quinta-feira, junho 26, 2008

#51 - Week-End, de Jean-Luc Godard


Os dias que antecederam os movimentos revolucionários de 1968, na França, foram frutíferos em críticas e teorias sociais. A cultura em muito ajudou a consolidar um pensamento contra um sistema excludente e opressor. Na literatura, Julio Cortázar era uma espécie de norte. Tanto que, nos cinemas, foi amplamente adaptado. Seu conto "A autopista do sul" deu origem à Week End, densa obra de Godard.

A história é aparentemente simples: um casal ambicioso e inescrupuloso planeja uma viagem ao interior da França, na tentativa de conseguir uma herança. No meio do caminho, encontra estradas completamente engarrafadas, acidentes automobilísticos graves, personagens de histórias infantis e guerrilheiros. O que se segue é uma constante e complexa reflexão sobre o modo de vida burguês e os contrastes sociais sublinhados pela sociedade de classes.

Além do texto afiado, a montagem é incrível e funciona como mola propulsora para toda a ira de Godard. Para se aproximar mais ainda da escrita fluente de Cortázar, há quadros com jogos ortográficos. O filme é recheado de citações a pensadores, cineastas, escritores e artistas que se mobilizaram pela causa. Pouco tempo depois, a resistência francesa ganharia as manchetes.

Godard consegue um filme político, artístico e surreal ao mesmo tempo. Coisa de gênio.

5 comentários:

Pedro Henrique disse...

Fantástico. Quero ver de novo.

Abraço!

Kamila disse...

Dudu, é muito difícil fazer um filme ruim tendo como base um conto do Julio Cortázar! Não conhecia essa obra do Godard, mas seu texto me deixou muito interessada nela.

Ramon disse...

Legal!
De Godard só assisti Acossado. Acho que chegou a hora de continuar a conhecer suas obras. Esse filme é uma pedida!
Abraço!

Rogerio disse...

Cara, nunca vi uma obra sequer do Godard. Pena que os filmes sejam tao pouco acessiveis comercialmente.
Odeio ver filme pelo PC.

Vulgo Dudu disse...

Pedro Henrique, eu quero ler o conto "A autoestrada do sui", que deu origem ao filme.

Kamila, de fato, Cortázar influenciou muita gente. Inclusive o Blow up. Esse vale muito a pena!

Ramon, eu não gosto tanto assim de Acossado. Mas este aqui arrebenta!

Rogerio, esse filme é praticamente impossível de achar em DVD. Tem que baixar mesmo... Mas você pode converter pra ver na sua TV!

Bjs e abs!