terça-feira, abril 22, 2008

#31 - Freaks, de Tod Browning


Está lá, na maioria das listas dos filmes mais perturbadores da história do cinema, essa complexa e contraditória obra, feita há quase 80 anos, mas ainda pungente. Tod Browning foi um sujeito corajoso ao filmar Freaks.

A história se passa em um circo no qual as aberrações são a grande atração - coisa que era muito comum naquela época e que ainda encontra algum foco de resistência em Coney Island, Nova York. Anões, gêmeas siamesas, pessoas desmembradas e fisicamente incapazes convivem no mesmo espaço e estabelecem suas próprias regras de convivência. É preciso lidar com o desgosto e o escárnio do público. Portanto, mexer com um deles é mexer com todos eles.

Durante pouco mais de uma hora de projeção, assistimos àquilo que o elenco costumeiramente fazia em suas apresentações fora da tela. Por exemplo, um homem que não tem braços nem pernas acende um cigarro somente com a boca e uma mulher sem os braços toma uma taça de vinho com os pés. Algumas piadas de humor negro, sarcásticas e pesadas, pretendem colocar o espectador no lugar crítico, incomodado com as deformidades. É o caso das irmãs siamesas. Uma delas casa com um sujeito, e a outra precisa acompanhar o casal por onde quer que ele vá.

O clima começa a pesar quando Hans, um sujeito rico com nanismo, se apaixona pela trapezista Cleopatra, bonita e ambiciosa, que mantém um caso com Hercules, o brutamontes do circo. O interesse de Cleopatra em Hans desperta a desconfiança dos freaks. E é aí que o filme começa a ficar tenso. Tenso mesmo.

É impressionante como uma produção da década de 30 pode ser tão assustadora. De uma maneira diferente, mas assustadora. O argumento é sinistro e o desfecho, obviamente trágico, foi modificado algumas vezes para que o público não saísse mais chocado do que já ficava com o final escolhido no último corte de Browning. A cena que ficou é extremamente bem dirigida e, acredite, dá medo.

O filme foi banido de vários países. Tod Browning, que nem era tão desconhecido assim - dirigiu Bela Lugosi na sua versão de Drácula, em 1931 -, foi duramente criticado não só pelo público, mas por produtores e diretores de estúdios, acusado de explorar deficientes.

Definitivamente, um filmaço! Complicado, estranho, repulsivo, mas um filmaço! Perfeito para instigar os amantes do cinema.

6 comentários:

Surfista disse...

Não vejo, não. Tenho medo da mulher barbada!

Kamila disse...

Dudu, amei o texto! Fiquei curiosíssima para assistir ao filme!

Vulgo Dudu disse...

Dougra, se a mulher barbada lhe dá medo, imagine os outros membros do circo...

Kamila, obrigado! Você, como cinéfila, vai gostar desse filme. Pode procurar! E depois volte aqui para dizer o que acho, faz favor!

Bjs e abs!

Theva disse...

alguma ideia de onde posso achar o filme?

Vulgo Dudu disse...

Theva, o filme foi lançado recentemente em DVD. Porém, só locadoras com acervo devem tê-lo na prateleira. Eu baixei o filme, usando o BitComet. Achei o torrent no Isohunt.com.

Abs!

Anônimo disse...

esse filme tem no you tube pessoarllllll