segunda-feira, agosto 04, 2008

#62 - Sonata de outono (Höstsonaten), de Ingmar Bergman


Eu fujo de dramalhões que têm intrigas familiares, doentes terminais, revelações bombásticas, gritarias e escândalos. A não ser que o diretor seja Ingmar Bergman, um de meus favoritos, mestre em filmar a psiquê humana em todos os seus detalhes, com tons de crueldade ou simplicidade.

É preciso transitar com facilidade pelo cinema dito erudito para encarar um Sonata de outono. Apesar de ser um dos filmes menos simbolistas do mestre sueco, ainda assim traz uma carga emocional bastante pesada, que não poupa o espectador de testemunhar o estrago que uma relação mal resolvida entre mãe e filha pode proporcionar.

Após a morte de seu companheiro, uma famosa pianista viaja até a casa de sua filha, no interior. Lá, uma complexa teia de acontecimentos vai gerando pequenos conflitos, que culminam em uma delicada e explosiva reflexão sobre os valores familiares. Nos papéis de mãe e filha estão, respectivamente, Ingrid Bergman (em seu primeiro trabalho com o diretor de mesmo sobrenome) e Liv Ullmann - duas atrizes espetaculares em atuações realmente impressionantes.

O capricho de Bergman com roteiro, fotografia, direção de arte, montagem e tudo o mais está lá. Porém, o que impressiona mesmo em Sonata de outono é a simplicidade com a qual o diretor transforma um drama de contornos exagerados em um verdadeiro estudo reflexivo. Um roteiro sem exageros, sem furos, sem clichês. Perfeito.

Filme de verdade!

13 comentários:

jeff disse...

infelizmente, do bergman só vi 'persona' e foi uma das melhores experiências que já tive ao assistir um filme. preciso corrigir isso.

sonata de outono será o próximo. xD

Kamila disse...

Já ouvi falar de "Sonata de Outono", mas nunca assisti ao filme. Seu maravilhoso texto me deixou com vontade de conferir o longa.

Só de curiosidade: Ingrid Bergman é parente de Ingmar Bergman ou isso é só uma coincidência??

Beijos!

Pedro Henrique disse...

Tenho dívida com o cinema de Ingmar Bergman, Sonata de Outono é um dos que não vi.

Kamila, é só coincidência(ambos são naturais da Suécia)!!!

Kamila disse...

Valeu, Pedro! Não sabia disso!!!

Vulgo Dudu disse...

Jeff, outros filmes do Bergman são igualmente ou mais marcantes que Persona. É um universo que vale a pena ser explorado!

Kamila, valeu pelo elogio! O Pedro Henrique já tirou a sua dúvida, né? De repente eles são primos distantes... rs...

Pedro Henrique, vale a pena quitar essa dívida, hein? rs...

Bjs e abs!

Ramon disse...

Você está me provocando falando tanto do Bergman. Vou ter que me interar de sua obra.
Além do Sétimo Selo, que tenho aqui, o quais outras grandes obras (só umas 4) você me indica, na respectiva ordem?

Ah, e seu texto está muito bom, mesmo!

Abs!

Vulgo Dudu disse...

Ramon, vamos lá! Eu recomendo:

- Gritos e sussurros
- Persona
- Fanny e Alexander
- Morangos silvestres

E, claro, Sonata de outono!

Abs!

Cine Carranca disse...

Caro Dudu, nunca vi o filme, talvez ate seja bom....

Mas será que pode vir alguma coisa boa de Ingmar Bergman???

Vulgo Dudu disse...

Amigo Carranca, para responder tal questão, sugiro refletirmos sobre a produção artística de toda a Suécia, reformulando a questão para "será que pode vir alguma coisa boa da Suécia?".

Bem-vindo por aqui! Abs!

Rafael Carvalho disse...

Bergman é uma de minhas paixões no cinema e Sonata de Outono é um filmaço. Como você disse, com muito pouco Bergman diz muito sobre as relações familiares, sobre a maternidade e sobre o perdão, daquele jeito minimalista que ele sempre conseguia pôr em seus filmes. Ingrid Berman e Liv Ullman dão uma verdadeira aula de interpretação e aquela cena das duas tocando ao piano não sai de minha cabeça!

Gabriel Melani disse...

Eu queria dar uma sugestao de post, mas não consegui encontrar seu e-mail no blog então vou
postar aqui mesmo :) Eu achei uma lista com 10 melhores filmes de todos os tempos de acordo com o IMDB
e gostaria que vc desse uma olhada e talvez postasse no blog pra galera discutir. Vale a pena ver
Toma aí o link: http://www.weshow.com/top10/pt/cinema/top-10-melhores-filmes-de-todos-os-tempos

Vulgo Dudu disse...

Rafael, partilhamos o mesmo apreço pela obra do Bergman. A mim, o que mais impressiona é a aura de obra de arte que ele consegue com seus filmes. É a tal da sétima arte...

Gabriel, tenho uma idéia melhor: por que você não posta aqui a tal lista dos 10 melhores? Assim, a gente não precisa abrir o link do Weshow.

Abs!

Gustavo H.R. disse...

Concordo com a opinião do texto. O modo como Bergman enquadra suas atrizes na tela é impressionante. A força das atuações de Ullmann, Lena Nyman e Ingrid Bergman também o são, assim como a densa carga dramática do longa.
Só vi três filmes do diretor até hoje, mas esse foi o primeiro e segue sendo o favorito.

Cumps.