sábado, maio 23, 2009

#55 - Partidas (Okuribito), de Yôjirô Takita


Partidas é um filme japonês, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, cujo título em português também funciona. O roteiro fala sobre a dificuldade em aprender a lidar com dois tipos de partidas. A primeira é a morte física, a partida do mundo dos viventes. A segunda é a morte psicológica, tão terrível quanto a primeira, causada pelo abandono. Usando como narrador um violoncelista desempregado abandonado pelo pai ainda na infância, Yôjirô Takita conta uma bela história que evoca tradições milenares e choques existenciais contemporâneos.

Após receber a notícia de que a orquestra em que toca será dissolvida, Daigo (Masahiro Motoki) resolve voltar à sua antiga cidade natal, no interior do Japão. Decidido a abandonar a música como ofício, arruma um trabalho inusitado, em uma empresa que prepara as pessoas para partir. Ou seja, maqueia e acondiciona os mortos no caixão. Sua nova função causa um certo constrangimento em casa e desperta a desconfiança dos vizinhos. Porém, é convivendo com a dor dos outros que Daigo vai aprender a superar o seu próprio drama.

O ritual que envolve o trabalho de acondicionamento é verdadeiramente lindo, com movimentos delicados e cadenciados. Daigo aprende que maquiar o rosto do defunto e transformar o corpo gelado em uma réplica do que era quando vivo é uma tarefa que requer paciência e concentração, assim como é também a execução de uma sinfonia.

O filme começa com sequências que tiram proveito do estranhamento causado pelo argumento. Na medida certa, arranca alguns risos com os percalços da profissão, como na divertida cena do primeiro contato de Daigo com um cadáver. O peso do ritualístico é mesclado com uma edição mais solta, mais aos moldes do cinema ocidental. Porém, se por uma lado esse tipo de montagem ajuda na hora de prender a atenção do espectador, por outro ameaça o resultado final com os temidos clichês.

O terço final do filme deixa o estranhamento de lado e dá lugar a um sólido melodrama, com direito a cenas típicas dos dramalhões hollywoodianos - só que mais bem feito, bem mais verdadeiro. A sequência na qual Daigo toca seu violoncelo em meio a paisagens bucólicas, em uma série de cortes temporais da trama, é quase piegas. Só não cai no clichê por causa da belíssima atuação de Motoki. Lá para o final, quando o protagonista precisa resolver seus conflitos, a direção de Takita deixa a gente com aquele nó na garganta, apoiado pelo tristonho e melancólico som do violoncelo.

Ainda assim, Partidas é uma história sensível e muito bem contada. Um belíssimo filme!

9 comentários:

altieres bruno machado junior disse...

Olá

Parece ser um ótimo filme, sensível como vc disse. VALEU PELA DICA!!!

até mais...

Rafael Carvalho disse...

Opa, bom saber que esse filme já tem opiniões positivas porque era um mistério total para mim. Verei assim que puder.

Paulo [ALT] disse...

Tenho vários amigos que são fanáticos pela cultura japoneses, de diversas formas. Eu tenho que confessar que cinematograficamente sou meio vazio nessa parte. Assistiria sim pela sua crítica, me deixou curioso. E, ah... me lembrou da série A Sete Palmos
Obrigado pela passada no meu blog.
abraço

Paulo [ALT] disse...

sobre o filme do scorsese passar no Corujão... eu lembro vagamente de uma vez ter visto, mas na época nem dei mta imprtância. Eu amo filmes antigos e me deixa meio triste ver que pelo menos a tv aberta não dá tanta importância a eles. Ultimamente nem assisto mais tv, só coloco no Intercine e Corujão as vezes, pq lá eu sei q passam alguns interessantes.

Ciro Hamen disse...

Ainda não vi esse filme. Preciso ver logo.

Abraços!

Kamila disse...

Só li comentários positivos sobre este filme e com mais uma crítica legal, com certeza "Partidas" é um daqueles longas que espero conferir em breve.

Beijos!

Ramon disse...

Preciso conferir a obra. Seu texto me atiçou a vontade.

Filmes estrangeiros, não-hollywoodianos, são tiro certo, geralmente.

Abs!

Vulgo Dudu disse...

Altieres, depois que der o confere volte aqui para dizer o que achou, ok?

Rafael, eu achei o filme muito bom, apesar de quase descambar para o melodrama pastiche. Vale a pena!

Paulo, o bacana desse filme é que mescla os dois japões, o ritualístico e o moderno. É um excelente filme nesse aspaecto.

Ciro, estreia dia 5 de junho aqui no Rio.

Kamila, e eu fico esperando o seu parecer sobre o filme!

Ramon, é um filme extremamente sensível sem ser piegas - coisa rara nos filme hollywoodianos de hoje em dia...

Bje a abs a todos!

Esteja Aqui e Agora... disse...

O filme é maravilhoso... faz repensar o outro lado da vida... a morte... de forma mais natural impossível!

Abraços.