terça-feira, junho 16, 2009

#61 - O bandido da luz vermelha, de Rogério Sganzerla


O Brasil já teve um expoente do cinema undreground e independente. Rogério Sganzerla foi um cineasta controverso, polêmico, agressivo e contestador, sem perder o lirismo. Seus filmes procuravam uma linguagem contemporânea e brasileira. Por isso, não é exagero considerar sua obra genial, muito à frente do seu tempo.

Sganzerla deu o pontapé inicial em longas em 1968, com o impecável O bandido da luz vermelha - um verdadeiro sucesso popular meses antes do AI-5. Rodado em preto e branco e ambientado na Boca do Lixo (famoso submundo cinematográfico que revelou dezenas de diretores), conta a história de um criminoso que rouba os ricos e seduz as mulheres, gastando dinheiro com extravagâncias. Trata-se de uma obra-prima do cinema brasileiro.

A começar pelo roteiro: completamente amarrado, coeso e enxuto. Não há exageros, discrepâncias ou apelações - características, então, muito comuns à produção nacional de baixo custo. A história é narrada por um jogral que imita os programas de crônicas policiais das rádios AM. As cenas de ação vão formando um grande mosaico, em uma linha completamente atemporal, mas que faz todo o sentido. O clima de film noir, policialesco, ganha traços propositalmente caricatos. Além da direção certeira de Sganzerla, a montagem e a edição impressionam. São limpas, claras e bem feitas. Tornam o filme extremamente contemporâneo.

Sganzerla já foi descoberto pelos estrangeiros. Seus filmes são exibidos e aclamados ao redor do mundo. Gente como Tarantino já rendeu honras à obra do cineasta. Enquanto isso, pouca gente o conhece por aqui - talvez só de nome. Uma pequena parte de sua filmografia foi lançada em DVD, em versões remasterizadas. Uma boa oportunidade para os cinéfilos brasileiros conhecerem a força visual de seus filmes.

O bandido da luz vermelha é coisa nossa.

6 comentários:

Ciro Hamen disse...

Quero ver o da Helena Ignez, que deve sair em breve. Esse também promete!

wallace disse...

Conhecendo seu blog por meio do Luiz Henrique... Dos filmes aqui, acho "Santiago" bem sintomático para o cinema que documentaristas como João Moreira Salles defendem. É sempre excepcional assistir Fassbinder e Loki, espero que chegue nos cinemas daqui. Abraço e parabéns pelo blog!

Roberto Queiroz disse...

Uma das maiores obras-primas que o nosso cinema já produziu - ao lado de O Pagador de Promessas e Vidas Secas. Sei que estou exagerando, vão me vaiar nos seus coments, mas não estou nem aí: Sganzerla é o Tarantino brasileiro (pronto! já disse. Não dá mais pra voltar atrás)

Vulgo Dudu disse...

Ciro, nem estava sabendo de um filme da Helena Ignez! Vou procurar mais detalhes!

Wallace, obrigado pela visita e pelo comentário! Eu tento ver de tudo por aqui, de Fassbinder a Mark Waters, do cabeção oa populesco, do bom ao ruim. Santiago ainda está na minha cabeça. Acho que é um dos melhores documentários que já vi, sem exageros! Agora, qual Luiz Henrique indicou o blog? Agradeço a ele! Volte sempre!

Roberto, então seremos dois vaiados: eu concordo plenamente com você! E vou mais longe: O bandido da luz vermelha é o nosso Acossado. Era um diretor anos-luz à frente do seu tempo...

Abs!

T1460 disse...

Tarantino brasileiro!? Isto me causa vontade de assistir aos filmes de Sganzerla, mas esperarei o melhor haha.

Vulgo Dudu disse...

T1460, o Tarantino gostou bastante de O bandido da luz vermelha. Talvez seja o melhor filme do Sganzerla!

Abs!