domingo, outubro 19, 2008

#79 - The boss of it all (Direktøren for det hele), de Lars Von Trier


Um dos diretores responsáveis pelas mais provocativas produções cinematográficas do nosso tempo resolveu atacar de comédia. Depois de filmes furiosos, densos e pesados, Lars Von Trier aparece com um criativo roteiro sobre um empresário que, inseguro em se apresentar aos funcionários de sua empresa como o chefe de tudo, contrata um ator para se encarregar da função.

Claro que, tratando-se de Lars Von Trier, The boss of it all não podia ser uma simples comédia. Ele gosta mesmo é de obstruir o trabalho de direção, discutir arte, propor novos caminhos. Portanto, para capturar a ação das personagens, o dinamarquês utilizou-se de uma técnica batizada como Automavision. Funciona assim: um programa de computador seleciona, randomicamente, os enquadramentos, os cortes e os movimentos de câmera, fazendo com que o diretor perca o controle sobre o que será filmado.

Ou seja, os atores são enquadrados pela metade e há cortes bruscos para câmeras apontadas para onde não há ação. E o mais bacana, sem exagero algum, é que tudo isso faz sentido. Genial!

As razões para se utilizar do tal recurso são as mais diversas. Em primeiro lugar, o argumento do filme, que fala sobre a perda de controle de um executivo sobre seus empregados, e sobre a dificuldade das relações que envolvem o ser humano. Depois, a discussão da valorização do homem como sujeito produtor de arte, uma vez que o computador, nesse caso, poderia ser creditado como co-diretor. E mais: o verdadeiro exercício cinematográfico, proposto a ser executado com limitações técnicas, mas com prudência intelectual - o mesmo que é sugerido por Von Trier no ótimo The five obstructions, documentário ficcional no qual um diretor precisa filmar um roteiro cinco vezes, sempre com uma obstrução diferente.

Filmaço, fortemente recomendado para quem curte novas experiências estéticas.

9 comentários:

Kamila disse...

Eu gosto de novas experiências estéticas e, principalmente, gosto dos filmes do Von Trier. Não conhecia o longa postado e fiquei super interessada em conferir "The Boss of It All".

Kau disse...

Dudu, é impressão minha ou Lars é um gênio?

Boa semana! Abs.

Sérgio Déda disse...

Tá aih... vou botar na minha lista... preciso inclusive conhecer mais deste diretor...

vlws

Alex Gonçalves disse...

Eu adorei os três filmes que vi até agora de Von Trier, mas eu sempre desisto de locar este "O Grande Chefe" quando vou à locadora.

Vulgo Dudu disse...

Kamila, vale muito a pena! Me parece, segundo o comentário do Alex, que já tem em DVD nacional... Eu aluguei em área 1, já que nem pra baixar eu achei!

Kau, acho que é gênio mesmo...

Sérgio, não tem nada a perder. Von Trier tem um monte de filmes bacanas!

Alex, se eu fosse você, dava uma chance. E você consegue ele em área 4? Porque a minha experiência foi meio esquizofrênica: áudio em dinamarquês e legendas em inglês! rs...

Bjs e abs!

Ramon disse...

Poxa, tá anotadassa a dica! Mas acredito que não seja fácil encontrar o filme.

Ah... quero ver logo!

Putz! Rsrs!

Rafael Carvalho disse...

Dudu, adoro o cinema do Von Trier e com certeza o cara é um dos grandes cineastas de nosso tempo. Lembro até hoje do impacto que foi ver Dogville, sua obra-prima. Mas esse O Grande Chefe não desceu de forma nenhuma. Essa coisa de ser despretencioso me pareceu conversa fiada só para ela fazer uma coisainha diferente com ares de cult. Mas achei o filme sem foco, vazio, histérico, não tem um pingo de graça, é mal atuado e aqueles enquadramentos são muito toscos, não vi muito sentido naquilo não. Tá certo que a idéia era ficar mesmo desproporcional e "desarrumado", mas me pareceu mais afetação do que gênio criativo. Pra mim, é a bola fora do Lars, que deve nos presentear com boas coisas num futuro próximo, assim espero.

Kamila disse...

Nem sabia que tinha sido lançado em DVD, então, vai para a minha listinha de filmes para assistir.

Beijos!

Vulgo Dudu disse...

Ramon, me parece que já está nas locadoras... Eu aluguei em área 1, mas acho que já tem em área 4...

Rafael, entendo o que você quer dizer, mas eu discordo de você, cara. E nem acho que há tom despretensioso. Pelo contrário, há pretensão de se fazer uma comédia. Porém, uma comédia que provoque, que não seja mero pastiche. Tem muita comédia boa em que o riso não é solto - o caso dessa. E acho que o Automavision contribui para dar coesão a uma linguagem cinematográfica que contribui demais com o argumento. Mas é assim mesmo, o cara gosta de provocar...

Kamila, vai na fé!

Bjs e abs!