sábado, dezembro 13, 2008

#97 - Demoninho de olhos pretos, de Haroldo Marinho Barbosa


Ainda que a maioria das tentativas anteriores de adaptar textos de Machado de Assis para o cinema tenham malogrado, há corajosos realizadores que tentam o feito. Movidos, talvez, pela vontade de enaltecer a obra do escritor. Porém, no fundo, eles sabiam do risco que corriam.

Eu acho que o diretor Haroldo Marinho Barbosa tinha noção disso quando juntou Nelson Freitas, aquele humorista do Zorra Total, um punhado de atores desconhecidos e a narração de Otávio Augusto para filmar quatro contos do autor fluminense. As chances de dar certo, convenhamos, eram muito pequenas. Estão todos um pouco perdidos, sem ritmo. Como a interpretação é um jogo e depende de todo o elenco, o resultado é muito fraco. As atuações não rendem o suficiente para prender o espectador, apesar do humor ferino e moderno de Machado de Assis.

No roteiro, quatro leitores em quatro épocas diferentes deixam o texto do escritor interferir em suas vidas. Mas faltou capricho na produção. Parece que tudo foi feito depressa demais, como se a areia da ampulheta estivesse se esvaindo rapidamente. As histórias paralelas são fracas e desinteressantes, em um forte contraste com o conteúdo das narrativas escolhidas.

É, Machadão... Ainda não foi dessa vez!

PS: escrevi também uma resenha sobre o mesmo filme no site da revista M... Foi a minha estréia como crítico de M... Para a versão fecal, de abordagem diferente, basta clicar no link do post abaixo!

3 comentários:

Kamila disse...

Dudu, como não gosto do Nelson Freitas, ficarei longe deste filme.... Por falar em Machado de Assis, está assistindo "Capitu"? Se sim, o que tens achado???

Vulgo Dudu disse...

Kamila, eu assisti a alguns minutos. Eu tenho uma opinião particular sobre esse diretor. Eu acho que ele faz obras belíssimas esteticamente, mas que são muito mal montadas, um porre de assistir! Acho os roteiros dele bem confusos e dispersivos. Mas que tem um capricho estético pouco visto na TV, isso tem!

Bjs!

Kamila disse...

Dudu, eu assisti a toda a microssérie e acho que ela foi de encontro à sua definição sobre o trabalho do Luiz Fernando Carvalho: linda esteticamente, mas confusa, mal montada demais. Beijos!