sexta-feira, fevereiro 01, 2008

#6 - Onde os fracos não têm vez (No country for old men), de Joel e Ethan Coen

Taí um filme que eu fazia questão de ver na tela grande. Películas dos irmãos Coen são mais bem digeridas na sala escura. Pena que essa máxima só foi percebida por mim quando do lançamento de "Fargo" no circuitão, nos idos de 1996 - minha primeira experiência coeniana (esse neologismo ainda vai pegar!).


Hoje, tudo o que eu esperava estava lá. De fato, "Onde os fracos não têm vez" é um filmaço, irretocável. Porém, me estranha muito o fato do mesmo ter sido indicado, e ainda por cima ser o favorito, para o Oscar de melhor filme. Explico-me.

A produção dos irmãos Coen é grandiosa, mas ainda tem o carisma e o espírito do cinema independente que tornou as histórias da dupla famosas. Independente, no sentido passional de se fazer cinema. De se preocupar com os mínimos detalhes, de preferir a criatividade ao tecnicismo, de dar prioridade ao conteúdo, sempre. Por isso, o filme conta com cenários incríveis, atuações primorosas, planos com tempos diferenciados, clímax na hora e na quantidade certa e o mais importante: imprevisibilidade! Pontos fracos, principalmente o último, na minha opinião, dos recentes premiados pela tal academia.

E olha que nem tem trilha sonora! E isso não diminui, de forma nenhuma, o envolvimento do espectador com o roteiro. Tem que ser gênio para dirigir um projeto assim... Você imagina um filme que não tem música vencendo uma estatueta?

O roteiro é baseado em um livro, e a maioria dos diálogos foi transcrita de forma literal para a grande tela. Conta a história de um sujeito aposentado que encontra corpos furados à bala, carros abandonados, vários quilos de droga e uma mala com milhões de dólares. Por causa de seus princípios, ele acaba se metendo com gente malvada. Muito malvada. Um deles é Anton Chigurh, interpretado magistralmente por Javier Barden, que rouba a cena toda vez em que é enquadrado. Perfeito! Da cabeça aos pés, um vilão inesquecível. E mais ainda, da cabeça: ao ver o corte de cabelo do seu personagem, Barden soltou a seguinte frase:

"Droga! Agora vou ficar pelo menos uns dois meses sem transar."

Vale registrar o diálogo da turma que estava sentada na minha frente ao término da projeção:

A: Putz, que merda de filme!
B: Mas você que escolheu...
A: Como é que eu ia saber que era ruim assim?
C: Era melhor ter visto o das pipas.
B: Então, vamos comer pizza?

Diálogo que reforça a minha desconfiança e espanto caso haja dentro de um daqueles envelopes os nomes dos irmãos Coen.

5 comentários:

Ramon Scheidemantel disse...

Maravilhosa sua resenha!
Assino embaixo, se me permites. Assisti o filme ontem e concordo em gênero, número e grau.
Para provar isso, leia meu comentário no Museu do Cinema, de ontem á noite. Levanto justamente a questão da estranheza no filme ser o grande indicado.
Abraço!

Vulgo Dudu disse...

Ramn, obrigado! Nisso concordamos mesmo! E a sua resenha do filme, cadê?

Abs!

Vulgo Dudu disse...

PS: só que eu achei o filme maravilhoso... Não me decepcionei nem um pouquinho.

Abs!

Ramon Scheidemantel disse...

A minha decepção é em relação ao que eu esperava dele, por estar na corrida do Oscar.
Vou deixar para o Rogério fazer a resenha, quando assisti-lo. Ele é mais fã dos Coen do que eu.
Abraço!

sofia martínez disse...

Muito boa história. Não há dúvida de que os irmãos Coen conseguiram uma adaptação muito fiel, mas com este filme, há um paradoxo na sua construção na relação entre forma e substância que provoca uma aparente parece fita muito simples para o seu enredo, que parece não diz nada e até mesmo a sua história é um pouco confuso, mas não por isso se torna uma obra-prima que gere a linguagem cinematográfica com perfeição. Além do elenco é de luxo, Tommy Lee Jones, Javier Bardem e Kelly Macdonald, que era digno de prêmio SAG por sua grande desepemeño neste filme.