quinta-feira, setembro 11, 2008

#71 - American hardcore, de Paul Rachman


Música pode ser uma sopa de letrinhas. São tantos os estilos e vertentes, que de vez em quando fica difícil acompanhar os rótulos midiáticos. Porém, o bom e velho hardcore ganhou um documentário só dele - esse aí do lado, American hardcore -, que explica melhor o que foi o movimento que, em meados dos anos 80, influenciou tantos outros.

Se o punk foi o do it yourself que se aplicava à cena cultural inglesa, o hardcore funcionou como a versão estadunidense desse esquema. Com variações, é claro. Trazendo à tona a dura realidade da classe média e dos subúrbios, a recessão e o governo de Ronald Reagan, as músicas eram mais velozes, furiosas e contestadoras. As letras, mais politizadas e provocativas. As apresentações, mais vigorosas e violentas. Stage diving (o famoso "mergulho" do palco para a platéia) e rodas de briga eram comuns e faziam parte do show. E congregavam moleques de 15 anos.

Moleques esses, de 15 anos, que formavam bandas em qualquer pocilga em que coubesse, ou não, um baixo, uma guitarra e uma bateria. O documentário do diretor Paul Rachamn tem material de pesquisa rico para quem curte o som. Apresentações e depoimentos de bandas como Bad Brains, Black Flag, TSOL, Minor Threat, D.O.A. e Flipper ajudam a dar forma a uma espécie de aula de música, com direito a dados estatísticos e geográficos, onde o assunto é o hardcore.

Eu era um desses moleques de 15 anos,tempos depois do ápice do movimento, de pernas lisas e espinha na cara, trancado no quarto ouvindo Dez Cadena, do Black Flag, berrar "I'm not a machine!" no último volume! Por isso, o filme me agradou muito! Porém, é preciso reconhecer: o argumento da película é hermético, focado inteiramente na ascensão e na queda do hardcore, o que pode desagradar quem não curte tanto esse estilo de som.

6 comentários:

Ricardo Cezar disse...

Esse eu preciso ver de qualquer jeito! Eu não só fui um desses moleques (também bem depois do ápice) como me meti numa banda punk e fui tocar em tudo quanto é possilga do Rio e até algumas de SP e interior de SP. Época bacana!

Kamila disse...

Não gosto muito de hardcore, mas este documentário parece ser interessante!

Bom final de semana!

Pedro Henrique disse...

Meu irmão adora este documentário e vive dizendo para eu ver, só que eu não gosto do estilo de som. Já tenho que aturar ele ouvindo isso o dia inteiro...rsrsrsrs.

Abraço, Dudu!

Vulgo Dudu disse...

Ric-o, eu bem sei que você era um desses. E continua sendo, né? Assim como eu também continuo sendo. Inclusive, a gente tocou em umas belas pocilgas também, hein?

Kamila, se você é uma pessoa curiosa, vai gostar. Mas não há nada de empolgante no doc que não seja música. Por isso que digo que acho difícil quem não curte o som gostar tanto assim.

Pedro Henrique, quando eu morava com meus pais, meu irmão sofria como você. Escutava por tabela as minhas músicas. E eu não perdoava os ouvidos dele... hahaha!

Bjs e abs!

Pedro Henrique disse...

É o que o "infeliz" faz comigo. Mas eu incomodo ele com minhas músicas também, hehehehe!!!!Incomodo em dobro, porque acho que só eu gosto das músicas que eu escuto.

Vulgo Dudu disse...

Cara, agora eu fiquei curioso... rs... Quais s"ao as músicas que só você gosta?

Abs!