sábado, julho 18, 2009

#73 - A garota de Mônaco (La fille de Monaco), de Anne Fontain


Quando eu era mais novo, lá no início do meu envolvimento mais intenso com o cinema, tinha um ranço com a produção francesa contemporânea à época. Lembro-me de um filme péssimo que contribuiu para que tivesse essa má impressão. Era a inauguração de uma sala do grupo Estação. A película, francesa, era sobre uma garota de 15 anos que se especializava em boquetes para arrecadar dinheiro e fugir com o namorado, mau elemento que gostava de Bob Marley, para a Jamaica. Obviamente, no final, o delinquente vai pra Jamaica com o melhor amigo e a menina vai para uma clínica psiquiátrica. Um melodrama danado, frio e estranhamente pudico

Durante muito tempo, foi essa a minha opinião sobre as novas produções francesas: propunham um tema denso, mas nadavam no rasinho, na água gelada. Obviamente, com a crescente oferta de produções estrangeiras e a consolidação de um circuito, ainda que menor do que o necessário, que privilegia os bons filmes, minha opinião foi mudando. Porém, ao assistir A garota de Mônaco, tive um déjà vu.

Lá estava novamente o argumento robusto, que evoca os pudores franceses, sendo trabalhado de modo bem raso. A comédia dramática de Anne Fontain conta a história de um advogado, conhecido por fazer milagres por seus clientes, que viaja para Mônaco com o objetivo de defender uma mulher acusada de matar o marido, um russo envolvido com a máfia. Para garantir sua segurança, a família da réu contrata um profissional (o ótimo Roschdy Zem) que o acompanha 24 horas. Para completar a trama, uma jovem "garota do tempo", temperamental e liberal, o seduz. Então, temos crime, romance, sexo, luxúria, poder...

O roteiro nem é tão ruim, mas a história também não é cativante. Inclusive, poderia muito bem ser apenas um drama, já que as situações cômicas são escassas. A tensão sexual, sempre presente, até mesmo na relação entre o advogado e o segurança, é tratada com um pudor ingênuo, mas ainda assim é a chave para se entender os acontecimentos que vão ser encadeados até o insólito e esquisito desfecho.

Ficou com cara de filme estadunidense do Supercine.

10 comentários:

Pedro Henrique disse...

Não gostei também, final realmente estranho.

Abs!

T1460 disse...

Meu problema com filmes franceses sempre foi outro. Não sei o idioma, e me confunde ouvir francês e ler português ao mesmo tempo. Pode parecer ridículo, mas isso me incomoda muito. E não acontece com outros idiomas.

altieres bruno machado junior disse...

Olá Eduardo

Do cinema francês só conheço o Gérard Depardieu e a Marion Cotillard. MAS GOSTEI DESSE FILME que vc citou!!! Valeu pela dica.

Abraços e até mais.

Airton disse...

opaa pos e contras em heheh

parece medio

http://publicandobr.blogspot.com/2009/07/karl-maden-1917-2009.html

Kamila disse...

Dudu, eu gosto muito dos filmes franceses, especialmente os contemporâneos. Ainda não tinha ouvido falar nesse filme antes, mas seus comentários me deixaram intrigada o suficiente para tentar conferir o filme, se tiver a chance.

Alex Gonçalves disse...

Eu li sobre a protagonista do filme, a Louise Bourgoin, no mês passado e confesso que foi ela que despertou o meu interesse em assistir a fita (ainda não o fiz porque não foi lançado aqui, como de costume - especialmente nesta época de "Transformers - A Vingança dos Derrotados" e "Harry Potter e o Enigma do Príncipe"). Me parece que ela é uma grande sensação lá na França.

Eu nunca tive problemas com filmes franceses, mas sempre lia horrores sobre ele pois, assim como você comenta aqui, dizem que muitos realizadores desenvolvem as premissas que tem em mãos de forma bem rasa. Ainda bem que comecei com os filmes do Jean-Pierre Jeunet, rs...

Abraços!

Leonardo disse...

Achei o filme extremamente interessante, um final que foge qualquer expectativa. Recomendo a todos, principalmente ao público masculino. A atriz Louise Bourgoin está impecável.
Leo Arturius

Vulgo Dudu disse...

Pedrão, estranho e meio descolado do argumento, né?

T1460, eu até acho o idioma francês gostoso de ouvir. É uma língua que gostaria de dominar, mas que me falta no currículo.

Altieres, nem é o melhor filme para você ter contato com o bom cinema francês. Quer ver um que está em cartaz, é ótimo e deve passar despercebido? Stella. Se estiver passando por aí, confira!

Airton, é exatamente isso: médio.

Kamila, tem muita coisa boa sendo feita pelos cineastas franceses. Não é o caso desse aqui.

Alex, você é um cinéfilo nato! rs... Jeunet deixa muita gente no chinelo.

Leonardo, na minha opinião o desfecho não só foge das expectativas, mas também do intuito do argumento. É muito estranho... Bem-viondo por aqui e volte sempre!

Bjs e abs!

Anônimo disse...

Bem, só vi o filme hj, meio ano depois de vcs. Mas o forte do filme é que ela é psicopata. Tem todo o charme, toda a sedução, leva um cara totalmente ponderado (o q vcs esperam d'um advogado da maior estirpe) a se perder, esquecer da sua personalidade, sua formação, seu eu. Para quem nunca viu ou viveu é ficcão, um ALIEN da vida. Agora, quem teve a infelicidade de ser vitimado por um psicopata, aqui vem uma excelente incenação, tranquila, sem melodrama, mas bem berto do que realmente é, com a limitação do tempo de um filme e ter de passar td na tela.

Anônimo disse...

Só fui ver o filme agora, mas fiquei com uma dúvida: por que o advogado preferiu ser preso no lugar do guarda-costas?