quarta-feira, maio 21, 2008

#43 - Últimos dias (Last Days), de Gus Van Sant


Não estava na minha lista de compras, mas bastou uma passada pela seção de filmes do supermercado que dei de cara com Últimos dias numa daquelas liquidações de R$ 9,90. Em meio a detergentes, carne moída, iogurte e papel higiênico, coloquei o filme no carrinho e parti em direção ao caixa.

É preciso dizer que não se trata do melhor filme de Van Sant. De jeito nenhum. Até agora, na minha opinião, está entre os mais fracos. Não fosse pela aura superstar de Kurt Cobain e tudo o que o Nirvana representou para mim, provavelmente teria detestado acompanhar os tais últimos dias de um astro do rock proposto pelo diretor.

Em uma produção onde não há roteiro, o capricho inegavelmente fica com a estética bem trabalhada. Fotografia caprichada e enquadramentos que funcionam quase como pinturas estão por todo o filme. Há um apuro na imagem, um cuidado no trato cinematográfico, um capricho nos detalhes.

A preocupação com a estética é tamanha que, prova disso, é a ausência de diálogos e marcações previamente desenvolvidos. A maioria das cenas e todos os diálogos são completamente improvisados. Inclusive, anteriormente, Van Sant planejava usar um ator nórdico, que não falava nada de inglês, para o papel de Blake - o suposto Cobain. Porém, acabou optando por Michael Pitt, que faz um belo trabalho de expressão corporal, se entregando ao personagem.

Não é que seja ruim pra caramba. Eu apenas não o veria novamente.

10 comentários:

Kamila disse...

Gosto muito do Michael Pitt e do Gus Van Sant, mas não suporto esse filme! Acho muito parado, muito enfadonho. Não consegui nem prestar atenção nos aspectos que você elogiou em seu texto.

Rogerio disse...

Caramba Dudu, deixou de comprar as fraldas pra levar essa furada??Que a patroa nao leia esse post neh.. kkkk

Bom feriado!!

Rafael Carvalho disse...

Muita gente tem criticado esse filme, mas como é um Van Sant preciso ver, mas já vou preparado para o que possa surgir dalí. Mas de certa forma, esse filme faz parte do projeto cinematográfico que o Van Sant vem propondo ultimamente, com resultados excelentes em Elefante, por exemplo. Seus filmes são parados, reflexivos, mas por outro lado muito significativos, e parecem exigir do espectador certa cumplicidade para embarcarmos na história. Me agrada muito esse tipo de experiência. Verei logo que encontrá-lo. Valeu!!!

Mob Cranb disse...

Particularmente acho um filme bastante dificil de assistir, mas como o Dudu fala,não é um filme ruim.
Mob CRanb

Pedro Henrique disse...

Bom, aqui eu encontrei por R$14,90 no supermercado uma vez mas não levei. Ainda bem.

Isabela disse...

Ezsse eu admito que fiz força para aguentar assistir até o final.

Vulgo Dudu disse...

Kamila, eu entendo perfeitamente você não ter gostado. Perfeitamente. Eu mesmo não sei se gostei... Mas que o filme tem uma direção, caprichada, isso tem. Só que direção sem uma boa história de nada vale. Fica imcompleto.

Rogerio, entrei com o filme escondido na sacola do material de limpeza. rs...

Rafael, como experiência cinematográfica o filme vale uma vista. Foi o que escrevi na resenha: tem uns aspectos positivos. Mas eu realmente não o veria novamente.

Mob, é isso aí. Já vi filmes piores...

Pedro, pelo menos é mais barato do que um quilo de alcatra! rs... Quando o preço for igual ao de uma locação, aí vale a pena comprar.

Isabella, bem-vinda por aqui! É preciso um certo esforço e uma boa dose de boa vontade para vê-lo até o fim. Mas entre mortos e feridos, salvam-se todos.

Ramon disse...

Nossa, Dudu! Eu tive bastante vontade de ver o filme. Acontece que muitas críticas negativas me fizeram postergar a conferência da obra indefinidamente.
E com sua resenha a coisa não foi diferente. No início achei que veria uma crítica positiva, mas depois acabou em algo mais ponderado.
Não sei quando vou assitir o filme, mas honestamente fiquei na mesma depois de ler sua resenha.

Abraço!

Museu do Cinema disse...

Sempre quis ver esse filme, mas nunca o encontrei!

Vulgo Dudu disse...

Ramon, vontade realmente não falta a ninguém, pois o tema é muito interessante e o diretor, tarimbado. Só que é um filme complicado.

Cassiano, ele é facilmente encontrado aqui no Rio, em qualquer locadora - até nas ruins. Quando não encontro, apelo pro Bit Comet!

Abs!