terça-feira, outubro 28, 2008

Luz, câmera... canção! - King Missile

King Missile é a banda do escritor John S. Hall, que é famoso por suas prosas e poesias pouco convencionais, mas muito criativas. Inicialmente, o grupo o acompanhava em saraus. Porém, suas apresentações eram tão boas que o negócio foi ficando mais sério.

Como se não bastassem as letras sensacionais, o instrumental do King Missile também é muito bom, como você vai poder conferir aí embaixo, no clipe de "Detachable penis". Me diz se o argumento não vale um filme?

Um sujeito tem o penis destacável. Um dia, ele acorda de ressaca após uma festança e percebe que o dito cujo não está no lugar. Como não consegue se lembrar o que aconteceu, sai em busca do membro. Se tem uma música na qual vale a pena prestar atenção na letra, é essa!



Eu poderia colocar aqui vários videos do King Missile. Todos são cinematográficos! Por exemplo, "Socks", na qual um homem se enfurece ao perceber que tem meias demais. Mas tem um que vale, e por isso a seção vai ser dupla. Trata-se da pequena homenagem que ele fez ao cineasta Martin Scorsese. Na letra, o que ele faria se encontrasse o cara na rua. Como o blog é sobre cinema, vem bem a calhar.

domingo, outubro 26, 2008

#81- Ascensor para o cadafalso (Ascenseur pour l'échafaud), de Louis Malle


Sempre escutava elogios rasgados ao clássico noir Ascensor para o cadafalso, obra-prima de Louis Malle - com trilha sonora classuda de Miles Davis e interpretação estonteante da musa do cinema francês, Jeanne Moreau. E, agora, faço coro aos predicados.

Malle sempre foi um cineasta para frente, que enxergava além das possibilidades. Contemporâneo de Truffaut e Godard, nunca teve seu trabalho, de fato, enquadrado na nouvelle vague, pois fugia de amarras estéticas que pudessem limitar sua obra. É conhecido por fazer um cinema live. E foi com essa pérola que, no final da década de 50, ganhou notoriedade internacional.

O roteiro é fantástico. Um sujeito trama com sua amante o assassinato de um grande empresário. Patrão do primeiro, esposo da segunda. Porém, um mero detalhe após a execução do plano cria uma avalanche de desencontros e situações inesperadas. A fotografia que recheia isso tudo é outro ponto forte. Paris, em preto e branco, acaba se tornando mais uma personagem, que joga em perfeita sintonia com uma Jeanne Moreua sem maquiagem, in natura, melancólica, vagando pelas ruas da cidade. E tudo isso embalado pela música de Miles Davis, que merece um parágrafo só para ela.

A trilha sonora é realmente incrível. Casa perfeitamente com a ação, tornando-se uma atração à parte. Reza a lenda que Davis gravou tudo em apenas algumas horas, de 11 da noite até 5 da manhã, em um quarto de hotel. Enquanto compunha, sorvia champanhe com Malle e Moreau. Deve ter sido divertido!

Filmaço! Entra facilmente para a lista dos favoritos...

sexta-feira, outubro 24, 2008

Meme - Os 10 piores!

Esse negócio de meme está na moda! O camarada cinéfilo Sérgio, do ótimo Blog dos Cinéfilos, me passou o seguinte: listar os dez filmes que eu mais execro. Como eu até gosto de filmes ruins, mas ruins de verdade, quando não se levam a sério, a tarefa foi um pouco difícil.

Resolvi listar os dez petardos que quando viram assunto em rodas de conversa, normalmente regadas a chope, tornam a prosa tensa. As justificativas, é claro, não podiam ficar de fora! Em ordem aleatória, são eles:

1 - Crash, estranhos prazeres, de David Cronemberg
Estranho mesmo é gostar dessa obra esquisita de David Cronemberg, um diretor que na minha opinião tem altos e "valas". Essa é a vala dele. Ok, sexo desregrado é divertido. Mas cicatrizes, traumatismos e pernas mecânicas servindo de fetiche é um pouco demais. E pode confundir com aquele outro Crash, que ganhou o Oscar, pois ele é o próximo da lista.

2 - Crash, no limite, de Paul Haggis
Já comentei sobre esse filme, aqui. Orçamento milionário, atores badalados e uma enxurrada de clichês inesgotáveis. Quase tudo soa piegas e forçado nesse Crash. Não é à toa que ganhou o Oscar.

3 - Titanic, de James Cameron
Eu não vi Titanic nos cinemas porque tinha mais o que fazer. Deixei pra ver em casa, no videocassete, relaxado no sofá. Resultado: dormi nos primeiros dez minutos. Acordei no meio e o navio ainda não tinha afundado. Pedi: me acordem quando ele bater no iceberg, por favor. Fui despertado nos dez minutos finais da fita. E, impressionantemente, parecia que eu havia visto o filme inteiro! Não é à toa que ganhou o Oscar?

4 - Forrest Gump, de Robert Zemeckies
Para a opinião geral, cinéfilo que não gosta de Forrest Gump é tão ignorante quanto músico que não gosta de Chico Buarque. Perdi as contas de quantas vezes fui hostilizado por isso. Porém, essa fórmula estadunidense de produzir sucessos de bilheteria com dramalhões sobre superação de protagonistas deficientes não dá. Não mesmo! Ops: não é à toa que ganhou o Oscar?

5 - O sexto sentido, de M. Night Shyamalan
Odeio filme de fantasma. E pior que fantasma, só mesmo crianças fantasmas - elemento que, depois de O sexto sentido, foi exaustivamente explorado nas telas. Tudo um saco.

6 - O retorno da múmia, de Stephen Sommers
Eu não sei onde estava com a cabeça quando resolvi ir na onda de uns amigos e fui ver O retorno da múmia. Aquela máxima que efeitos especiais escondem falhas de direção e roteiro aqui é comprovada. Constrangedor.

7 - Jurassic Park, de Steven Spielberg
Mais chato do que dinossauros, só mesmo o ciclo reprodutivo dos protozoários. Só faltou serem inteligentes. E aí teríamos títulos como Um T-Rex da pesada, Um tiranossauro muito louco, A turma do brontossauro.

8 - Cidade dos anjos, de Brad Silberling
É quase regra: filmes com Meg Ryan não são legais. Cidade dos anjos é uma afronta ao original, Asas do desejo, de Wim Wenders.

9 - Amor nos tempos do cólera, de Mike Newell
Nem vale a pena me estender escrevendo sobre este que é um dos piores filmes que eu já vi! Tem resenha por aqui. Espinafrei mesmo.

10 - Moulin Rouge, de Baz Luhrmann
Se direção de arte bastasse para fazer um bom filme, até que Moulin Rouge seria mediano. O filme é chato e cansativo, com aquela aura de videoclip interminável da MTV. Uma mistura pop toda desengonçada. Os números musicais são constrangedores: o que é Ewan McGregor cantando?

Pronto. Como eu sei que alguns filmes supracitados são adorados pela maioria, favor pegar leve na hora de me xingar, ok? Quem quiser fazer a própria lista, fique à vontade!

quinta-feira, outubro 23, 2008

#80 - A noiva do monstro (Bride of the monster), de Ed Wood


Conhecido por ser o pior cineasta do mundo pela excentricidade de suas produções, Ed Wood acabou virando celebridade anos depois de sua morte. O reconhecimento, ainda que no terreno da chacota, é valido - afinal, tem que ter muita criatividade para produzir pérolas como Plano 9 do espaço sideral e Glen ou Glenda.


A noiva do monstro não foge à regra. Argumentação confusa, atuações medianas - com exceção do lendário e realmente bom Bela Lugosi -, cenários escassos e diálogos desnecessários. E ainda assim, o filme tem lá seu charme.

O roteiro conta a história de um cientista louco (precisa dizer quem o interpreta?) que planeja criar uma horda de homens com super força. Seus experimentos com seres humanos, porém, enfrentam um pequeno problema técnico: todos que são submetidos aos seus raios atômicos, morrem... Uma repórter vai atrás da história depois de relatos de um monstro rondando a região, que coincide com o desaparecimento de 12 pessoas. A trama é tão enrolada que chega a ser difícil resumi-la. Doideira!

O filme é fraco. Bem fraco. Vale mais para matar a curiosidade. E para ver o último papel de Bela Lugosi, que viria a morrer no meio das filmagens da produção seguinte de Ed Wood, o divertidíssimo e supracitado Plano 9.

terça-feira, outubro 21, 2008

Meme - vilões!

O também cinéfilo e companheiro de resenhas Kauê, do excelente Cinefilando, propôs que eu escolhesse 10 vilões - cinco calcinhas furiosas e cinco cuecas ordinárias - que marcaramas grandes telas. Tarefa complicada!

Ainda mais porque eu sempre torci para o Gargamel fazer um chá de trombeta com os smurfs, para o Tom cravar os caninos naquele rato metido a sabichão do Jerry, para um dos monstros turbinados pelo Satã-Goss botar no chão o Daileon... Enfim, sou um entusiasta dos antagonistas. Seguem, em ordem aleatória.



Varla (Tura Satana), de Faster, pussycat! Kill! Kill!

Essa aí é o diabo em forma de mulher! Com direito a seios fartos, decote provocante, cintura fina e botas de couro.















Edna (Pat Ast), de Reform school girls

Todo reformatório para garotas que se preze precisa de uma inspetora grande, feia e com ar de sargentona. Pat Ast, com seus métodos nada convencionais, dá conta do recado!














Gogo Yubari (Chiaki Kuriyama), de Kill Bill V.1

Olha o fetiche: japonesa, em trajes colegiais, meias três-quartos e uma bola de metal com espinhos sinistros nas mãos. Gogo é a jovem delinqüente mais estilosa que a mente fértil de Tarantino já produziu.













Beverly R. Sutphin (Kathleen Turner), de Mamãe é de morte

A ex-sexy Kathleen Turner faz de sua mãe serial killer uma das figuras mais adoráveis do cinema underground de John Waters. Matriarca zelosa e preocupada com as quetões ambientais. Porém, mexeu com ela, tá lascado!












Bruxa de Blair

Impressionante como uma vilã que não aparece na tela pode deixar o espetador tenso. Eu me lembro da pré-estréia do filme, meia-noite, cinema cheio. Sinistro! Saímos todos renovados com aquela vontade de pegar uma câmera e fazer um filme.












Darth Vader (David Prowse), de Guerra nas estrelas

De que adiantou creditar David Prowse nos letreiros dos três primeiros episódios de Guerra nas Estrelas? Nem a voz era dele. Pois impactante mesmo é a máscara negra de um dos meus vilões preferidos.













Anton Chigurh (Javier Barden), de Onde os fracos não têm vez

Javier Barden é um dos grandes atores do cinema contemporâneo. E seu vilão não poderia deixar de ser inesquecível. A caracterização de Anton Chigurh, com cabelo tosco e olhos esbugalhados, é assutadoramente perfeita!












Chong Li (Bolo Yeung), de O grande dragão branco

Van Damme teve que cortar um dobrado para vencer Chong Li, o terror dos ringues - sempre enfezado e cheio de marra. Ainda mexia os peitinhos só para tirar onda.














Biff Tannen (Thomas F. Wilson), de De volta para o futuro

Apesar de ter um final melancólico já nos primeiros minutos da trilogia, já que o filme começa no presente, Biff Tannen tem lá seus méritos. Com aquele jeito paspalhão, parvalhão, bobo-alegre, é impossível não criar empatia pelo personagem.












Zé Pequeno (Leandro Firmino), de Cidade de Deus

Dadinho é o caralho! O nome dele é Zé Pequeno, porra! O trabalho de Leandro Firmino é impressionante.















É isso aí! Quem quiser seguir o meme, fique à vontade. E me chame pra ver como ficou a lista.

domingo, outubro 19, 2008

#79 - The boss of it all (Direktøren for det hele), de Lars Von Trier


Um dos diretores responsáveis pelas mais provocativas produções cinematográficas do nosso tempo resolveu atacar de comédia. Depois de filmes furiosos, densos e pesados, Lars Von Trier aparece com um criativo roteiro sobre um empresário que, inseguro em se apresentar aos funcionários de sua empresa como o chefe de tudo, contrata um ator para se encarregar da função.

Claro que, tratando-se de Lars Von Trier, The boss of it all não podia ser uma simples comédia. Ele gosta mesmo é de obstruir o trabalho de direção, discutir arte, propor novos caminhos. Portanto, para capturar a ação das personagens, o dinamarquês utilizou-se de uma técnica batizada como Automavision. Funciona assim: um programa de computador seleciona, randomicamente, os enquadramentos, os cortes e os movimentos de câmera, fazendo com que o diretor perca o controle sobre o que será filmado.

Ou seja, os atores são enquadrados pela metade e há cortes bruscos para câmeras apontadas para onde não há ação. E o mais bacana, sem exagero algum, é que tudo isso faz sentido. Genial!

As razões para se utilizar do tal recurso são as mais diversas. Em primeiro lugar, o argumento do filme, que fala sobre a perda de controle de um executivo sobre seus empregados, e sobre a dificuldade das relações que envolvem o ser humano. Depois, a discussão da valorização do homem como sujeito produtor de arte, uma vez que o computador, nesse caso, poderia ser creditado como co-diretor. E mais: o verdadeiro exercício cinematográfico, proposto a ser executado com limitações técnicas, mas com prudência intelectual - o mesmo que é sugerido por Von Trier no ótimo The five obstructions, documentário ficcional no qual um diretor precisa filmar um roteiro cinco vezes, sempre com uma obstrução diferente.

Filmaço, fortemente recomendado para quem curte novas experiências estéticas.

domingo, outubro 12, 2008

#78 - Team America: World Police, de Trey Parker


Ah, que bonitinho! Um filme com marionetes!

Bem poderia ser um mimo, se os criadores de Team America: World Police não fossem Trey Parker e Matt Stone, os responsáveis pelo humor nada correto de South Park. Agora eles atacam o estilo de vida estadunidense com um filme sobre uma instituição que usa as cores dos Estados Unidos e luta exclusivamente contra terroristas do mundo todo. Exatamente o que o presidente daquele país convenhou chamar de "cruzada contra o terror". Sendo assim, o que você vai ver na tela são maquetes das principais capitais mundias explodindo, bonecos sendo esquartejados e muitos diálogos politicamente incorretos.

Se em South Park a bola da vez era Saddam Hussein, uma vez que o trauma recente dos estadunidenses era a Guerra do Golfo, dessa vez eles pegam como Judas o líder da Coréia do Norte, Kim Jong II - o sujeito que, depois do 9/11 (ou 11/9, pra gente), se tornou a grande ameaça ao solo ianque.

No roteiro, um ator da Broadway, com sua habilidade interpretativa, é a única esperança para que o grupo consiga se infiltrar na organização de Kim Jong II e roubar informações sobre os próximos ataques. O líder coreano consegue o apoio de um a comissão de artistas de Hollywood, e aí sobra até para os pacifistas. O boneco de Alec Baldwin capitaneia uma cruzada contra o Team America e seus métodos destrutivos e nada convencionais. Sobra para Matt Damon, George Clooney, Helen Hunt e Sean Penn - esse último, furioso, chegou a escrever para Trey Parker reclamando.

O problema é que o filme não tem um ritmo bom. As piadas vão perdendo a graça e o entusiasmo com as situações bizarras envolvendo os bonecos também vai se esvaindo. Lá pela metade final já não se acha tanta graça assim. Tratando-se da dupla Parker/Stone, eu esperava bem mais.

Os bonecos, realmente incríveis, são fruto do maravilhoso trabalho dos Irmãos Chiodo - responsáveis pela pérola Killer clowns from outter space. São inspirados na antiga série de TV dos anos 60, Thunderbirds. É o que há de melhor no filme!

segunda-feira, outubro 06, 2008

#77 - O sonho de Cassandra (Cassandra's dream), de Woody Allen


Enquanto a massa se estapeia na tentativa de conseguir um mísero ingresso para o novo filme de Woody Allen, em cartaz no Festival Internacional do Rio, eu, do conforto do meu sofá, confiro o filme que fez a mesma massa se estapear - e pelo mesmo motivo - no ano passado. Não tenho mais paciência, e muito menos tempo, para enfrentar tarefas hercúleas.

Os ares londrinos fizeram bem a Allen. O sonho de Cassandra é mais uma produção que foge da comédia com requintes neuróticos. O roteiro conta a história de dois irmãos em busca da emancipação financeira. Um deles, Ewan McGregor, é ambicioso e visionário. O outro, Colin Farrell, surpreendentemente excelente na tela, é viciado em jogo e parece não ter muitos planos para o futuro. Tudo muda quando um tio rico, estabelecido nos Estados Unidos, chega à cidade.

Seria o tio a Cassandra? Se não, que outro personageriam poderia ser? Imagino que muita gente tenha tentado resolver a questão: qual a ligação do filme com a mitologia grega?

O tal sonho de Cassandra se refere ao nome de um barco comprado pelos irmãos. Na mitologia, Cassandra é a portadora de más notícias, pois é uma profeta amaldiçoada para que ninguém acredite em suas palavras. Acaba antevendo a guerra de Tróia, mas nada pode fazer. Dados os dois significados, sinceramente, não consigo fazer uma ligação entre um e outro. E também nem vou ficar tentando. Me limito a dizer o seguinte: a grega é uma tragédia; e o que acontece no filme também é uma tragédia.

O sonho de Cassandra está longe de ser o ápice de Allen. Porém, ainda assim prende o espectador e fornece entretenimento de alta qualidade. É um filme muito bem produzido e cuidadosamente montado. Vale a pena.

Mas não precisava ter se estapeado...

quinta-feira, outubro 02, 2008

Luz, câmera... canção! - Wolf Parade

A banda canadense Wolf Parade, além do bom gosto para a música, tem bom gosto para os videoclipes.

Prova disso é a animação em stop motion da bela e angustiante canção "Modern world", que conta a história de uma fábrica que passa pelo processo de automação. No lugar de funcionários, máquinas. Nem a banda escapa. O argumento lembra um pouco o célebre Tempos modernos, de Chaplin.

I'm not in love with the modern world - canta o Wolf Parade. É lindo!