terça-feira, setembro 02, 2008

#69 - Control, de Anton Corbjin


Tão bom quanto ouvir Joy Division é também poder ver a banda em ação - ainda que seja em um filme, com atores. O bom é que Control remonta com perfeição e lirismo a curta, conturbada e profusa vida do vocalista e front man Ian Curtis que, aos 23 anos, pôs fim à vida precocemente e encerrou os trabalhos de um dos grupos mais criativos e badalados do final dos anos 70.

Vivendo um relacionamento instável, casado com apenas 18 anos de idade, com uma filha pequena para criar e vítima de ataques epilépticos, a vida de Curtis não era nem um pouco colorida. Sendo assim, suas letras e composições seguiam o mesmo esquema. Por isso mesmo, a caprichadíssima fotografia de Control é toda em preto e branco, tornando o fotograma ainda mais fiel ao som do Joy Division: cinza, simples e direto.

O roteiro abrange desde as influências musicais de Curtis, ouvindo muito Bowie, até as últimas turnês pela Europa. Ao longo do filme, diálogos e ações vão contextualizando a gênese de clássicos da banda, como "She's lost control" e "Love will tear us apart". Todas as angústias e conflitos são tratados sem exageros, na medida certa para não extrapolar o limite entre o biográfico e o ficcional.

As interpretações são impressionantes. Em primeiro lugar, a semelhança física dos atores com os integrantes da banda original é espantosa. Para melhorar, todos eles aprenderam a tocar as músicas que fazem parte das cenas de apresentações ao vivo. Destaque para Sam Riley, que faz um Ian Curtis extremamente verossímil. E palmas para o diretor Anton Corbjin.

Aqui está uma das minhas músicas favoritas da banda, "Digital", em uma das melhores performances do filme.

Um belíssimo trabalho, digno do legado sonoro deixado pelo Joy Division.

8 comentários:

Luiz Henrique Oliveira disse...

Tive a sorte de ver esse filme num cinema em SP, porque quase não passou e, mesmo passando, ficou pouco no cartaz. Mas achei o filme impressionante, como biografia musical chega a ser superior a "Ray".

Mas sou suspeito. Adoro Joy Division.

E fiquei estarrecido com o ator que interpreta o Ian Curtis, ficou idêntico. Às vezes dava a impressão de que estava vendo um documentário, rs. Até a fotografia em p&b favoreceu, isso que hoje em dia é sinônimo de retrocesso.

Mas enfim, excelente filme.


P.S.: linkei-te. ;D

Pedro Henrique disse...

Eu passei a ouvir Joy Division após ter visto filme.

Kamila disse...

Não conheço nada de Joy Division (a não ser a canção "Love Will Tear Us Apart"), mas tenho muita vontade de ver "Control" - em parte porque gosto muito dos videoclipes que o Anton Corbjin dirigiu!

Vulgo Dudu disse...

Luiz, eu também sou suspeito, porque adoro Joy Division. Acho que deu para perceber pela resenha, né?

Pedro Henrique, então o filme já valeu a pena. Como disse, o legado sonoro do Joy Division é sensacional!

Kamila, eu recomendo tanto o filme, quanto os discos do Joy Division. "Love will tear us apart" é a mais conhecida mesmo, levanta qualquer pista! Mas há muito mais além dessa...

Bjs e abs!

Mariana Montenegro disse...

Esse filme n passou aqui no Recife =(

adorei seu blog, tb amo cinema! To te favoritando la no meu viu?
mil beijos
;*

Vulgo Dudu disse...

Mariana, aqui no Rio ficou em cartaz pouquíssimo tempo e em pouquíssimos cinemas. Nada que a banda larga não dê jeito. rs... Seja bem-vinda por aqui e espero tê-la novamente visitando o espaço!

Bjs!

Red Dust disse...

Um óptimo filme, com uma bela construção da imagem de quem foi Ian Curtis. Quem já era fã dos Joy Division mais ficou. Quem não era (ou não conhecia) passou a ser...

Abraço.

Sérgio Déda disse...

Quero muito assistir este filme... há muito tempo.. seu texto me animou mais ainda para vê-lo..

vlws