sábado, maio 03, 2008

#36 - Em Paris (Dans Paris), de Christophe Honoré


Mais um da série "a banda larga move cinemas", que traz as produções em cartaz a minha residência, na impossibilidade de abandonar o lar para conferi-las. O escolhido foi uma indicação: Em Paris. Que tem exatamente o que se espera de uma produção rodada na Cidade Luz. Não tem jeito, é filme cabeça.

O que não quer dizer que é ruim. Muito pelo contrário. Trata-se de um belo exemplar do bom cinema contemporâneo - coisa rara, na minha opinião, para os franceses em atividade. Christophe Honoré é o responsável não só pela boa direção, mas também pelo excelente e inteligente roteiro. Sua linguagem soa como um bom livro existencialista, do quilate francês de um Camus ou de um Sartre, só que adaptado para os tempos atuais.

A história gira em torno de dois irmãos, Paul e Jonathan, que têm personalidades completamente diferentes. Enquanto o primeiro é depressivo e introvertido, o segundo é mulherengo e safo. A relação dos dois começa a mudar depois que Paul rompe com a mulher e volta para casa, mais precisamente para o quarto de Jonathan, de onde se recusa a sair.

O delicioso de Em Paris nem está nas belas imagens da sempre estonteante paisagem parisiense. O uso da edição, da fotografia, do texto e da trilha sonora é perfeito. Jonathan é uma espécie de narrador, simplesmente pelo prazer em ser onisciente. Ele é quem conduz a história, pontuando o roteiro com tiradas bem humoradas. Sendo assim, a linguagem adotada permite um jogo cênico fantástico. A seqüência em que Paul e sua ex-mulher discutem a relação por telefone cantando é sensacional e ilustra bem essa ousadia. A música vai do jazz classudo ao rock alternativo, incrivelmente sem tropeços.

Um belo filme!

4 comentários:

Kamila disse...

Adorei a descrição que você fez sobre o filme. Não conhecia a obra e fiquei muito curiosa, ainda mais depois que vi que o maravilhoso Louis Garrel faz parte do elenco.

Vulgo Dudu disse...

Kamila, é um grande filme - daqueles que ficam na memória depois que acabam. Ou seja, do tipo que vale a pena!

Bjs!

Rafael Carvalho disse...

Dudu, esse é um dos filmes mais deliciosos que eu assisti nos últimos anos. É algo diferente de muita coisa que vemos e tem ecos lá na Nouvelle Vague de Truffaut. Roteiro impecável, excelentes atuações (principalmente do Louis Garrel) e uma direção livre. Essa cena que voçe citou da reconciliação ao telefone é maravilhosa. Não canso de revê-la. Uma pena que só vi esse filme nesse ano, porque senão estaria entre os três melhores do ano passado com certeza.

Vulgo Dudu disse...

Rafael, é de filmes assim que o cinema precisa! Novos ares na tela grande...

Abs!