terça-feira, fevereiro 10, 2009

#15 - Milk, de Gus Van Sant


Taí mais um filme indicado para ser agraciado com uma estatueta da Academia. Estão aí, também, mais um belo roteiro, belos atores e um belo exemplo de como certos detalhes e maneirismos podem arruinar uma obra-prima.

Milk é um bom filme.

Tem Gus Van Sant na direção. O cineasta adota uma montagem mais convencional para contar a história do ativista político Harvey Milk, que lutava pelos direitos dos homossexuais em São Francisco, EUA, na década de 70. Os frutos da experimentação cinematográfica em trabalhos anteriores, como os planos bem pensados, a câmera livre e as cenas meticulosamente bem estudadas, agora são colhidos. Tecnicamente, o filme é impecável!

Tem Sean Penn como protagonista. E não só ele, mas todo um elenco verdadeiramente preparado para conferir credibilidade aos personagens reais que fizeram parte dessa história. Penn é realmente o cara, competente e entregue ao papel, mas Emile Hirsch dá um banho de interpretação também.

Tem um argumento de cunho político que ainda faz sentido e que vai além da sexualidade: trata da mobilização pela representatividade política das minorias em regimes que dizem pregar a liberdade do indivíduo.

Podia ser um filmaço, não fosse a fatídica queda de desempenho do roteiro, até culminar em um desfecho comum, melodramático - que, parece, está contaminando todos os indicados ao Oscar de Melhor Filme. Definitivamente, a conclusão não combina em nada com a filmografia de um diretor do quilate de Gus Van Sant.

Ainda assim, um belo filme político.

5 comentários:

Rafael Carvalho disse...

O que mais me interessa nesse filme, além da atuação do Sean Penn, é o retorno do Van Sant ao meanstream, depois de um período em que ele só fez filmes mais alternativos e cults. Inclusive numa fase bastante produtiva, com resultados excelentes como em Elefante e Paranoid Park. E fico curioso pelos rumos da carreira dele. Ainda verei esse filme, em breve.

Ramon disse...

Minha resenha ficou muito parecida com a sua. A essência é a mesma. Só que ela só será publicada na semana que vem.
Achei uma pena a direção comedida de Gus Van Sant. Ele daria uma outra aura ao filme se deixasse sua marca.
Emile Hirsch dá um banho, mesmo. Também ressaltei o trabalho do elenco no meu texto.

E o sua frase fina é precisa. Um filme com desfecho comum, melodramático.

Abs!

jeff disse...

Caramba, quanto tempo não vinha aqui!
Dudu, também achei um bom filme, mas me decepcionei bastante, era o que eu mais aguardava dessa temporada. O que eu pensei que fosse acontecer com Frost/Nixon, aconteceu com Milk: achei o filme político demais, muita informação e eu sempre acabo não me envolvendo como gostaria quando é dado esse tratamento.
Mas Sean Penn tá foda pra variar e gostei muito da montagem - não achei tão convencional assim, Dudu. E também gostei do desfecho. hehe

Mas irei rever. Peguei uma legenda meio merda.

[]s!

Kaue disse...

Pra mim, Elefante é a obra-prima suprema de Gus. Não sei se Milk chegou perto. Vi ontem, mas vou rever...

Expliquei lá no meu blog que vou ficar umas semanas away, blza?! Então não ligue se eu não postar por aqui durante esse tempo.

Abs!

Vulgo Dudu disse...

Rafael, esse filme mostra realmente o domínio da técnica, que o Van Sant foi aprimorando ao longo dos outros trabalhos. Eu prefiro a fase elefante-paranoid-park, mas a estética de Milk é muto bem cuidada. Só a parte final é que deixa a desejar...

Ramon, pois é, eu senti também um Van Sant comedido. Poderia ter ousado mais. O elenco realmente é o forte do filme! Vou aguardar a sua resenha!

Jeff, eu adoro filmes políticos, e nunca havia visto um filme político gay, o que deixa o argumento mais interessante. Eu acho que o tom melodramático do final é que estraga tudo, e a gente discorda justamente nisso. A tensão comum às produções de cunho político acaba dando lugar a uma conclusão menor, típica. Mas ainda assim é um bom filme.

Kaue, pra mim Elefante é insuperável também. E Milk não chega perto...

Abs!