sábado, abril 05, 2008

#26 - Sangue negro (There will be blood), de Paul Thomas Anderson


Assim como Maomé não podia ir até a montanha, eu também não posso ir ao cinema. Pelo menos por enquanto, nos primeiros meses de paternidade. Diferentemente do profeta, que teve seus problemas resolvidos pela fé, eu tive os meus sanados pela tecnologia. Nunca valeu tanto a pena ter comprado um hd de 80 giga e instalado banda larga em casa! Sangue negro foi o primeiro da lista.

Logo na abertura do filme de Paul Thomas Anderson, quando as montanhas surgem iluminadas pelo sol e ouve-se um som agudo que vai subindo o tom, dá para perceber que estamos diante de uma grande obra. Daquelas inclassificáveis, primorosas, com um padrão de qualidade muito superior ao que anda sendo produzido por aí ultimamente.

Baseado no livro Oil!, de Upton Sinclair, ambientado no final do século XIV, Sangue Negro utiliza como contraponto duas enxaquecas que atormentam a paz dos estadunidenses na atualidade, em pleno século XXI: o petróleo, cujo preço do barril já ultrapassa os US$ 100,00; e a influência clerical nas decisões políticas, coordenada por senadores republicanos que, nas horas vagas, são também pastores.

A figura do misantropo Daniel Plainview, interpretado assustadoramente por Daniel Day-Lewis, passa o filme inteiro procurando o óleo. Até esbarrar nas terras de um líder religioso de uma humilde comunidade, Eli, encarnado pelo jovem e já brilhante Paul Dano. Interpretar é jogar, como o inglês bem soube expressar verbalmente, to play. A brilhante direção de P.T. Anderson deixa o jogo correr solto entre Lewis e Dano. O resultado obtido é absolutamente notável, impressionante. Bravíssimo!

Falando da parte técnica, é quase impossível achar falhas. Inclusive, Sangue negro é um dos poucos filmes em que fotografia, atuações e trilha sonora estão em perfeita sincronia, com uma coesão hermética. Por isso, trata-se de uma película para ser degustada, apreciada, observada em cada minucioso detalhe. Bem ao estilo dos grandes filmes de grande diretores. Um encerramento pungente e perturbador fecha com chave de ouro mais uma belíssima realização de Paul Thomas Anderson.

Deu vontade de ver na tela grande...

10 comentários:

Kamila disse...

Dudu, sem querer te fazer inveja, eu vi "Sangue Negro" na tela grande. :-)

O filme é maduro e reflete a capacidade de um dos melhores diretores da atualidade. No entanto, não sei se eu fui tão conquistada assim pela obra. Acho que "Sangue Negro" necessita uma melhor interpretação, várias visitas até que eu possa também considerá-lo uma obra-prima.

Wiliam Domingos disse...

Eu não vi na tela grande...

E nem na do pc!
Mas o nome já me deixa arrepiado e sua crítica está bacana! Abraço!

Ellie... disse...

hsauhsuahsuhasuhaus
e viva a tecnologia!! ehuaheuhe.. ahn, paternidade ? .o\ parabéns papai!! [?] ... baun.. tb fiquei e estou ainda impossibilitada d ver sangue negro no cinema [aki só tem um cinema -o.. e.. ah, provavelmente qdo resolverem traze-lo p cah ja vai estar perto de sair na TV *exageroo ahshaus* , de qlqr forma nao terei a oportunidade]... nada q um dvd nao resolva XD . *ual! nao sabia q o barril d petroleo estava a esses absurdos -o * . uhn.. senadores republicanos/pastores nao me parece uma combinaçao lgl [~]... Ah, se tive muita vontade de ver este filme, ao ler o post soh me resta a certeza de q nao o posso deixar de fazer!!! Blog magnifico!!!.. ah, cinéfila, eu?? ahsuhaus.. assumida ! -DD.. parabéns pelo post *liindo* parabéns pelo blog!!
Beeijos... fique-bn ! z)

Vulgo Dudu disse...

Kamila, eu achei Sangue negro a obra mais consistente de PT Anderson, que é um cara que, até agora, só fez filme bom! Mas eu entendo o seu ponto de vista. É um filme complexo mesmo...

William, prefira a tela grande... Não faça que nem eu!

Ellie, obrigado pela visita e pelo comentário. E se você tem problemas com o cinema, faça que nem eu. Afinal, a internet é um terreno democrático. Volte sempre!

Bjs e abs!

Surfista disse...

Filmaço! Acho que o encontro entre o PTA e o Day-Lewis não poderia ser diferente. A composição do Plainview em todas as suas perversões e paradoxos é fora de série. "Sangue Negro" já é um dos melhores filmes do ano.

Ramon Scheidemantel disse...

Bem vindo ao time dos defensores do grande Sangue Negro, o mais novo clássicos eterno. hehe!
Perfeito, não?
Eu também tive que usufruir de minha banda larga para conferir no filme.
Mas vou comprar o DVD, de certeza!
Abração!

Debora Hegedus disse...

Eu assisti no cinema! la la la!

Maravilhoso! Pra mim deveria ter ganho o Oscar pq ele é perfeito este filme!

Quanto ao seu amigo jornalista, não entendi, pq está sendo perseguido? Pq falou da guitarra quebrada?

Museu do Cinema disse...

Uma obra-prima, a mistura que Anderson faz de Kubrick e dele mesmo é coisa de gênio, esse filme é daqueles exemplares que quanto mais se pensa melhor fica. Realmente Hollywood ainda não tá preparada para Sangue Negro.

Vulgo Dudu disse...

Dougra, eu concordo contigo. Mas esse ano, na minha opinião, Death Proof é o filme. Perfeito! Só não sei quando estréia nos cinemas...

Ramon, pois é: entrou no hall dos grandes filmes mesmo. Impressionante a força da história!

Debora, eu acho que não foi demérito ter perdido para o dos Coen. Se pudesse ter sido empate, teria sido mais justo. Mas foda-se o Oscar. O meu amigo falou mal dos solos do Zakk Wylde... hahahahaha...

Cassiano, é verdade. Nunca vão estar preparados. Como não estavam também para os outros filmes do PTA.

Bjs a abs!

Pedro Henrique disse...

Esse filme está acima de qualquer Oscar que deixou de ganhar.
O melhor do ano, sem dúvida.