domingo, agosto 30, 2009

#90 - Midnight plowboy, de Bethel Buckalew


O título jocoso e a abertura bastante criativa criam expectativa de uma produção divertida. Lançado em 1971, Midnight plowboy é uma comédia erótica típica, com todos os ingredientes para agradar a um público específico.

O roteiro conta a história de Junior, um jovem e inexperiente redneck que deixa o interior dos Estados Unidos para tentar a vida em Hollywood. Obviamente, no caminho, conhece mulheres bastante oferecidas que lhe dão as boas-vindas de forma bem à vontade. Porém, as piadas funcionam somente até o momento em que o protagonista se estabelece em um prostíbulo. A partir daí, o que se vê são longas e, acredite, entediantes cenas que simulam a felação.

Ao contrário das mulheres bem fornidas e dos planos mirabolantes dos filmes de Russ Meyer, em Midnight plowboy as atrizes não são sensuais e as sequências soam bastante repetitivas. Ou seja, não é uma experiência tão divertida assim. O desfecho até que é criativo, mas muito mal filmado.

Prova de que fazer uma comédia erótica não é tão fácil como muita gente imagina...

sábado, agosto 29, 2009

#89 - 1984, de Michael Radford


Escrito em 1948 por George Orwell, heteronômio de Eric Blair, 1984 é um livro que continua a impressionar leitores ao redor do mundo. Falo com conhecimento de causa, pois foi uma obra que modificou a minha relação com a literatura e deixou profundas marcas na minha formação intelectual. Foi com grande prazer que revi o filme, também produzido em 1984, ao lado de minha esposa - que há alguns anos também teve uma experiência intensa com o livro.

A história se passa em um futuro apocalíptico, no qual o mundo está dividido em grandes blocos geo-políticos. Winston Smith é um sujeito que trabalha alterando dados e registros jornalísticos nos veículos de comunicação do Partido, uma organização poderosa que controla o território chamado de Oceania. Através de tele-telas, a imagem do líder Grande Irmão (ou Big Brother, termo que caiu na boca dos brasileiros, infelizmente, somente por causa do reality show global) vigia tudo o que acontece. Quando Winston começa a questionar o sistema, interessado pelas ações clandestinas da Resistência, sua vida muda drasticamente.

As semelhanças com os regimes didatoriais que estavam por vir, bem como a teoria de bipolarização do planeta em blocos econômicos, impressionam. Na época em que 1984 foi escrito, no pós-guerra, as televisões domésticas como conhecemos ainda nem existiam. A necessidade de manter a guerra como alegoria para excercer domínio ideológico sobre os indivíduos e para obtenção de lucro ainda é praticada atualmente, principalmente pelos Estados Unidos - justamente o líder do bloco capitalista durante a Guerra Fria. Trata-se, portanto, de uma previsão sombria que em parte tomou vida. John Hurt brilha como o protagonista, ajudado pelo talento de Richard Burton. A trilha sonora original, assinada pelo Eurythmics, pontua bem cenas fortes e inesquecíveis.

Pode-se dizer que, neste caso, o filme é tão bom quanto o livro. Isso porque não tem como objetivo transpor o conteúdo com assombroso detalhismo - até mesmo porque a maioria das produções cinematográficas irrita os leitores-especatodores por não assumir que a estética e a linguagem do cinema requerem uma característica própria. O diretor Michael Radford capricha na direção de arte, nos figurinos e nos atores, que fazem um bom trabalho de reconstrução do imaginário orwelliano. Porém, o seu maior mérito está na maneira livre como conduz a ideia de dominação ideológica típica dos regimes autocráticos. O desfecho para Winston, apesar de diferente do que é contado no livro, permanece forte e emblemático.

É um filmão! Porém, recomendo fortemente ler o livro antes de ver o filme: é uma experiência arrebatadora que poucas obras são capazes de oferecer.

quinta-feira, agosto 27, 2009

Luz, câmera... canção! - Danzig

O filme resenhado aí embaixo, Se beber, não dirija, tem em sua abertura uma música do Danzig, banda que eu ouvia muito quando era adolescente. Liderados pelo cabeludo fortão Glenn Danzig, a banda ficou famosa por suas letras aterrorizantes, seus riffs diabólicos e a postura satanista. Os dois primeiros discos flertam demais com o blues - inclusive, há quem compare o timbre de Danzig ao de Jim Morrison. Eu acho um exagero...

É do segundo disco, Lucifuge, uma das melhores músicas dos caras, a enigmática e até-que-sexy "Her black wings". Acabou rendendo, também, o melhor videoclipe da banda, no qual uma loura faltal de seios fartos faz evoluções com um manto preto, que seria a tal "asa negra" do título da canção. Ela rouba a cena, até porque o resto do vídeo mostra cabeludos descamisados balançando a cabeça de um lado para o outro em meio a um pôr-do-sol bastante fake.

Vale lembrar que Glenn Danzig tem uma veia dramática. Ele era líder de uma das bandas de hardcore mais criativas da história, os Misfits, que tocavam fantasiados de caveiras. Reza a lenda que o sujeito também foi cogitado para o papel de Wolverine no primeiro filme da franquia X-Men. Será?

Vamos ao vídeo, que é bem interessante. O desfecho, principalmente. Ah, sim: ignorem o videografismo no início. É que, infelizmente, só tinha esse no Youtube...


quarta-feira, agosto 26, 2009

#88 - Se beber, não case (The hangover), de Todd Phillips


O que realmente me fez querer ir ao cinema conferir Se beber, não case, a despeito do patético título em português, foi a direção de Todd Phillips. Isso porque é ele o responsável por um dos documentários mais grotescos da história, Hated, sobre a vida de GG Allin. Além disso, no currículo, outras boas comédias que apelam, justamente, para as ofensas. Trata-se de um filme vulgar. E eu adoro a vulgaridade!

O roteiro de Se beber, não case lembra um pouco aqueles jogos de computador nos quais era preciso ir atrás de peças para montar o quebra-cabeça. No caso, quatro amigos vão para Las Vegas em uma despedida de solteiro. Após uma noite de loucuras, acordam de ressaca, sem lembrar o que aconteceu, com a suíte do hotel completamente destruída, um tigre no banheiro e um bebê abandonado. E o pior: com o noivo desaparecido. Partem, então, em busca de pistas que reconstituam os acontecimentos.

O filme está cheio de escatologia, obscenidades e piadas ofensivas, tudo na dose certa - ou seja, no caso, em excesso! Com um elenco maravilhoso, composto por atores nem tão conhecidos assim, o riso vem fácil. Destaque para o barbudo Zach Galifianakis, que não precisa nem abrir a boca para fazer o público cair na gargalhada.

A marca de Todd Phillips pode ser conferida nos créditos - tanto os iniciais, ao som de "Thirteen", do Danzig, como nos finais, onde fotografias nada comportadas explicam os acontecimentos daquela noite.

domingo, agosto 23, 2009

#87 - Halloween, de John Carpenter


A prova de que Halloween, o original de 1978, é realmente assustador está na quantidade de vezes que minha mulher apertou o meu braço durante o filme. E também na hora em que ela pediu para segurar a minha mão.

Com orçamento curto, poucos dias de filmagem e um roteiro bastante simples, John Carpenter realizou uma verdadeira obra-prima do gênero, cujos artifícios narrativos ainda são copiados pelos diretores atuais. Grande parte dos clichês dos slasher movies tem nascimento em Halloween: a mocinha que corre para onde não deve, os jovens que fazem sexo e são punidos, os avisos de perigo ignorados etc.

A história é bastante simples: trata-se de um psicopata, o famoso Michael Meyers, que foge do manicômio e promove uma verdadeira carnificina na noite de Halloween. A primeira cena, que mostra o despertar do instinto assassino do protagonista, então com seis anos de idade, já é uma pequena mostra do que está por vir.

O clima de tensão é quase insuportável. Planos longos, trilha sonora assustadora - inclusive, na minha opinião, uma das melhores de todos os tempos, composta pelo próprio John Carpenter -, janelas abertas, portas envidraçadas e penumbras, muitas penumbras. Os sustos são recorrentes, mas o espectador sofre mesmo é com a frieza e a calma de Meyers, que mata sem pressa.

Nada de efeitos especiais, locações grandiosas ou superastros. Jamie Lee Curtis ainda era uma moça na flor da idade e Donald Pleasence ganhou apenas 20 mil dinheiros de cachê. Ainda assim, é um dos filmes mais assustadores de todos os tempos!

Buuu!

quinta-feira, agosto 20, 2009

#86 - A Onda (Die Welle), de Dennis Gansel


O momento mais assustador de A onda é já nos créditos iniciais, ao sermos avisados, ou praticamente alertados, de que o filme é baseado em fatos verídicos, ocorridos na California, Estados Unidos. Perfeitamente adaptado à realidade conteporânea dos jovens alemães, que carregam o peso de um dos regimes ditatoriais mais violentos da história, tenta-se responder se é possível, nos dias atuais, surgir um regime autocrático na Alemanha.

Quem comanda a experiência é o jovem professor Rainer Wenger, que durante uma semana instiga seus alunos a fazer parte de uma unidade, procurando levantar as condições para o surgimento de uma autocracia. Porém, o que era para ser uma atividade curricular começar a extrapolar os limites da sala de aula. Surge, então, A Onda: um grupo que adota um líder, um uniforme, uma disciplina e um conjunto de regras. A tragédia se torna iminente.

Sem procurar dar lição de moral ou buscar aprofundamentos éticos, o roteiro trabalha muito bem as questões individuais que levam os envolvidos com a experiência a serem seduzidos pelo sentimento de unidade. Os jovens atores, portanto, têm a chance de desenvolver suas atuações, que no fim das contas são bastante satisfatórias.

Talvez algumas sequências pudessem ser mais pesadas, dada a brutalidade do argumento. Parece ter sido o desejo de Dennis Gansel que o filme focasse mais no conteúdo ideológico, o que não é de todo o mal.

Sem dúvida, A Onda entra no seleto grupo de ótimos filmes do cinema alemão contemporâneo que fazem menção a questões políticas, assim como Adeus, Lenin e Edukators.

#85 - Amantes (Two lovers), de James Gray


Indicado à Palma de Ouro no festival de Cannes do ano passado, Amantes é uma grata surpresa. Podia ser apenas mais um drama sobre um triângulo amoroso - o título e o argumento até apontam para essa direção. Porém, trata-se de um melancólico e realista filme sobre o coportamento humano.

O roteiro conta a história de um jovem judeu, morador de Nova York, que tenta retomar a rotina ao lados dos pais após ser internado por tentar cometer suicídio. Abandonado pela noiva e diagnosticado como bipolar, ele fica dividido entre duas mulheres: a correta filha de um sócio do pai e a misteriosa vizinha que se muda para o apartamento em frente. Ao longo da projeção, o espectador vai descobrindo detalhes da vida dos vértices envolvidos na trama. A fotografia granulada, os planos bem estudados e a boa direção ajudam a dar ritmo ao filme.

A força de Amantes, entretanto, está na atuação de Joaquin Phoenix, absurdamente verossímel e convincente. Sua caracterização é bastante sensível e sem exageros. Gwyneth Paltrow e Vinessa Shaw também dão conta do recado. De quebra, Isabella Rosselini empresta seu talento à mãe do protagonista, uma típica dona de casa aflita com as escolhas do filho.

Um belo e envolvente filme.

domingo, agosto 16, 2009

#84 - Nick and Norah's Infinite Playlist, de Peter Sollett


Os indies também amam. Comédias românticas são quase sempre mais do mesmo. É muito difícil achar um exemplar do gênero que seja bacana e que não seja focado apenas nos dramas individuais dos protagonistas. Para quem gosta de música, o simpático Nick and Norah's Infinite Playlist, de 2008, oferece um bom argumento e um roteiro que não subestima o espectador.

Michael Cera faz o papel de Nick, um garoto que tem uma banda e que grava CDs para a ex-namorada, por quem ainda é apaixonado, mesmo não sendo correspondido. Kat Dennings é Norah, uma jovem que recolhe do lixo os tais discos rejeitados. Em uma noite, à procura de um show em local secreto, os dois se encontram. Além do gosto pela música, passam a compartilhar suas frustrações.

Em um filme sobre trilhas sonoras, o ponto forte é, sem dúvida, a própria trilha sonora. Vampire Weekend, Bishop Allen, Shout Out Louds, Tapes'n Tapes, Modest Mouse etc. As bandas do momento foram escaladas para dar som às aventuras do jovem casal - e alguns artistas fazem pequenas pontas, como Devendra Banhart.

Porém, as atuações não ficam para trás. Além do ótimo casal protagonista, os coadjuvantes ajudam a manter o filme engraçado. No caso, os companheiros de banda de Nick, um trio gay e afetado, e a melhor amiga de Norah, uma bêbada cheia de esquisitices.

Bacaninha!

sexta-feira, agosto 14, 2009

#83 - Força G (G Force), de Hoyt Yeatman


Sexta-feira é dia de estreias e resenhas. Por isso, quem comprar o Jornal do Brasil vai encontrar um texto que eu fiz sobre Força G, a nova animação da Disney em 3D. Não mora no Rio? Clique aqui para ler.

O filme, que mistura atores com elementos de computação gráfica, conta a história de um time de porquinhos-da-índia a serviço da segurança dos Estados Unidos. Com o auxílio de uma topeira nerd e uma mosca adestrada, eles formam a tal Força G. A missão: impedir que um ganancioso empresário domine o mundo com seus aparelhos eletrônicos.

A boa notícia é que tanto faz conferir a animação em duas ou três dimensões - pouco se ousa nos efeitos dimensionais. Bom para o seu bolso, já que o ingresso fica mais barato com o filme chapado na tela! A má notícia é que o roteiro é confuso demais para a criançada, repleto de reviravoltas confusas. Ou seja, excluindo a fofura dos bichinhos, pouca coisa se salva.

quinta-feira, agosto 13, 2009

#82 - Botinada, de Gastão Moreira


Para dar aquela rebatida no clima tenso que ficou estabelecido depois de conferir o filme sobre GG Allin, resenhado abaixo, acabei vendo outro documentário musical. E sobre a mesma vertente. Botinada é uma simpática produção de Gastão Moreira, ex-VJ da MTV, sobre o surgimento do movimento punk no Brasil.

Os tópicos mais importantes estão presentes: a gênese na Inglaterra, as bandas precursoras, as botinas e os alfinetes, as festas com "som de fita", os shows memoráveis e até a disputa entre o som que era feito na capital e o que vinha da região do ABC, em São Paulo. Muita gente boa presta depoimentos e há um farto material audiovisual à disposição da narrativa. Gastão Moreira acerta a mão e dá ritmo e coesão ao argumento, tornando Botinada tão irreverente quanto o comportamento daquela geração de músicos.

Tudo termina ao som de Wander Wildner e os seus Replicantes tocando o clássico "Festa punk".

segunda-feira, agosto 10, 2009

#81 - Hated, de Todd Phillips


GG Allin é um nome bastante conhecido entre o movimento punk. Ele era líder de uma controversa banda estadunidense chamada Murder Junkies. Som furioso, postura ofensiva, letras bizarras e fãs esquisitos eram coisas corriqueiras nas apresentações do grupo. Porém, GG Allin ficou famoso pelo festival de escatologia e violência que promovia no palco - e fora dele também. Todd Phillips convenceu o vocalista a ignorar a condicional e partir em uma turnê pelos Estados Unidos. Captou toda a selvageria que se seguiria. O resultado é Hated, um dos documentários mais chocantes e indigesto da história.

São quase uma hora e meia de atrocidades. Sempre nu, GG Allin defeca no palco, cobre o corpo com a merda e joga o resto no público. Enfia uma banana no cu, faz cortes no corpo com uma lâmina, soca o próprio rosto com o microfone, bebe o mijo de uma puta e, em uma das sequências mais bizarras, durante uma apresentação teatral, espanca uma mulher. O clima era tão pesado, que Dee Dee Ramone não aguentou mais de um mês como guitarrista dos Murder Junkies. Em meio às cenas de violência brutal, o diretor parte em busca de respostas para o comportamento de GG Allin, colhendo depoimentos da família, dos companheiros de banda e dos fãs (sim, ele tinha seguidores).

Apesar de ser um filme complicado, trata-se de um documentário com um personagem realmente intrigante. Por mais que as imagens provoquem desconforto, é interessante observar como a mídia lidava com a fama de desajustado de GG Allin. Todd Phillips bifurca o argumento em duas possibilidades: vítima de uma sociedade doentia ou doente de nascença? Ao final da projeção, não há uma resposta definitiva. Fato é que as pessoas que iam aos shows dos Murder Junkies pagavam para ver atrocidades no palco, passando muitas vezes de espectadores a vítimas. E fato é, também, que GG Allin era produto de uma família desequilibrada.

Quem tiver estômago e sangue frio vai poder testemunhar a vida de um sujeito completamente desajustado. Apesar de seu comportamento racista, violento, homofóbico - apesar de suas atitudes homossexuais - e misógino, GG Allin escreveu seu nome na cena punk. Morreu de overdose de heroína em 1993, ao invés de cometer suicídio no palco como havia divulgado várias vezes.

Um petardo!

domingo, agosto 09, 2009

#80 - Coffy, de Jack Hill


Uma geração de espectadores conheceu Pam Grier através das lentes de Quentin Tarantino, quando o diretor resolveu dar uma reanimada na carreira da atriz com o ótimo Jackie Brown, de 1997. Muito antes disso, a moça já era uma estrela dos blaxpoitations, produções estadunidenses sobre o universo dos negros da década de 70 que envolviam drogas, violência, sexo e a nata da black music.

O melhor filme de Pam Grier talvez seja Coffy, de 1972. Trata-se de uma excelente história sobre vingança que carrega um forte tom crítico. Grier interpreta Coffin, uma enfermeira (e que enfermeira!) que perde a irmã para as drogas. Resolve, então, se vingar matando todos os envolvidos no submundo dos narcóticos, de traficantes a políticos. Utilizando-se de toda a sua sensualidade, Coffy vai se infiltrando em organizações bastante poderosas e perigosas.

O roteiro é muito interessante e reserva ótimos momentos de ação, fugindo de previsibilidades. Os diálogos são brilhantes e as cenas de violência, criativas. A trilha sonora é uma atração à parte, com canções compostas especialmente para o filme. Funk, soul e black music da melhor qualidade.

Pam Grier está realmente estonteante e rouba a cena. Bem fornida e de silhueta curvilínea, estava no auge de sua carreira. Um bombonzinho! A moça era tão elegante que, apesar de aparecer nua várias vezes durante o filme, se recusou a posar para a Playboy.

sexta-feira, agosto 07, 2009

#79 - Marido por acaso (The accidental husband), de Griffin Dune


Em primeiro lugar, uma novidade: hoje fiz minha estreia como colaborador da Revista Programa, do Jornal do Brasil. Está lá, publicada na seção de cinema, uma crítica sobre o novo filme de Uma Thurman, Marido por acaso. Cariocas podem conferir o texto no suplemento!

O filme conta a história de um bombeiro, abandonado pela noiva, que tenta se vingar de uma radialista cujo programa funciona como consultório sentimental. Obviamente, a vingança não vai muito longe. O resto, você já sabe.

Como o filme não é bom, rendeu pauta para a M... também! Para ler o que eu escrevi por lá, clique aqui! Quem quiser comentar por lá, pode também!

quinta-feira, agosto 06, 2009

Luz, câmera... canção! - Aphex Twin

Do mesmo jeito que Danoninho vale por um bifinho, os videoclipes do Aphex Twin valem por um filminho de terror. E dos bons! A música é misteriosa, enigmática, imprevisível e repleta de texturas, assim como o seu criador, o produtor e DJ Richard David James. Seu som é tão vigoroso, que ficou conhecido como uma das referências da música eletrônica.

Combinar todo esse clima sombrio com vídeos perturbadores é a fórmula certa para deixar muita gente de boca aberta. Exatamente como a pobre incauta senhora que passeia com seu cachorro e dá de cara com um sujeito, aparentemente preso em uma tela de TV, que pede a sua alma. "Come to daddy" é de arrepiar os pentelhos...

A música por si só já é maravilhosa. A fotografia perfeita, os efeitos especiais sinistros e os atores bastante convincentes completam o vídeo - na minha opinião, um dos mais assustadores já produzidos. Vale a pena, depois, conferir os outros trabalhos do cara. Tem muita gente boa na direção. Esse aí embaixo, por exemplo, leva a assinatura de Chris Cunningham.

Sugiro conferir à noite, no escuro, com fones de ouvido e com o volume lá no talo!

segunda-feira, agosto 03, 2009

#78 - Beneath the valley of the Ultra-Vixens, de Russ Meyer


Não tem jeito: quando o assunto é comédia erótica, Russ Meyer é o cara! Em sua penúltima produção (a mais recente foi lançada em 2001), o diretor continua a combinar sua estética apurada com os fetiches dos estadunidenses médios. Portanto, é um filme de peitos. Muitos peitos. Enormes peitos. Porém, há detalhes que fazem de Beneath the valley of the Ultra-Vixens um filme diferente.

O roteiro conta a história de Lamar, um sujeito que trabalha no ferro velho de Small Town - uma típica cidade pequena do interior dos EUA. Ele é casado com a fogosa, peituda e insaciável Lavonia. Porém, o casal enfrenta um pequeno problema sexual: Lamar só consegue ter prazer com sexo anal, prática que acaba deixando sua mulher insatisfeita. Logo, vão atrás de ajuda para resolver a questão. Tipos como um dentista gay e uma locutora de rádio evangélica e ninfomaníaca são apenas alguns dos inusitados conselheiros que tentam curar o pobre coitado.

Os planos e as sequências levam a assinatura de Russ Meyer, bem como os divertidos diálogos cheios de duplo sentido e sessões de coito histérico. Entretanto, trata-se de um filme um pouco mais ousado. Aqui, há nu frontal masculino, com direito a close up na ponta do órgão reprodutor masculino. A religião e os seus dogmas são esculachados como nunca. Eufala Roop, a pastora radialista, tem o maior par de peitos do filme (realmente impressionante) e usa uma banheira para transmitir ao vivo suas sessões de "descarrego".

De quebra, participação especial de SuperSoul, a inesquecível Uschi Digard, que também aparece no clássico Supervixens. A atriz ajudou a consolidar, na década de 70, a fama das atrizes suecas.

Russ Meyer é o cara!