quarta-feira, abril 09, 2008

#27 - Pink flamingos, de John Waters


Ultrajante, repulsivo, escatológico, asqueroso e outros predicados não mais nobres foram utilizados para descrever Pink flamingos, obra máxima de John Waters, filme que melhor simboliza o cinema underground. Não é para qualquer um... Como o próprio diretor definiu sua obra: trata-se de um exercício de mau gosto.

Com um humor ácido, recheado de situações bizarras, o enorme travesti Divine disputa com um casal de vizinhos insanos o título de pessoa mais imunda do mundo. Não foi à toa que, nas sessões de estréia de Pink flamingos, sacos de vômito eram oferecidos aos espectadores. O filme tem cenas de incesto, zoofilia, podolatria e canibalismo. Fora um ânus cantante, que abre e fecha ao som de "Surfin' bird", e uma seqüência realmente imunda na qual Divine come fezes fresquinhas de um pequeno poodle.

O filme foi rodado com um orçamento de apenas US$ 5 mil. Como locações, uma fazenda, o apartamento de Waters e um trailer caindo aos pedaços. O resultado é quase amador, mas é justamente o empreendedorismo do diretor que rendeu não só críticas negativas, mas uma certa notiredade - ainda que fora do mainstream. Sua fama cresceu a ponto de ficar conhecido no mundo todo. Mais tarde, seria responsável por produções consideradas pela crítica como bem mais maduras, mas ainda undergrounds: Hairspray, Cry baby, Polyester e Mamãe é de morte.

No final da projeção, o próprio Waters comenta alguams cenas e a recepção do público, atônito, ao seu filme. Um tapa na cara com luva, de couro, nos provincianos bons costumes dos estadunidenses. Uma obra indispensável para quem tem curiosidade de experimentar uma estética cinematográfica incomum, peculiar.

9 comentários:

Kamila disse...

Do John Waters, só assisti mesmo "Mamãe é de Morte". A Divine também é a protagonista de "Hairspray"??

Surfista disse...

Vi "Pink Flamingos" e achei ruim. O tempo todo parece que o Waters pensava "hmmm... o que mais posso fazer para estarrecer o público?" Chocante por chocante, tive a mesma sensação de "O Albergue" - puro exercício de mostrar gente sendo brutalizada explicitamente.

Um novo dele que vi e achei legal foi "A Dirty Shame", sobre sexo. Esse tem o estilão sujo, mas tem mais sentido.

Vulgo Dudu disse...

Kamila, é isso mesmo! A Divine, ou o Divine, participou do elenco não só de Hairspray, mas da maioria dos filmes do Waters. É a "musa" dele...

Dougra, eu entendo perfeitamente o que você quer dizer. Só não concordo que seja chocar para chocar. É exercício cinematográfico. Tanto é que, para você ter gostado de Dirty shame, Waters teria que invariavelmente ter criado sua estética com Pink flamingos. No meu entender, gratuito seria se ele seguisse as fórmulas, como o Albergue faz, para depois sumir num mar de homogeneidade. Não é o caso, concorda?

Bjs e abs!

Surfista disse...

De fato...

Ah, finalmente vi "Planeta Terro". Vou resgatar esse post seu e comentar lá.

Wiliam Domingos disse...

Caramba...
Não vi, mas já estou de cara com a ousadia da obra! Preciso conferir!
Ótima dica!
Abraço!

Vulgo Dudu disse...

William, é exercício cinematográfico válido. Confira e depois venha trocar impressões!

Abs!

Giovana disse...

aaiiii, esse é too trash!!!

Vulgo Dudu disse...

Jovem, de vez em quando um trash é bem divertido, né não?

Bjs!

Willa Manson disse...

Estou baixando, adoro trashs e fiquei fascinada quando descobri esse filme, já li várias críticas resumos e comentarios sobre o filme. To iniciando nesse mundão underground do cinema e estou amando.Abraços.