terça-feira, março 24, 2009

#33 - loudQUIETloud: A Film About the Pixies, de Steven Cantor e Matthew Glakin


Me lembro bem da primeira vez que escutei os Pixies. Eu tinha 14 anos e estava sintonizado na extinta Fluminense FM - a única rádio verdadeiramente rock que o Rio de Janeiro já teve. Fiquei completamente embasbacado com "Where is my mind". Era tudo o que eu estava procurando: melodias bem harmonizadas em meio à fúria de guitarras distorcidas. Aos 15, enquanto meus amigos que tocavam guitarra queriam ter a velocidade de Joe Satriani e Steve Vai, eu queria ter a classe e o bom gosto de Joey Santiago. Em pouco tempo, se tornaram a minha banda favorita. Comprei todos os álbuns, singles, EPs, raridades, camisetas etc. Até a minha prancha, uma longboard branca feita sob encomenda, tem adornos dos Pixies.

Posso dizer, sem falsa modéstia, que entendo do assunto Pixies. Portanto, quando fiquei sabendo que em 2006 foi lançado um documentário sobre a reunião da banda (que contou com uma extensa turnê de shows ao redor do mundo, todos com lotação esgotada em minutos), me senti um lixo. Tratei de catá-lo por aí e acabei achando uma versão em mp4, bem fraquinha, mas foi a única!

Com esse título bem sugestivo, loudQUIETloud se concentra em mostrar os bastidores do retorno triunfal da banda. Voltam à tona, obviamente, fatos que mexem nas feridas de todos os músicos: a dificuldade de relacionamento, a falta de comunicação e os desentendimentos pessoais, principalmente entre Black Francis e Kim Deal, que culminaram num hiato perturbador.

Além disso, as câmeras procuram tentar compreender como, ainda assim, os Pixies funcionam tão bem nos palcos, tendo gravado discos que influenciaram uma penca de gente ao redor do mundo, inclusive Kurt Cobain. O filme abre com uma frase do saudoso líder do Nirvana, explicando a origem da canção "Smells like teen spirit":

"Eu estava tentando copiar alguma coisa dos Pixies."

Durante quase uma hora e meia, com mais papo do que música, o que é algo extremamente positivo na montagem de um documentário, testemunhamos momentos íntimos de todos os quatro pixies. Black Francis (vocal e guitarra) escuta gravações de auto-ajuda para tentar relaxar, Joey Santiago (guitarra) conhece pela internet seu filho recém-nascido, Kim Deal (baixo) e sua irmã gêmea tentam se manter longe das drogas e David Lovering (bateria) corta um dobrado para superar a morte do pai. Tudo isso em meio a apresentações cheias de vigor e lirismo.

Se fosse subtrair o meu entusiasmo, por se tratar da minha banda favorita, sobra dizer que vale a pena porque é um documentário muito bem executado. Durante os créditos finais, há uma sequência muito interessante, um verdadeiro gran finale. Uma jovem, que ganhou após um show a palheta de Kim Deal, toca covers dos Pixies com sua banda de garagem, mostrando que o legado do quarteto ainda soa assustadoramente atual e impactante.

5 comentários:

Kamila disse...

Eu não entendo muito de Pixies, mas me lembro bem quando escutei a banda pela primeira vez. Foi quando entrei em contato com "Here Comes the Man". AMO essa música até hoje.

Beijos!

Ciro Hamen disse...

O Pixies é, sem dúvida, uma das melhores bandas do mundo. Até hoje as músicas deles soam totalmente diferente e criativas de tudo. A última vez que ouvi uma foi no filme Pagando Bem, Que Mal Tem?, do Kevin Smith. Hey toca em um momento importante. Fiquei com vontade de ver este documentário, pois sei que o Pixies tem uma das histórias mais interessantes da música.

Abraços!

Vulgo Dudu disse...

Kamila, acho que todo mundo que curte os Pixies teve um caso de amor á primeira ouvida! No meu caso, foi com "Where is my mind". Eles tinham acabado de lançar o Surfer Rosa. Eu lembro até que comprei a fita K7! rs...

Ciro, bem-vindo por aqui! De fato, se você curte os Pixies vai adorar esse doc. É sensacional. Eu vou ver o filme do Kevin Smith hoje. Saber que tem Pixies na trilha me anima, até porque as opiniões alheias não são animadoradas.

Bjs e abs!

ninainwonderland disse...

Olha, você disse tudo quando falou que quem gosta de Pixies, foi amor a primeira ouvida. Achei seu blog por acaso, também sou meio cinéfila, e adoro Pixies, uma das minhas bandas favoritas. Escutei Where is My Mind, na cena genial do final de clube da luta, e fui procura-la, acabei baixando o Doolittle e o Surfer Rosa, e desde então, não parei de escutar! Junto com o Sonic Youth, está no meu top de bandas favoritas, porque realmente, eles são muito fodas! parabéns pelo blog. beijo!

Vulgo Dudu disse...

Nina, obrigado pelo comentário! Bom, pelo visto você tem bom gosto musical! rs... Então, se você tiver a oportunidade, veja esse doc sobre os Pixies. É tão encantador e misterioso quanto o trabalho da banda. Eu lembro que quando eu soube que tinha um filme de porrada com "Where is my mind" fiquei tenso! Mas, no fim das contas, é um filmaço, e a canção caiu como uma luva naquela cena!

Bjs e volte sempre!