sexta-feira, novembro 14, 2008

#86 - Fearless Freaks, de Bradley Beesley


Os Flaming Lips elevam o conceito de música a impressionantes patamares sensoriais. A primeira vez que eu escutei a banda tocando "She don't use jelly", talvez o grande hit, fiquei completamente hipnotizado com os timbres dissonantes e a voz inconfundível de Wayne Coyne. Já era fã. Pouco tempo depois, pude vê-los na TV, durante um show. E aí a coisa ficou mais séria. Um show dos Flaming Lips não respeita o conceito universal do que deve ser uma apresentação musical. É lindo!


O documentário Fearless Freaks, dirigido por um grande amigo de Wayne, Bradley Beesley, é um dos melhores registros da trajetória de uma banda que eu já vi. Desde o início das atividades do grupo, no começo da década de 80, até os dias atuais, está tudo documentado: os bons e os maus momentos. Inclusive, os péssimos momentos com as drogas, que quase levaram a banda à extinção. Em uma das cenas mais chocantes, Steven Drozd, baterista e multi instrumentista, se deixa filmar consumindo heroína.

O título do filme faz referência a um time de futebol americano de quintal que Wayne, seus irmãos e seus vizinhos montaram. Jogavam para valer, sem proteções e sem medo de contusões. O mesmo acontece com o Flaming Lips. Eles nunca tiveram medo de arriscar. A experimentação musical sempre esteve presente na sonoridade. Prova disso é que a banda acostumou-se a remar contra a maré do sucesso fácil, preferindo ousar em projetos interessantíssimos. Por exemplo, o Parking Lot Project, no qual centenas de pessoas ganhavam uma fita K7 e um minisystem cada. Depois, recebiam instruções de quando apertar o play. Dessa forma, como maestros, Wayne e seus colegas praticamente regiam uma espécie de orquestra nada convencional. Outro projeto ousado, mas apoiado pela gravadora, foi o Zaireeka: um álbum gravado em quatro CDs. Porém, para escutá-lo na totalidade, era preciso tocar todos de uma vez, pois cada um continha apenas um instrumento.

Como já disse, os shows são uma atração à parte. É uma espécie de celebração. As inserções teatrais são tantas, que levaria dezenas de parágrafos para listá-las. Durante o péssimo festival Claro Que é Rock, aqui no Rio, alguns espectadores foram sorteados para participar da apresentação do Flaming Lips diretamente do palco. Todos devidamente vestidos em trajes de bichinhos felpudos. Deu para entender?

Prato cheio para os fãs da banda. Dica quente para quem não conhece. É impossível ficar indiferente perante os Flaming Lips...

5 comentários:

Kamila disse...

Apesar de não conhecer quase nada a respeito do Flaming Lips, adoro documentários musicais. Sempre que tenho a oportunidade de assistir a um filme assim, não perco a chance! :-)

Bom final de semana!

Kau disse...

Dudu, sou uma negação para música estrangeira, hahahahahaha. Não conheço quase nada, mas me interessei por essa e vou baixar algumas canções...

Abraços.

Sérgio Déda disse...

Não tinha conhecimento deste documentário nem dessa banda hehehe

vlws

Vulgo Dudu disse...

Kamila, se você gosta de documentários musicias, não pode perder esse filme - mesmo que não venha a gostar da banda depois de conhecê-la melhor. É sensacional!

Kau, vale a pena! No texto tem um link pro videoclipe de "She don't use jelly", que foi a canção que os tornou conhecidos.

Sérigo, Flaming Lips é um pouco desconhecida mesmo... Talvez por isso: são extremamente experimentais, circenses, loucos. Ou seja, fantásticos.

Bjs e abs!

Roberto Blatt disse...

Onde encontro um dowloand legendado, amigos?