sábado, maio 10, 2008

#39 - Fritz the cat, de Ralph Bakshi


Quando eu era minúsculo, já freqüentava o que era conhecido como videoclube, que nada mais era do que a primeira versão das videolocadoras. A diferença é que funcionava como um clube mesmo. Ao invés de um título, pagava-se por um VHS. Me lembro também da prateleira de comédia. Havia um desenho animado que, não sabia o porquê, minha mãe não me deixava levar para casa. E era esse aí de cima, Fritz the cat.

Hoje em dia eu entendo minha mãe. Eu não percebia, mas tratava-se de um desenho erótico, picante e politicamente incorreto. Ainda mais para mim, um moleque de pernas lisas, sem pelos pubianos, de voz fina e desengonçado. Foi semana passada, ao ler uma matéria sobre os anos 60 e a contracultura que me deparei novamente com o gato Fritz. Eu não precisava mais de autorização materna.

Baseado no personagem criado pelo cartunista Robert Crumb, Fritz é um jovem gato que decide viver a vida intensamente. Ou seja: muito sexo, drogas e rock'n'roll. Ao longo do desenho, uma verdadeira fauna de personagens vai sendo apresentada. Há porcos policiais (os pigs, gíria para as autoridades), tamanduás tarados, coelhos nazistas e corvos malandros.

O desenho animado, assim como as histórias de Crumb, nada mais é do que um deboche sobre os ícones sessentistas, que englobam fatores comportamentais e culturais como, por exemplo, os hippies e sua vontade de mudar o mundo. O roteiro, como não podia deixar de ser, é completamente psicodélico, perfeitamente dentro da proposta.

Crumb não gostou nem um pouco do resultado da realização de Bakshi - segundo o diretor, por motivos egocêntricos, o que deve ser verdade, uma vez que o cartunista tinha constantes problemas com isso. Fato é que o desenho se tornou cult e entrou para a história do cinema como a primeira animação a ganhar classificação indicativa pornográfica, a famosa X-rated.

Portanto, divirta-se! E não esqueça de tirar as crianças da sala.

5 comentários:

Kamila disse...

Conheço o Robert Crumb do filme "Anti-Herói Americano", mas confesso que nunca ouvi falar desse filme. Mas, esse é o barato do seu blog, Dudu. A gente lê sobre filmes interessantes e que merecem ser descobertos!

Surfista disse...

Sem querer lhe corrigir, até porque eu não tenho certeza, mas... "American Splendor" não se trata do escritor de quadrinhos Harvey Pekar? Pelo que lembro, o Crumb é o desenhista das histórias do Harvey.

Vulgo Dudu disse...

Kamila, bom saber que você curte descobrir esses filmes - que para mim também são redescobertas. Sobre o filme citado, American Splendor e Anti-herói americano são a mesma coisa!

Dougra, você tem toda a razão. Apesar do Crum aparecer no American Splendor, o filme não é sobre ele. Obrigado!

Bjs e abs!

Célio disse...

Esse filme me fez lembrar que durante uma festa na UFRJ, alguém tinha a cópia do Fritz e a exibiu num telão. Mas a bagunça era tanta que nem deu para me concentrar. Do que deu pra ver, ele era bem anárquico mesmo. Quanto ao seu criador duas curiosidades: Ele matou seu personagem de maneira estúpida após o lançamento deste filme e estrelou um documentário fascinante e ao mesmo tempo perturbador chamado Crumb. Se alguém tiver a chance, assista.

Escrevi demais, né?

Vulgo Dudu disse...

Ciro, meu camarada, essa morte rendeu até uma continuação, chamada "As nove vidas do gato Fritz". Uma festa rolando Fritz... hmmm... Festa hedonista? Porque se a bagunça era tanta assim... rs...

Abs!