sábado, setembro 26, 2009

#104 - O clone volta para casa (The clone returns home), de Kanji Nakajima



Cinéfilos, uma novidade: a M... vai cobrir uma das mostras mais interessantes do Festival do Rio, a Midnight Movies. Mais do que resenhar os filmes, vamos salientar e discutir sobre o lado bizarro das produções deste ano. Por isso, convido todos vocês, queridos e seletos leitores, logo de cara, a dar uma olhada na resenha que eu escrevi por lá - que tem um tom diferente da que vem logo a seguir. Vão !

O clone volta para casa, ficção-científica japonesa cuja produção executiva é assinada pelo cineasta alemão Wim Wenders, é um dos bons exemplos do porquê acompanhar de perto a programação do Festival Internacional de Cinema do Rio – e, mais ainda, as produções que fazem parte da mostra Midnight Movies, conhecida por apresentar pérolas cheias de estranheza e bizarrices.

Aparentemente, a olhos menos atentos, O clone volta para casa pode passar a impressão de não ser um típico “filme da meia-noite”, pois é uma realização extremamente artística – a não ser pelo título, um tanto insólito. Sua qualidade técnica é tão surpreendente, que em alguns momentos é impossível não compará-lo a obras-primas do gênero, como 2001: uma odisseia no espaço, de Kubrick, e Solaris, de Tarkovsky. O motivo da obra figurar entre o seleto grupo que compõe a Midnight Movies são dois: o argumento bastante inquietante e o roteiro bem diferente do comum. Trata-se de um filme de ficção-científica na velocidade contemplativa do melhor cinema nipônico.

É preciso atenção para não se perder no enredo da trama: Kohei Takahara é um astronauta que aceita participar de um programa revolucionário de clonagem humana, no qual um duplo é ativado em caso de morte, dando prosseguimento a vida exatamente do ponto em que foi interrompida. Após um acidente fatal no espaço, um erro de memória faz com que o projeto não tenha êxito. O clone passa a vagar traumatizado pelas memórias da infância de Kohei, quando ele perdeu tragicamente o irmão gêmeo. A partir daí, uma série de questionamentos éticos e existenciais começam a assombrar não só o clone, mas também todos aqueles envolvidos no projeto.

Nas mãos de um diretor hollywoodiano, com bastante dinheiro para gastar em efeitos especiais, O clone volta para casa poderia se tornar mais uma produção com exageros, pronta para ser comercializada como um verdadeiro blockbuster. No entanto, o diretor Kanji Nakajima preferiu contar com o talento de sua equipe. A fotografia é fantástica, utilizando recursos de iluminação que ajudam a dar um tom futurista bastante sóbrio. Nada de excessos: aqui, menos é mais. A edição acerta em cheio ao poupar o espectador de melodramas fáceis, como na espantosa e belíssima cena em que o irmão gêmeo de Kohei morre. Destaque também para a atuação de Mitsuhiro Oikawa no papel do protagonista.

Wim Wenders não entra em roubada. Não é à toa que a maioria de seus grandes filmes aborda questões pertinentes às angústias do ser humano contemporâneo. O clone volta para casa vai um pouco mais longe na linha do tempo, e traz à tona um questionamento existencial plausível em um futuro não muito distante.

Corra:

SAB (26/9) 17:00 Espaço de Cinema 1
SAB (26/9) 23:45 Espaço de Cinema 1
DOM (27/9) 22:00 Estação Ipanema 1
TER (29/9) 20:00 Est Barra Point 1

7 comentários:

T1460 disse...

Muito interessantes e pertinentes as questões levantadas, já que hoje se vive uma discussão sem fim sobre até onde a clonagem deve ir.

Esse entra pra "lista de filmes a serem vistos".

Cristiano Contreiras disse...

Seu blog tem informação de qualidade e ótimas resenhas!

Bruno Gonçalves disse...

Exatamente como diz no comentário acima, muito interessante!
Agora só esperar pra ver na mostra de SP!

Abraço!

altieres bruno machado junior disse...

OLá Eduardo

Parabéns pela resenha, ficou muito boa mesmo. Fiquei com vontade de ver esse filme de ficção científica (adoro o gênero) e mais curioso por ser um filme japonês.

PS: o pôster tbém é bastante interessante!

Abraços e até mais.

Vulgo Dudu disse...

T1460, bem mais interessante do que aquela novela da globo! rs... Vale a pena entrar para a sua lista. Mas é engraçado que tem gente conferindo e dizendo que serve de "remédio para insônia"! Acho exagero e maldade.

Cristiano, valeu pelos elogios! Volte sempre por aqui.

Bruno, os filmes da Midnight Movies são realmente dos mais interessantes - e não costumam entrar em cartaza no circuitão. Por isso, esse é um título que vale a pena!

Altieres, obrigado! Se você curte ficção-científica e é fã da cinematografia nipônica, tem tudo para curtir este aqui. E o poster, realmente, é tão poético quanto o filme em si.

Abs, pessoal!

Ygor Moretti Fiorante disse...

Pois é como dito acima so esperando mesmo a mostra aqui de Sampa rsss , mas por enquanto vamos acompanhando a do rio por aqui,

abraço!

Vulgo Dudu disse...

Ygor, esse é um que vale a pena! Também curti muito The yes men fix the world. Imperdível!

Abs!