sexta-feira, junho 05, 2009

#57 - Loki - Arnaldo Bapstista, de Paulo Henrique Fontenelle


Loki é o título de um fantástico álbum de música brasileira, que acabou se tornando um testemunho do tortuoso caminho traçado por um verdadeiro gênio. Quando Arnaldo Baptista gravou esse disco, produzido por Roberto Menescal, mal sabia que estava, além de exorcizando os seus fantasmas, deixando registrada toda a sua sensibilidade como músico. Era como se o Brasil ganhasse, guardadas as devidas proporções, uma espécie de Syd Barret - um mártir, um mito.

O documentário, dirigido por Paulo Henrique Fontenelle e produzido integralmente pelo Canal Brasil, traz um rico material audiovisual para contar a história não somente de um músico, mas de uma das bandas mais importantes do país, os Mutantes. Cronologicamente, acompanhamos desde os primeiros encontros até os dias de reclusão de Arnaldo Baptista - incluindo seu envolvimento com LSD, o romance com Rita Lee, o rompimento com os outros mutantes, as internações em hospitais psiquiátricos e até um acidente que o deixou em coma.

A edição é eficaz, sem ajustar o foco a pieguices ou sentimentalismos baratos. Se o espectador se envolve, é por causa da intensidade e do vigor do documentado, um personagem complexo e interessante. Imagens de arquivo revivem os tempos de festivais televisivos e apresentações ao redor do mundo. Depoimentos de pesos pesados da MPB, como Liminha (ex-baixista dos Mutantes), Gilberto Gil, Lobão e Tom Zé atestam o carisma e a capacidade artística de Baptista. Fica fácil compreender porque sua música é cultuada até mesmo fora do país e foi propagada por gente como David Byrne, Kurdt Cobain e Sean Lennon.

O filme é tão interessante e bem montado que, apesar do forte cheiro de tinta da recém-pintada sala do Arteplex, aguentei firme a dor de cabeça e a ardência nos olhos e no nariz. Até o fim. Fosse outro o filme, daqueles meia-bomba, teria desistido nos primeiros 20 minutos de projeção.

Nestes tempos de música pasteurizada e ícones vazios, trata-se de um documento de extrema importância para se entender o que é o rock brasileiro e quem são os seus verdadeiros heróis.

Imperdível!

8 comentários:

Kamila disse...

Interessante é que você faz um paralelo do Arnaldo Baptista com o Syd Barrett, mas eu o vejo mais como um Brian Wilson...

Beijos!

Rafael Carvalho disse...

Interessante que conheço pouquíssimo do trabalho do Arnaldo Baptistas, mas falaram tão bem do filme que me deu vontade de procurar suas músicas antes mesmo de ver o filme. E já estreou aqui no País?

altieres bruno machado junior disse...

OLá

Confesso que não acompanho e não conheço muito o trabalho do Arnaldo Baptista, mas parece ser bem interessante. Na tela grande vai ser melhor ainda : )

até mais...

Ciro Hamen disse...

Cara, demais. Quero muito ver esse filme!

Abraços!

Airton disse...

opa nao so mto chegado cara hehehe

passa la dpois
abraçao

Vulgo Dudu disse...

Kamila, muito bem lembrado! Na verdade, são todos parecidos. Eram os cabeças das bandas que fundaram. Gênio, sem dúvida!

Rafael, estreia semana que vem, dia 19. Vale a pena baixar os álbuns solo dele. E Mutantes, pra mim, é uma das melhores bandas de rock nacional.

Altieres, se você curte o som dele, é indispensável!

Ciro, vale a pena!

Airton, não sei se você gosta de rock. Se gostar, é um filme praticamente obrigatório.. rs...

Bjs e abs a todos!

geraldo costa disse...

Conheci Arnaldo,em diversas oportunidades, como fa,,com seu Jeep todo produzido para epoca com a Rita Lee sua namorada ...como Colaborador..Festival de Aguas Claras Bauru/SP em uma barraca armada na fazenda tocando baixo noite e dia , ... todos esperando quando seria o momento que tocaria...isso nao aconteceu...!!!na epoca namorava uma amiga Claudia, que depois casou com o baixista da Blitz...faz longo tempo...!!!Depois nos encontariamos em sua casa na Vila Mariana,quando realizamos contato, para convida-lo para tocar Balada de um louco...no show Volta a Europa,do Mutantes...o pior show ...o apreciador da banda virava produtor ...(isso é outra historia)Nos recebeu em sua casa com um sobretudo preto ,de forma muito gentil e uma voz bem silenciosa...em um ambiente todo escuro, com velas em todo ambiente aquilo chamou-me atençao..Arnaldo o super Mutante,tranbordava misterio e gentileza...eu era um dos produtores junto com o Lourenço no Anhembi ...recordo-me que antes de entrar no palco ele estava deitado no camarin com uma malha azul, segurando em icenso...como um anjo, e tinha na face pintada uma gota...como uma lagrima... apoiando sua cabeça no colo de um mulher, que tinha cuidados bem especiais, que cuidava dele com muito carinho e suavidade...chequei bem proximo dele e falei Arnaldo ...esta na hora...e como desperta-se de um sonho , levantou-se e foi para o palco e tocou ...como nunca...!Depois fiquei sabendo do seu voo, para a liberdade...Hoje resgatam mais do que merecido a memoria de uma rara pessoa ......Viva Arnaldo que a historia respeite essa rara pessoa...que contribui para uma geraçao silenciosa ..da qual faço parte...

Vulgo Dudu disse...

Geraldo, é muito bom ver um músico de porte e importância do Arnaldo Baptista ser homenageado em vida. Acredito que para vocÊ, que conviveu com ele, o filme seja ainda mais emocionante. Obrigado pela visita e pelo comentário.

Abs!