quarta-feira, setembro 09, 2009

#93 - O roqueiro (The rocker), de Peter Cattaneo


Percebemos que estamos ficando velhos demais quando assistimos a um filme no qual um baterista balzaquiano barrigudo entra para a banda do sobrinho, cujas composições beiram a pieguice melodramática do emo. Nós, amantes do rock, nos sentimos exatamente como o protagonista de O roqueiro - um filme bacana, mas que escorrega na hora dos números musicais.

Acompanhamos o trauma de Robert 'Fish' Fishman (Rainn Wilson), expulso da banda Vesuvius por influência de um empresário. Assim como Pete Best (que faz uma ponta no filme), o primeiro baterista dos Beatles, Fish acompanha a escalada de sucesso dos ex-companheiros de música, enquanto amarga um trabalho burocrático e monótono, bem distante dos palcos. Quando seu casamento entra em crise, ele se muda para a casa da irmã. Atendendo a um pedido do sobrinho, cuja banda procurava um baterista, aceita voltar às baquetas. Depois de um vídeo escandaloso que faz sucesso no Youtube, Fish vê novamente a chance de alcançar o estrelato.

O filme é, inteiro, de Rainn Wilson! Com o timing para a comédia, as sequências mais engraçadas levam a sua assinatura. As caras e bocas enquanto surra os tambores são realmente hilárias, encarnando com perfeição o humor instável e as excentricidades de um baterista neurastênico e deslocado. Até mesmo o seu humor físico é divertido.

A maionese começa a desandar quando surgem os números musicais. Ainda que Fish tente acabar com os lamentos e a choradeira das canções compostas pela molecada, toda aquela rebeldia do rock vai para o ralo, em números que se utilizam dos mesmos artifícios de sucessos adolescentes: a megalomania pop. O que podia ser uma aula de rock, se transforma em um enfadonho enlatado de gravadora.

Ok. Também era querer demais que os números musicais fossem tão bons. O roqueiro é um filme divertido e que vai render boas risadas. Porém, é prova cabal de que Paul Stanley estava mentindo quando cantou, de cara limpa, que "deus deu o rock para todos nós".

7 comentários:

Ygor Moretti Fiorante disse...

Essa história de perceber que estamos ficando velhos.......... rssssss gozado é uam sensação bastante comum nos ultimos tempos, meço isso pela carreiras dos jogadores de futebol, se eu o fosse, hj seria quase um veterano da bola rssss 29.....complicado rss.

o filme parece legal.

abraço

Kamila disse...

Este filme passou sábado, no Telecine Premium, e eu perdi. Quero ver! Gosto do Rainn Wilson!

T1460 disse...

Eu já vi cada coisa ser considerada Rock em filmes, que nem me espantaria mais se fizessem um High School Musical (ou algo do gênero) baseado em "Rock" (emo e similares, na verdade).

Vulgo Dudu disse...

Ygor, eu fico calculando quanto tempo eu ainda tenho para jogar basquete! Ao julgar pelo meu joelho, nem tanto assim... rs!

Kamila, vale a pena! E o Rainn Wilson está demais! Tão bom quanto o Jack Black em Escola do rock.

T1460, já fizeram isso... E eu vi... aguarde!

Bjs e abs!

Maricota disse...

Eu vi o filme pelo Rainn Wilson, já que conheço a ótima atuação dele como Dwight em The Office, e me surpreendi porque não foi tão clichê quanto eu pensava.

Vulgo Dudu disse...

Maricota, realmente, não é tão clichê. Mas somente até a hora dos números musicais. Ainda assim, eu dei risadas. O Rainn Wilson é realmente ótimo! Foge até das comparações, que esvaziariam o trabalho dele, com o Jack Black.

Um bj e bem-vinda por aqui!

Ygor Moretti Fiorante disse...

Vi o trailer, parece legal mesmo e tb perdi no telecine heheehe abraço!!!