sexta-feira, agosto 29, 2008

#67 - O médico e o monstro (Dr. Jekyll and Mr. Hyde), de Rouben Mamoulian


O bem e o mal sempre convivem em conflito. Tema para novelas, filmes, livros, dogmas, filosofias e até para desenhos animados. O mito do médico e do monstro, do homem que se transforma em uma criatura odiosa, livre das amarras e do decoro impostos pela sociedade, foi o argumento explorado pelo escritor escocês Robert Louis Stevenson na obra "The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde", publicada em 1886 - faz tempo! A história ganhou diversas adaptações. Uma delas, para as telonas, foi justamente esta: O médico e o monstro de Rouben Mamoulian, filme de 1931.

O roteiro é quase fiel ao original. O altruísta e renomado cientista Dr. Jekyll é desacreditado pela comunidade científica quando propõe que o ser humano pode ser dividido em dois: o bom e o mau. Separando um lado do outro, seria possível alcançar a plenitude e a felicidade. Sofrendo por não ter o consentimento de se casar com a filha de um general, acaba acelerando o processo para descobrir a fórmula que vai provar sua tese. E, claro, serve de cobaia. Acaba se transformando em Hyde, uma espécie de monstro que não segue a etiqueta. O que fica explícito no filme inteiro é a angústia do homem em reprimir os seus sentimentos, pressionado por idéias pré-concebidas. Jekyll é o apolíneo, belo e correto. Hyde é o dionisíaco, perverso e hedonista. Um sente remorso e o outro, rancor.

Para uma produção de 1931, até que O médico e o monstro cumpre sua finalidade de ser assustador. É possível perceber na película certa influência do expressionismo alemão - corrente cinematográfica que filmou clássicos da ficção e do horror -, como a ação fechada nos rostos, abusando da expressão facial. A trilha sonora erudita também é recurso amplamente utilizado. Naquela época também havia efeitos especiais! A maquiagem no protagonista, o excelente Fredric March, era tão pesada, que quase danificou o seu rosto. Filtros são utilizados para caracterizar a transformação de Jekyll em Hyde.

No DVD, duplo, ainda há a versão de 1942, com Spencer Tracy e Ingrid Bergman. E, de quebra, o episódio do Pernalonga em que o coelho é adotado por um médico. Ninguém menos que o Dr. Jekyll!

6 comentários:

Ramon disse...

Muito legal esse DVD duplo. Fiquei com vontade de adquiri-lo.

Quando encontrar não vou bobear.

Abs!

Kamila disse...

Que texto ótimo, Dudu! Mais um dos filmes resenhados aqui que eu nunca tive a oportunidade de assistir!

Bom final de semana!

Rafael Carvalho disse...

Velho, eu nunca vi esse filme, mas me lemvro que quando li o livro fiquei bastante impressionado. Gostaria muito de ver esse filme, principalmente por você ter dito que parece bem fiel ao texto original.

Pedro Henrique disse...

Eu nunca vi esse filme. Uma vergonha para mim, que digo ver tantos clássicos...

Abraço!

Vulgo Dudu disse...

Ramon, o mais legal é que custou apenas R$ 9,90 - numa daquelas promoções das Americanas.

Kamila, obrigado! Esse nem é difícil de achar, hein...

Rafael, a essência do livro está toda lá. Se você curitu o escrito, provavelmente vai adorar o filmado.

Pedro Henrique, esse é clássico mesmo. Feito pouco depois da chegada do som ao cinema. É uma obra impressionante. Recomendo!

Pessoal, bjs e abs!

r.w disse...

nossa, acabei de ver esses filmes todos.