segunda-feira, março 10, 2008

#23 - Rocky Balboa, de Sylvester Stallone


Faz mais de 30 anos que Sly conquistou o mundo cinematográfico com a história de um imigrante italiano que conseguia fama e sucesso como boxeador. Lá em 1976, ele escreveu o primeiro roteiro de Rocky, e depois de ser ignorado pelas principais produtoras de Hollywood acabou levando pra casa três estatuetas da academia que outrora o rejeitara. Sim, rejeitar, porque tratava-se praticamente de uma história autobiográfica.

O lutador-garanhão-italiano acabou virando febre. Lutou contra Mr. T, ficou amigo do Apolo Doutrinador e fez até mesmo os russos, em plena Guerra Fria, curvarem-se ao seu way of boxing. Eu, e acredito que a minha geração também, cresci com o tema de Rocky na cabeça, dançando Eyes of the tiger em festinhas americanas e vendo o Mike Tyson eliminar em 30 segundos os seus oponentes. Logo, tudo isso explica a empatia que tenho para com a série de Sly.

Rocky Balboa aproveita a boa forma e fase do protagonista para contar aquela velha história de superação. É um clichê atrás do outro, recheados sempre com lições de moral. Tipo: não importa o quão forte a vida lhe bata, o importante é o quanto você consegue suportar e seguir em frente. E, assim, tio Rocky, inchado pelo excesso de Whey Protein, dá uma lição no rapaz jovem, rico, prepotente e com instinto assassino que o desafia para uma exibição quase que circense: o velho bonzinho contra o jovem malvado. É maniqueísmo, sim. Mas é Rocky!

O que há de novo, e que Sly explora bem, são alguns recursos visuais que os outros filmes da série não tiveram a oportunidade de experimentar. Edição marota, fotografia esperta e tratamento gráfico para deixar os combates ainda mais atraentes. Nos créditos finais, um monte de gente como eu e você sobe aquela famosa escadaria, lembra? Onde Rocko levanta os braços após um árduo dia de treinamento? Um sinal de reverência à série e ao personagem.

Diz aí se você também não imitaria o lutador-garanhão-italiano?

6 comentários:

Kamila disse...

Ai, Dudu, eu adorei esse filme na época em que o assisti. Eu acho que Stallone tenta recuperar os valores que o primeiro "Rocky" tinha e que foram tão bem aceitos naquela época - culminando na vitória surpreendente no Oscar.

Só acho uma pena que ele tente fazer sua volta recriando esses personagens clássicos de sua carreira. Ainda não assisti ao novo "Rambo", mas, pelos comentários, parece que não é um filme legal.

Surfista disse...

Opa, esse eu vi e gostei.

Não é a oitava maravilha do mundo, mas é nostálgico e sensível na medida certa. Salva-se por algumas razões:

1. É um filme honesto. Rocky está velho, pelancudo, viúvo e pobre, enfim, humano. Até o final da luta contraria a série. NO DVD há o final alternativo que, graças a Deus, foi vetado pelo Sly.

2. É um filme curtinho, o que respeita a paciência do público com a história que ruma para o óbvio.

3. Mantém viva a mitologia do Rocky e faz referências às próprias presepadas, seus próprios clichês escancarados.

4. A lição de moral fica adequada ao contexto, pois justifica de um jeitinho bacana a motivação do Rocky diante das surras.

5. É um retrato do Stallone, que já foi ídolo e amargou o ostracismo dos anos 90 e 2000. "Rocky Balboa" seria a sua última chance de recuperar um pouco do prestígio.

6. A própria sequência dos créditos com a galera subindo as escadarias da Filadélfia demonstra o caráter pop do Garanhão Italiano.

Depois de Rocky e Rambo, será que Stallone ressuscita o Cobra?

Aliás, anote comigo: Rocky, Rambo, John McClane (Duro de Matar), Indiana Jones, Catherine Trammel (Instinto Selvagem)...

Vulgo Dudu disse...

Kamila, o que salvou Rocky pra mim foi a empatia, que também tenho para com o Rambo. Eu tinha bonecos do Rambo... rs...

Surfista, bacanas as suas constatações! Acho que a lição de moral pode até ficar adequada ao contexto, mas ambos não passam de um clichê conservador digno de livros de auto-ajuda. Mas normal, é o Rocky. Eu gosto dele. Agora, dizer que é um filmaço, eu não posso. Estaria mentindo.

Obrigado pelas visitas, pessoas!

Bjs e abs!

Rogerio disse...

Gostei do filme tambem Dudu.Ele é claro, só funciona com quem foi muito fã da serie, e tenha mais de 20 anos. Pois como falsse, o filme é cheio de defeitinhos, mas é Rocky.

Triste ver que em Rambo, Stallone nao seguiu a mesma receita, e ignorou o tempo.

Debora Hegedus disse...

Eu vivo imitanto... tã-nã-nã-nã-nã-nãã

Vulgo Dudu disse...

Rogerio, isso mesmo que quis dizer: ele só funciona com quem é fã mesmo!

Debora, diz aí, se você trabalhasse num frigorífico, não ia ficar dando socos nos pedaços de carne? Eu ia... hahahaha...

Bjs e abs!