quarta-feira, abril 15, 2009

#41 - Sinédoque, Nova York (Synecdoche, New York), de Charlie Kaufman


Após a projeção, muita gente deve ir ao dicionário procurar o que é sinédoque. Eu fiz isso. Então, adianto aqui: trata-se de uma figura de linguagem que substitui um termo por uma parte do mesmo, ou vice-versa - mais ou menos o que vale, atualmente, para a metonímia. Por exemplo: A cidade elegeu o prefeito corrupto (a cidade no lugar dos eleitores).

O que acontece em Sinédoque, Nova York, o novo filme de Charlie Kaufman, é uma metalinguagem sobre a vida. Mais além, uma provocação sobre a vida que imita a arte ou a arte que, concomitantemente, imita a vida. Acompanhamos o processo criativo de um diretor de teatro na busca de uma peça inédita, que fale sobre a brevidade da vida, assunto que o obceca profundamente e acaba transformando de forma irreversível a sua relação com as pessoas. Tem muito mais que isso, mas se contar estraga. Prepare-se para ver o impensável!

Kaufman, a mente por trás de belíssimos roteiros complexos, como Brilho eterno de uma mente sem lembranças e Quero ser John Malkovich, para citar os mais conhecidos, aqui também assina a direção. Porém, sem dúvida alguma, este é o seu roteiro mais denso e angustiante. Versa sobre temas humanos complexos, como a racionalização da morte e a incapacidade de concretização do desejo. Meio Schopenhauer, né?

Tudo isso é pano para manga. Vai ter muita gente dizendo que Sinédoque, Nova York não faz sentido algum. Não seja um desses, porque quem embarcar na onda de Kaufman verá um deleite cinematográfico! É onde o cinema pode operar de maneira mais contundente: quando a inverossimilhança se torna tangível. O que se vê na tela são personagens interessantes, diálogos imprevisíveis e cenas plásticas de extrema sensibilidade artística.

Para melhorar, o diretor tem seu trabalho facilitado pelas atuações soberbas daqueles que estão no grupo dos melhores atores em atividade, casos de Philip Seymour Hoffman, Catherine Keerer e Emily Watson. O elenco inteiro, sem exceções, dá conta do recado.

Uma viagem cinematográfica realmente incrível! Estreia nesta sexta, 17/04.

12 comentários:

Ciro Hamen disse...

ouvi falar bem e mal desse filme. adoro o charlie kaufman e acho que vou gostar do filme. espero.

abraços!

T1460 disse...

Este é um que me interesso em ver quando aparecer por aqui.

Kamila disse...

Texto maravilhoso sobre um filme que tenho muita curiosidade em assistir. Pena que acredito que minha cidade ficará de fora da rota de estreia deste longa.

Beijo!

Airton disse...

opaa
axei seu blog
o meu eh de cinema tbm
da uma olhada
essa semana to elegendo os 20 melhores filmes q vi...

num conheço esse titulo aee
vi q tu eh redator..trabalho em agencia de publicidade? eu to pensandu em ser redator

http://publicandobr.blogspot.com

Vulgo Dudu disse...

Ciro, acho que só vai falar mal do filme quem não embarcou nas viagens anteriores do cara. Como não é o seu caso, acredito que você vai curtir bastante!

T1460, provavelmente deve entrar em cartaz no circuitão. Mas deve ficar pouco tempo. Por isso, corra!

Kamila, muito obrigado! Tomara que você possa conferi-lo ainda na tela grande...

Airton, seja bem-vindo por aqui! Eu sou formado em jornalista, mas sou redator por causa dos meus constantes trabalhos de redação para a web. Vou dar um confere no seu blog. Apareça.

Bjs e abs!

jeff disse...

Ô Dudu, que puta vontade de ver o filme tu me deixou. Já estava desde a época do Festival do Rio, mas não consegui ingresso. AMO Brilho Eterno e tô curioso para ver a estreia do Kaufman na direção. Parece ser uma viagem, como todos os seus textos.

[]s!

Vulgo Dudu disse...

Jeff, a intenção era essa! rs... Se você curte as viagens dele, não perca tempo!

Abs!

pelego disse...

Bom, como jah disse, achei muito Kafkaniano. Onihrico demais, e em progressaum geomehtrica. A cada passo os corredores de irrealidade do filme se bifurcam e acabam se enroscando em tramas que confundem o que eh sonho, vida ou morte. O que pra mim soh começa a acabar no amehm daquele padre. Hipocondrihaco, denso, irritante e divertido. Muito, mas muito divertido.

Desculpa a ortografia, pc alheio dah nisso.

Vulgo Dudu disse...

Pelego, grande Bruno, concordo com você: é denso, mas divertido! É impressionante o que a mente de um bom roteirista é capaz de fazer quando se utiliza de forma criativa a linguagem cinematográfica!

Abs!

NanatB disse...

A parte da referente aos desejos não realizados e como estes nos acompanham ao longo da vida (verdadeiras sombras), bateu muito forte em mim.... Esse filme tem muita coisa para ser assimilada. Eu preciso revê-lo pelo menos umas 3 vezes!

Vulgo Dudu disse...

NanatB, seja bem-vinda por aqui! Concordo contigo. Acho que trata-se do roteiro mais angustiante do Kaufman. E, como disse o Pelego aí em cima, é tão labiríntico que pode fornecer outros caminhos interpretativos quando visto novamente. Com certeza vou conferi-lo novamente. Quem sabe até comprá-lo quando sair em DVD. Esse é um filme para se ter na estante.

Bjs e volte sempre!

Abaco disse...

Já tinha visto outras obras do Kaufman. As vezes, é até divertido. Mas dessa vez ele está um pouco pretensioso demais. Bem, esse filme é do tipo ame ou odeie. Desta vez vou ficar no segundo grupo. Gosto de cinema, de bons roteiros, mas achei Sinédoque forçado demais. Quem gosta apenas de posar vai adorar. No meu caso, não, por conta dos exageros. Eu teria que estar muito chapado para embarcar nessa viagem.