sexta-feira, junho 19, 2009

#63 - A mulher invisível, de Claudio Torres


O argumento de A mulher invisível é bastante interessante: após levar um fora da namorada, um sujeito dedicado e romântico entra em parafuso e passa a interagir com uma linda mulher, fruto de sua imaginação. O filme até diverte, mas tem lá seus cacoetes televisivos. O roteiro tem buracos, o texto é fraco e o desfecho é romanesco.

A função de uma comédia é, antes de tudo, provocar risadas na plateia. A mulher invisível até cumpre muito bem esse papel, graças a um inspirado Selton Mello. O ator tem o timing perfeito para a comédia. Arrasta junto a ele performances razoáveis do resto do elenco principal. Luana Piovani está, de fato, um mulherão! Os diálogos, pouco inspirados, acabam ficando em segundo plano. A pantomima de Selton Mello, com mãos envolvendo o ar e língua para fora, é o que mantém o clima cômico. Destaque também para Fernanda Torres que, quando aparece, ainda que muito pouco, rouba a cena!

O problema é que até essas sequências boas chegarem, o espectador passa por preâmbulos desnecessários e entediantes, em uma edição preguiçosa que vai acelerando cada vez mais o ritmo da narrativa. Além disso, o terço final do filme é bastante constrangedor, evocando um texto novelesco que beira o melodrama fácil. Destoa completamente do gênero absurdo impresso no argumento.

Trata-se de um filme longo demais para o número de cenas engraçadas. Mas vale o ingresso...

7 comentários:

Alex Gonçalves disse...

Eu não tenho muita vontade de ver este filme, não nos cinemas (aliás, nos cinemas eu até assistiria, mas em dia do Projeta Brasil). Não acho que a nossa indústria de cinema anda muito bem em termos de filmes cômicos, pois os mais recentes produzidos que assisti foram terríveis ("Se Eu Fosse Você 2" e "A Casa da Mãe Joana", por exemplo).

maria disse...

Eu também adorei a atuação da mulher que faz a Vitória. Mas detestei o desfecho do filme, confuso, sei lá... o Vladmir B%$#@*&ta também não convence como carioca, né, não?

No dia que eu fui, me arrependi de ter escolhido este ao invés do divã.

Pedro disse...

Eu quero muito ver, mas ainda não consegui por falta de tempo!!

altieres bruno machado junior disse...

Olá Vulgo

Com certeza este é o ano da comédia no cinema nacional. Depois do sucesso de Se eu fosse você 2 e o Divã, com A mulher invisível não poderia ser diferente. Mas apesar das boas críticas, prefiro filmes brasileiros de drama como o novo À Deriva que estou muito ansioso para ver. Já A mulher invisível, vou esperar sair em DVD para assistir.

abraços e até mais

Vulgo Dudu disse...

Alex, só vale mesmo se vocÊ quiser ver uma Luana Piovani descomunal. O que tem lá seu valor! rs...

Maria, aquele final destoa completamente do argumento. É grotescamente televisivo. Mas o texto já dava a entender que viria algo assim. Eu achei o elenco muito fraco! O Selton Mello é o foco. É ele quem segura a onda.

Pedro, nem se apresse. Logo o filme vai estar no Tele Cine. E depois nas locadoras.

Altieres, vou lhe confessar que acho o nível da comédia cinematográfica brasileira crítico. Pouca coisa boa sendo feita. São como seriados de TV - não exploram a linguagem do cinema. Quanto ao filme que você citou, À deriva, também estou ansioso para conferir!

Bjs e abs!

Rafael Carvalho disse...

Quando o filme estrear aqui provavelmente irei ver, mas não tenho muitas expectativas, não. O trailer me deu uma impressão fort de de comédia hollywoodiana pauteurizada. Veremos!!!

Vulgo Dudu disse...

Rafael, é uma comédia global pausterizada - como muito do que se tem produzido recentemente no país. Mas até rende algumas risadas. E Luana Piovani merece ser conferida na tela grande.