão para tornar o filme mais agradável. Seu personagem sofre com um roteiro que não lhe favorece.

Faltou kefi.

PS: para ler a resenha que eu escrevi especialmente para a M..., clique aqui!

8 comentários:

Kau Oliveira disse...

Ai que judiação da Nia Vardalos, hahahahaha! JUra que é tão ruim assim, Dudu? Eu fiquei animado com o trailer e também por que sou fã da moça. Mesmo com seu texto, ainda quero conferir o filme.

Abs!

Pedro Henrique disse...

Faltou kefi, ehehehehhee. Deve ser isso mesmon não espero muito por este filme.

Kamila disse...

Não achei este filme tão terrível assim. O problema é que ele tem uma mensagem parecida com a de "Up" e, aí, perde feio na comparação!!!!

Beijos!

T1460 disse...

Não gosto da Grécia, e ver esse filme provavelmente não mudará minha opinião.

Rafael Carvalho disse...

Vixe, esse tem super cara de bomba!

Celene disse...

Pois eu amei o filme! É superengraçado e tem um tom otimista. É cheio de estereótipos, e daí? Isso não é um filme de arte. Ter kefi é não ter preconceitos, nem medo de pagar mico. Rende boas risadas e uma reavaliação de onde pomos o nosso coração. Eu recomendo!

Alex Gonçalves disse...

Coitada da Nia Vardalos! A mulher anda sem sorte mesmo. Mas bem feito para ela, já que ela não parece trocar o disco de "Casamento Grego" (aquele seu "Eu Odeio o Dia dos Namorados" é um horror!). Mas algo me faz ter vontade de assistir "Falando Grego", pois o diretor, Donald Petrie, é o mesmo dos divertidíssimos "Miss Simpatia" e "Como Perder Um Homem em 10 Dias".

Vulgo Dudu disse...

Kau, se você é realmente fã da moça, de repente vale a pena ver. Porque aqui você leu a opinião de quem não é nem umpouco fã dela! rs...

Pedro, o kefi dela já acabou faz tempo!

Kamila, eu não vi Up!, mas o problema de Falando grego não é só a mensagem. É todo o resto! Nem Dreyfuss salva...

T1460, se você não gosta da Grécia, passe longe. Porque gostar do resto do filme vai ser complicado - já que é tudo bem manjado.

Rafael, chamem o esquadrão antibomba!

Celene, antes de mais nada, seja bem-vinda por aqui! A minha opinião é sincera: não é meu cinema. É enlatado, pasteurizado, mais do mesmo, chuva no molhado etc. Eu não curto estereótipos, ainda mais quando servem a uma narrativa obtusa, confusa. Tornam a visão do espectador turva e estrábica. Mas nem é esse o meu problema com o filme. Nia Vardalos é péssima atriz, seu discurso grego-americano já se esgotou há muito tempo. E mais: o fato ddo filme não ser "de arte" (outro estereótipo que eu não curto muito) não autoriza, nem atenua, a produção de um filme tecnicamente medíocre. Se kefi fosse cara-de-pau, isso Vardalos tem de sobra! Entretanto, é como eu costumo dizer por aqui: cinema é que nem traseiro; cada um tem o seu. Volte sempre por aqui e faça seus comentários.

Alex, coitados dos espectadores! E do Richard Dreyfuss. E ainda bem que não pequisei sobre o currículo do diretor, pois há uma lista interminável de filmes que considero bem fracos.