sábado, janeiro 31, 2009

Mateus, o balconista - "Tarantino"

Mateus, o balconista é uma série feita para celulares muito bacana, que mostra o dia-a-dia de um sujeito que trabalha em uma locadora de vídeos. Os episódios trazem situações corriqueiras e discussões sobre cinema, sempre com muito humor e bons diálogos.

Em um dos melhores episódios, logo abaixo, um cinéfilo discute sobre o valor dos filmes de Tarantino - que também já foi balconista antes de se aventurar como cineasta. A série é filmada na Cavídeo, uma tradicional e conceituada locadora da Zona Sul do Rio.

Muito bacana! Vale a pena catar os outros episódios no Youtbe!

Ah, mais uma coisa: a camisa do cinéfilo é da Reverb, marca de dois grandes amigos meus, Beto e Alex. Há diversas outras estampas ligadas ao mundo do cinema. Eu mesmo tenho várias - inclusive a que aparece no vídeo, só que a minha é preta. Recomendo!

quinta-feira, janeiro 29, 2009

#11 - Common-law cabin, de Russ Meyer


Depois de algumas semanas, consegui finalmente toda a filmografia de Russ Meyer, um dos meus diretores prediletos! O primeiro dessa leva de mais de 2GB é Commom-law cabin, uma produção feita em 1967, imediatamente após o sensacional e original Mondo Topless.

Mais uma vez, os ingredientes que fazem de Meyer um diretor realmente diferente: mulheres com seios enormes, decotes insinuantes e roupas de baixo provocantes em sequências cheias de malícia e humor. Porém, o interessante é notar que, diferentemente da produção anterior, que mostrava as melhores strippers do mundo balançando os peitos freneticamente, não há nu. Tá bom, tem uma bundinha de leve durante algumas tomadas aquáticas - recurso, aliás, muito moderno para a época.

O roteiro... Ah, o roteiro pouco importa. Mas tem. Trata-se da história de um homem misterioso que chega, junto com um casal, a um remoto bar falido à beira do Rio Colorado. Ele tenta comprar o lugar, mas o dono se recusa a vender. O homem passa então a assediar todas as mulheres para tentar fazer com que seu maligno plano dê certo.

Não é nem de longe o melhor trabalho de Meyer. Porém, tem tudo o que se espera de um filme dele! Diversão na certa!

quarta-feira, janeiro 28, 2009

#10 - Dúvida (Doubt), de John Patrick Shanley


Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman, dois monstros consagrados do cinema contemporâneo, estarão presentes à cerimônia de entrega do Oscar concorrendo a Melhor Atriz e Melhor Ator Coadjuvante. As indicações, merecidíssimas, são fruto do belíssimo e intenso trabalho que ambos realizaram em Dúvida, uma adaptação da peça homônima de John Patrick Shanley - também roteirista e diretor do filme - que tem nos diálogos uma força realmente extraordinária.

Não é à toa que o texto foi agraciado com um Pulitzer em 2005. A história, ambientada na década de 60, mostra um embate verbal poucas vezes visto no cinema. De um lado do ringue, uma freira ortodoxa que tenta provar, mesmo sem evidências concretas, que um padre liberal, que por sua vez está do outro lado ringue, abusa sexualmente de um menino negro de apenas 12 anos. O que se vê, ou se ouve, ou se lê nas legendas, é o uso da retórica a serviço de deus.

Em uma busca frenética pela confissão do delito, os argumentos vão fazendo com que a dúvida fique pairando acima das cabeças de todos os envolvidos no caso. O grande barato do texto é justamente não tomar partido e fazer com que o espectador em certas horas ache que o padre é uma vítima de calúnias e em outras, um monstro. As cenas de discussão são realmente empolgantes!

Shanley nem teve tanto trabalho para que o texto funcionasse na tela grande, pois a dupla protagonista dá um verdadeira aula de interpretação. Porém, alguns elementos não se adaptam tão bem à linguagem cinematográfica. Por exemplo, há tomadas em ângulos verticais que não deixam claro o propósito do diretor. Uma ventania inexplicável, que pontua os momentos de tensão do filme, também perde a força que teria em um palco italiano. E dá para imaginar que a última linha seja muito mais impactante se dita no teatro.

Prato cheio para quem gosta de bons textos! Recomendo.


PS: Nem fiz trocadilhos com a palavra "dúvida"...

segunda-feira, janeiro 26, 2009

#9 - Trovão tropical (Tropic thunder), de Ben Stiller


O que mais me chamou a atenção em Trovão tropical não foi o argumento. Nada de novo: uma paródia sobre filmes de guerra, com piadas politicamente incorretas, conteúdo escatológico e exagero dos clichês comuns a esse gênero cinematográfico. É a história de um grupo de atores que acaba no meio de um fogo cruzado de verdade, inadvertidamente, para que suas interpretações tenham mais veracidade. Porém, nas entrelinhas, há um pouco mais que isso.

Ben Stiller escreveu e dirigiu uma obra para que a indústria cinematográfica ria de si mesma. Ou melhor, para que aprenda, quem sabe, a assim fazer. Ao apresentar um metafilme no qual executivos buscam por produções extremas e hiper-realistas, Stiller está mesmo é tirando um sarro da Academia. Fazendo piada com o que se estabeleceu como lucrativo para os estúdios e, por conseguinte, bom para o público.

Por incrível que pareça, é preciso prestar atenção nos diálogos. Em uma das melhores passagens, o personagem de Downey Jr explica o porquê da importância de não interpretar retardados completos para que o ator seja premiado com uma estatueta. Cita como exemplo dois filmes: Rain Man e Forrest Gump, em uma análise franca e verdadeira, muitas vezes velada, que bate com os motivos para que o segundo esteja na minha lista dos dez piores.

O trio principal, formado também por Jack Black e Robert Downey Jr, veste o uniforme para atacar o establishment do qual ele mesmo faz parte. De quebra, uma das melhores atuações da fraca carreira de Tom Cruise (vítima desse sistema?), perfeito como um inescrupuloso investidor da indústria cinematográfica.

Perdem o Oscar, mas não perdem a piada!

sexta-feira, janeiro 23, 2009

#8 - Um faz de conta que acontece (Bedtime stories), de Adam Shankman


Está aberta a temporada dos filmes de férias! Tempo de levar filho, sobrinho, afilhado etc ao cinema. Uma das opções, que estreou hoje no circuito carioca, é a nova parceria entre Adam Sandler e a Disney. Chama-se Um faz de conta que acontece. Conta a história de um sujeito que começa a perceber que as histórias que narra aos sobrinhos antes de dormir começam a se transformar em realidade.

Vamos combinar que a chance de nós, os mais velhos, gostarmos do programa que envolve o filme é pouca. E vamos combinar também que Adam Sandler anda com a carreira um pouco desnorteada. De quebra, podemos ainda combinar que quando ele faz papel de bobalhão, quase nunca agrada.

Pois Um faz de conta que acontece fica no meio do caminho. Tem piadas sobre política e celebridades - para crianças maduras. Tem situações engraçadas e espalhafatosas - para adultos infantis. Foi um dos primeiros filmes da temporada de natal estadunidense a ganhar classificação indicativa PG - uma espécie de alerta sobre o conteúdo.

Sei não... Com essa criançada de hoje, acostumada a desenho animado japonês e videogame com gráficos tridimensionais, um filme sobre contação de histórias não deve agradar.

Para ler a resenha que eu escrevi no site da revista M..., mais detalhada, clique aqui!

quarta-feira, janeiro 21, 2009

#7 - Titãs - A vida até parece uma festa, de Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves


Titãs está longe de ser minha banda favorita. Principalmente pelo que vem produzindo nos últimos anos. Porém, ao longo das décadas de 80 e 90, o grupo foi deixando sua marca no cenário musical brasileiro. Parte desta epopeia foi captada pelas lentes de Branco Mello, que perambulava entre turnês e gravações com uma câmera de vídeo.

São quase três décadas de imagens recolhidas, das mais pitorescas até as mais inesquecíveis, em um retrato fiel do que representou a banda não só para cada músico, mas para o público em geral. Com uma edição competente, o resultado é uma série de sequências curiosas, que inclui apresentação em bar mitzva, participação no quadro Sonho Maluco (lembra, aquele do Viva a Noite, que punha os artistas em situações "perigosas" junto com um fã?) e aparição no programa de Silvio Santos ao som de "Bichos escrotos".

Em uma das melhores cenas, o produtor Liminha, um dos responsáveis pelo sucesso dos garotos, dá um puxão de orelha em Charles Gavin durante a gravação de uma música.

Como disse lá em cima, no primeiro parágrafo, os Titãs não estão no playlist do meu iTunes. Porém, fizeram parte, indubitavelmente, da minha formação musical. Lembro como se fosse hoje do meu LP de Cabeça Dinossauro (na minha opinião, um dos melhores discos de rock nacional já gravado), lançado em pleno regime militar, com uma advertência proibindo a execução radiofônica de "Bichos escrotos" - que inclusive vinha com a faixa riscada.

Por tudo isso, vale a pena ver o documentário! Vou até acrescentar uma músicas dos Titãs (as antigas, obviamente) ao meu playlist!

sábado, janeiro 17, 2009

#6 - Rumba, de Dominique Abel, Fiona Gordon e Bruno Romy


De vez em quando o circuito nos brinda com pequenas pérolas que abusam da linguagem cinematográfica. É o caso da comédia francesa Rumba, parceria de um trio que vem trabalhando muito bem uma estética mais apurada.

Dominique Abel e Fiona Gordon interpretam um casal de professores primários apaixonados por dança latina. Até que um dia, na volta de mais um concurso vencido, um trágico acidente muda para sempre suas vidas. A partir daí, os dois começam a viver uma série de situações tragicômicas inusitadas. E o mérito do roteiro está justamente no tratamento das sequências, com poucas palavras, muitas cores e um extenso exercício de criatividade.

Em primeiro lugar, a preparação dos atores é invejável. Utilizando-se de poucos diálogos, as gags são conduzidas pela expressão corporal, pautada por movimentos precisos, em uma espécie de pantomima minuciosamente executada. Dá gosto de ver o jogo entre Dom e Fiona! A preocupação do uso das cores como elementos de destaque está em todas as cenas, cuidadosamente fotografadas para encher os olhos do espectador. As piadas, portanto, funcionam muito bem sem recursos textuais. O tom trágico é facilmente transposto e torna a trama ainda mais divertida.

Lembra um pouco aquelas comédias francesas antigas, deliciosas, tipo as de Jacques Tati.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

#5 - Surf nos corais - as ondas mais perfeitas do mundo, de Alexandre Rossi


Por um desses acasos, descobri que o dono do longboard que fica guardado ao lado do meu, na garagem do prédio, é o pai de um amiguinho da minha filha. O cara é surfista de verdade: ele cai em Waimea, 20 pés; eu caio aqui perto, na praia da Macumba mesmo, um metro. Porém, o interesse em comum pelo surfe fez com que ele me emprestasse seis filmes sobre o esporte. O primeiro a ser visto foi este, Surf nos corais.

Como eu suspeitava, o filme não pode ser classificado como documentário, apesar de ter material para isso. Em primeiro lugar, o argumento, que gira em torno dos recifes de corais - os responsáveis por dar forma a ondas perfeitas. Depois, os locais paradisíacos escolhidos (Havaí, Tahiti, Samoa, Indonésia), com natureza e cultura exuberantes. Porém, nada disso é tão bem explorado. O que se vê são belíssimas sessions com alguns dos melhores surfistas do mundo domando ondas sensacionais. Só isso.

Ou seja, é filme para quem gosta de surfe. Ponto final.

Claro que a plasticidade do esporte está lá, mas o grosso dessa produção nacional são as tais "sessions históricas", como os produtores afirmam, em ondas perfeitas. Não há depoimentos, quase não há texto e a trilha sonora não é lá grande coisa. Dificilmente quem não pratica o esporte, que seja nas marolas ou nas tsunamis, vai gostar de Surf nos corais.

O mais interessante, que podia ter sido adicionado na quase uma hora de exibição, está nos extras. Um biólogo explica a importância dos recifes de corais para o ecossistema e a necessidade de preservação dessas florestas submarinas. Ah, sim: a parte das vacas também é interessante. Um pouco de sadismo...

Aloha!

domingo, janeiro 11, 2009

Luz, câmera... canção! - Metronomy

Algumas vezes eu já me peguei indagando se Metronomy é o novo Devo, com uma roupagem mais século XXI, após o advento do post-punk. O trio, formado por rapazes ingleses, mistura sintetizadores com guitarras. Com uma sonoridade bem original, a banda anda ganhando destaque pelas pistas do mundo todo.

Daqui a pouco, quem não conhecer Metronomy não será legal, descolado, hype e tais coisas. Portanto, é aconselhável dar uma espiada em um dos vídeos mais bacanas não só deles, mas da história recente dos videoclipes. A ideia é sensacional: pessoas começam a ser atacadas por aquela bolinha sing-a-long. A música se chama "A thing for me" e é parte integrante do excelente disco "Nights out", lançado ano passado.



Tá longe de lembrar o Devo? Isso é porque você provavelmente ainda não assistiu a mais uma pérola visual e sonora do Metronomy, "Radio Ladio". Dá um confere aqui!

quinta-feira, janeiro 08, 2009

#4 - Hiroshima, meu amor (Hiroshima, mon amour), de Alain Resnais


Um dos expoentes do cinema francês, Alain Resnais estreava em 1959 como diretor de longas com Hiroshima, mon amour, uma densa e nada linear história de amor entre uma atriz francesa e um arquiteto japonês, que se encontram durante as filmagens de uma produção pacifista na cidade arrasada pela bomba atômica. Nos minutos iniciais, terríveis imagens de arquivo sobre os efeitos atômicos e o belíssimo texto de Marguerite Duras se misturam para dar forma a um contundente manifesto antibelicista.

O roteiro, indicado ao Oscar, é considerado pioneiro no corte atemporal, conferindo ao tempo papel de destaque na história dos dois amantes que se apaixonam perdidamente sem ao menos saber seus verdadeiros nomes. Os protagonistas se confundem com seus próprios passados. Ele passa a chamá-la de Nevers, cidade em que ela cresceu. Ela o chama de Hiroshima, local onde passam o presente. O futuro fica em aberto durante um jogo de sedução repleto de reviravoltas.

Emmanuelle Riva e Eiji Okada, o casal em questão, estão em perfeita sintonia. O ator japonês não sabia uma palavra de francês, mas foi treinado à exaustão para falar sem sotaques. Deu certo. No fim das contas, é uma história de amor nada melodramática, mas ainda assim complexa e interessante. O talento do diretor fica evidente a cada enquadramento. Não é à toa que era venerado por Truffaut e Rivette, expoentes da Nouvelle Vague.

É cinema para poucos, de fato. Resnais, assim como David Lynch, guardadas as devidas proporções, sofria com críticas que acusavam seus filmes de não terem sentido algum. Piorou quando, no ano seguinte, lançou o sensacional Ano passado em Marienbad. Por isso, constantemente, o diretor se via obrigado a responder perguntas impertinentes. Algumas delas estão reunidas nos extras do DVD nacional. Resnais encara, com humor e fina ironia, uma enxurrada de tentativas de explicações sobre o seu trabalho.

Um sincero apelo pacifista que, pelo visto, não surtiu tanto efeito nos dias de hoje.

terça-feira, janeiro 06, 2009

#3 - Tão longe, tão perto (In weiter Ferne, so nah!), de Wim Wenders


Logo nos primeiros minutos de Tão longe, tão perto, Wim Wenders já demonstra em um breve prólogo que é um diretor completo, capaz de instigar os espectadores mais atentos. Fotografia p&b, texto lírico e um anjo observando, do alto da famosa estátua de Tiergarten Siegessaeule (aquela do clipe do U2), o movimento dos mortais que tanto ama.

Nessa espécie de continuação de Asas do desejo, Wenders filma seis anos depois o drama do anjo Cassiel (novamente o ótimo Otto Sander), que ousa cruzar a linha e acaba se tornando um mortal para salvar uma menina que corre riscos. Esse é o ponto de partida para um argumento que mistura fugitivos de guerra, tráfico de armas, distribução de filmes pornográficos e falsificação de documentos. Tudo isso junto e misturado, mas para falar sobre existencialismo e humanismo.

Que não se enganem os esotéricos: as figuras angelicais são apenas alegorias que permitem ao diretor trabalhar um ponto de vista de quem olha de fora, de quem não participa da existência terrena e não compartilha das alegrias e aflições do ser humano. O roteiro, com texto poético e afiado, recheia a trama com questões pertinentes, como amor, morte e tempo.

O elenco é outro destaque. A bela Nastassja Kinski empresta seu ar lacônico à angelical Raphaela, Willem Dafoe empresta seu talento a uma misteriosa figura que parece controlar o tempo, Bruno Ganz interpreta Damiel agora humano (o anjo de Asas do desejo que se apaixona por uma mortal) e Mikhail Gorbachev, você não leu errado, ele mesmo, faz uma ponta - convencido por sua secretária particular, fã dos trabalhos de Wenders.

Ainda bem que nenhum realizador mercenário teve a idéia de fazer um remake...

segunda-feira, janeiro 05, 2009

#2 - A batalha de Argel (La bataille d'Alger), de Gillo Pontecorvo


Gillo Potecorvo era um jovem tenista playboy que viajava a Europa disputando torneios internacionais. Foi depois de um desses, em Paris, que conheceu e se aproximou de gente como Picasso, Stravinsky e Sartre. Pouco tempo depois, se tornaria um dos maiores diretores do cinema político da nossa história.

Ainda bem que ele resolveu aposentar as raquetes. Em A batalha de Argel, o que se vê na tela é verdadeiramente uma aula que vale por duas: a primeira, de história, abordando um dos mais sangrentos movimentos de indenpendência das colônias europeias (adeus, acento agudo); a segunda, de cinema, com narrativa e montagem de tirar o fôlego!

O roteiro aborda os momentos decisivos que levaram à mobilização da população argelina em busca da independêcia. A Frente Nacional de Libertação organizava atentados terroristas e greves para tentar conscientizar os cidadãos e chamar a atenção da ONU, enquanto o governo francês enviava tropas militares para sitiar e torturar os membros da resistência. Violentos confrontos se tornaram uma constante pelas ruelas apertadas e sinuosas de Casbah, o lugarejo árabe de Argel.

A obra de Pontecorvo é filmada com requintes de documentário, facilitada pelo próprio governo da Argélia. Cenários, figurantes e locações são tomados por cenas de extremo realismo. A música de Ennio Morricone dá o tom dramático aos acontecimentos.

Um filme essencial para quem gosta de cinema político.

sábado, janeiro 03, 2009

#1 - Meu tio (Mon oncle), de Jacques Tati


Nada melhor para começar o ano do que um filme de Jacques Tati, comediante francês que dominava como ninguém a pantomima. Em Meu tio, seu primeiro longa colorido, é estabelecida, com muito bom humor, uma crítica contundente ao modernismo e ao consumismo típicos do sistema capitalista então em ascenção.

O Sr. Hulot, famoso e carismático personagem de Tati, reaparece e vai passar um tempo na casa de sua irmã para ajudar a cuidar do sobrinho. Logo se vê às voltas com uma residência repleta de utensílios automáticos e arquitetura futurista - pouco funcional, mas vistosa aos olhos da sociedade de consumo. A dificuldade de adaptação cria situações cômicas e insólitas.

O humor de Tati sempre foi muito mais visual do que textual. Portanto, no lugar de piadas fáceis, o roteiro prefere brincar com os cenários cheios de formas e cores diferentes, criando sequências (adeus, trema) de rara beleza. O filme foi reconhecidamente premiado em festivais do mundo inteiro não só pelo talento do humorista, mas também pela ousadia estética e temática.

Uma verdadeira pérola que, assim como os "tempos modernos" de Chaplin, permanece ressoando como um clássico.