sexta-feira, julho 24, 2009

#74 - Reefer madness, de Louis J. Gasnier


Um rapaz de 16 anos mata a família com um machado. Uma garota de 17 anos se deixa seduzir por cinco homens mais velhos ao mesmo tempo. Tudo isso por causa do uso de narcóticos. Pensou em crise de abstinência de crack, abuso de LSD ou overdose de ecstasy? Errou! É tudo culpa da maconha. Pelo menos é o que alega o roteiro de Reefer madness, também conhecido como Tell your children, uma produção esquisitona de 1936 que se tornou um clássico do exploitation, sem querer.

O tiro saiu pela culatra. O filme ficou famoso não por conscientizar a família estadunidense, mas jusamente pelo exagero com que trata o assunto. E mais: é adorado atualmente por maconheiros do mundo inteiro! O roteiro, espalhafatosamente catastrófico, acabou servindo de diversão a muitos jovens, décadas depois, nas famosas sessões à meia-noite - que originaram, mais tarde, os midnight movies.

Reefer madness começa com um texto que descreve os efeitos da maconha: tudo começa com gargalhadas histéricas, passando por atos de extrema violência e podendo terminar em enlouquecimento. Por isso, durante o filme, todo mundo que fuma maconha ri. E ri muito. Desesperadamente. Sem parar. Depois, aparecem descabelados, com tic nervoso e olhos arregalados. Tudo isso para depois cometerem atos insanos. Ao longo da projeção, acompanhos dois jovens que passam exatamente por essas etapas.

Na verdade, o filme é bastante chato - a não ser nos momentos cruciais de puro melodrama barato. A cópia disponível também não é lá grandes coisas. Em certos momentos, fica complicado entender o que os personagens estão dizendo. Entretanto, os diálogos pouco importam. O negócio é ver o pessoal rodeado de fumaça e fazendo careta.

Reefer madness também ganhou outros nomes bastante criativos, como Dope addict, Doped youth, Love madness e The burning question. Nenhum título foi bom o bastante para dar credibilidade ao filme.

Sorte a nossa!

5 comentários:

Alex Gonçalves disse...

Dudu, confesso que fiz uma busca no Google procurando saber mais da produção (ele tem o nome por aqui de "A Porta da Loucura" e já ganhou até refilmagem musical, com a Neve Campbell e o Alan Cumming). Encontrei em domínio público, mas ainda estou no Básico I no curso de inglês, rs. Mas deve ser ruim, hein?

jeff disse...

Cara, parece repulsivo! No início do texto comecei a me interessar e tal, fiquei curioso, mas depois perdi a vontade. Deve ser um pé no saco. O que chama muita atenção é um filme como esse ser de 36! Talvez por isso tenha surgido a vontade...

[]s!

Vulgo Dudu disse...

Alex, é difícil de entender mesmo. E olha que mostrei trechos do filme a pessoas que moraram por anos no Canadá e na Inglaterra. Quanto aos musicais e remakes, nem me interessei. O bacana é ver como a maconha era vista em 1936!

Jeff, é um repulsivo que acaba se tornando engraçado, de tão exagerado que é.

Abs!

T1460 disse...

Eles consumiram maconha batizada. Exagero pouco é bobagem, pela descrição que você fez do filme haha.

Vulgo Dudu disse...

T1460, é tão exagerado que virou o cult máximo dos midnight movies!

Abs!