terça-feira, janeiro 06, 2009

#3 - Tão longe, tão perto (In weiter Ferne, so nah!), de Wim Wenders


Logo nos primeiros minutos de Tão longe, tão perto, Wim Wenders já demonstra em um breve prólogo que é um diretor completo, capaz de instigar os espectadores mais atentos. Fotografia p&b, texto lírico e um anjo observando, do alto da famosa estátua de Tiergarten Siegessaeule (aquela do clipe do U2), o movimento dos mortais que tanto ama.

Nessa espécie de continuação de Asas do desejo, Wenders filma seis anos depois o drama do anjo Cassiel (novamente o ótimo Otto Sander), que ousa cruzar a linha e acaba se tornando um mortal para salvar uma menina que corre riscos. Esse é o ponto de partida para um argumento que mistura fugitivos de guerra, tráfico de armas, distribução de filmes pornográficos e falsificação de documentos. Tudo isso junto e misturado, mas para falar sobre existencialismo e humanismo.

Que não se enganem os esotéricos: as figuras angelicais são apenas alegorias que permitem ao diretor trabalhar um ponto de vista de quem olha de fora, de quem não participa da existência terrena e não compartilha das alegrias e aflições do ser humano. O roteiro, com texto poético e afiado, recheia a trama com questões pertinentes, como amor, morte e tempo.

O elenco é outro destaque. A bela Nastassja Kinski empresta seu ar lacônico à angelical Raphaela, Willem Dafoe empresta seu talento a uma misteriosa figura que parece controlar o tempo, Bruno Ganz interpreta Damiel agora humano (o anjo de Asas do desejo que se apaixona por uma mortal) e Mikhail Gorbachev, você não leu errado, ele mesmo, faz uma ponta - convencido por sua secretária particular, fã dos trabalhos de Wenders.

Ainda bem que nenhum realizador mercenário teve a idéia de fazer um remake...

8 comentários:

Pedro Henrique disse...

"Ainda bem que nenhum realizador mercenário teve a idéia de fazer um remake..."

Spielberg? rsrsrsr...
Abraço!

Sérgio Déda disse...

Gosto do cinema de Win Wenders, mas este nunca tive a oportunidade de assistir... o elenco e a trama parecem interessantes...

Dudu... se for participar do Prêmio do Júri do Blog dos Cinéfilos Awards já pode mandar sua lista ok.

Abraço!

Kau disse...

Só vi Paris, Texas de Wim Wenders e achei espetacular. Um filme comovente, complexo e extremamente bem feito. Sem contar que sou fãzóide de Nastassja Kinski...

Abraços, Dudu.

Vulgo Dudu disse...

Pedro, na verdade estava fazendo uma referência ao remake de Asas do desejo, Cidade dos Anjos, aquele com o Nicholas Cage e Meg Ryan, que é um lixo. Mas se a carapuça do "realizador mercenário" servir para o Spielberg... rs...

Sérgio, eu li sobre, mas acho que não entendi direito o que preciso fazer. Indico cinco filmes estrangeiros e cinco filmes nacionais? Ou escolho um entre os que estão relacionados?

Kau, Paris, Texas consta no meu top 3 permanente! Wenders é um senhor diretor, e esse aqui também é digno de nota! Procure, acho que não vai se arrepender!

Abs!

jeff disse...

Acho que chegou a hora de eu conhecer o cinema do Wim Wenders. Nunca vi nada! =| O filme me parece muito interessante - gostei do cartaz também. Como é uma espécia de continuação, começarei com Asas do desejo. Valeu a dica, Dudu!

[]s!

Vulgo Dudu disse...

Jeff, já passou da hora! rs... Depois da saga dos anjos, tente Paris, Texas, na minha opinião o melhor do Wenders.

Abs!

Evandro Duarte disse...

Asas do Desejo é mais original, mas este Tão Longe, Tão Perto é bem simpático por retomar aquelas personagens tão interessantes.

Vulgo Dudu disse...

Evandro, bem-vindo por aqui! Eu também acho Asas do desejo mais original. Porém, esse aqui também tem a assinatura maestral do Wenders. Ele sabe como ninguém, ao meu ver, instigar seus espectadores.

Abs!