sexta-feira, fevereiro 29, 2008

#18 - Juno, de Jason Reitman


Foi meio que de supetão: passei pelo cinema a caminho de casa, após um cheio dia de labuta, conferi que o último horário ainda era possível, liguei para minha cônjuge e disse "desce aí que a gente vai ao cinema ver aquele filme cujo roteiro estão dizendo que é excelente".

A expectativa era imensa para conferir a história de uma menina de 16 anos que engravida de um namoradinho de escola e procura por pais adotivos para o bebê ainda durante a gestação. O tal roteiro, indicado a vários prêmios, foi escrito pela outrora stripper e agora popstar e premiada Diablo Cody. O texto havia virado a estrela maior de Juno.

Pois bem, antes vou resenhar sobre o resto da produção. O filme tem edição marota, fotografia descolada e cenografia repleta de referências a ícones pop. Porém, algo me irritou na montagem. Apesar de caprichada, a trilha sonora está presente por quase todos os 96 minutos de projeção, em um excesso musical que talvez esconda algumas falhas na direção de Jason Reitman - na minha opinião, um diretor bem mediano que têm seu mérito condicionado a bons roteiros e ao bom rendimento dos atores da maioria de seus filmes, como Aaron Eckhart em Obrigado por fumar. Ellen Page, a protagonista homônima, é muito talentosa e tem lá seu carisma, mas a verborragia e as tiradas cômicas em quase todas as falas de sua personagem me afastaram de uma possível empatia com Juno. E aí a culpa já é do tal roteiro premiado...

Na boa, não achei nada demais. Nada demais mesmo! As falas são repletas de trocadilhos e jogos gramaticais que, mesmo para quem entende bem inglês, começam a soar cansativos nos momentos cruciais da trama. O resultado é uma tradução fraquíssima, cheia de buracos e que não dá conta do estilo debochado e sarcástico proposto por Diablo Cody. Talvez seja por falta de conhecimento sobre o comportamento dos estadunidenses, mas a maneira como pais e filhos lidam em Juno com a gravidez na adolescência é muito estranha, beirando o inverossímil. Uma hora é puritano, contra aborto. Em outra é cabeça-feita, a favor do desapego.

Ok, o roteiro tem lá seus bons momentos. É um filme com passagens divertidas: Juno e o futuro pai adotivo tocando Hole (Diablo lembra Courtney Love, ou estou viajando?), o pai da criança e seus Tic-Tac's e a canção bonitinha no desfecho. O público ri um pouquinho aqui, chora um pouquinho acolá e tudo termina bem. Porém, lá no fundo, me bateu um sentimento amargo que fala sobre abandono, solidão e descaso.

Talvez a proposta seja essa, ser um filme feliz e ponto. Eu que não entendi direito. Talvez eu esteja sendo intransigente. Talvez eu precisasse ser menina para achar o filme fofo. Sei lá...

Não gostei.

8 comentários:

Kamila disse...

Dudu, eu amei "Juno", mas entendo o que você quis dizer no seu texto.

Concordo em alguns pontos: o sucesso desse filme independe da direção do Jason Reitman. E alguns diálogos que saem da boca de Juno, realmente, soam artificiais.

Aliás, o filme todo lembra um seriado chamado "Gilmore Girls", inclusive nos diálogos inteligentes, na trilha sonora bacana, na presença de uma jovem descolada. Conhece?

Bom final de semana!

Rogerio disse...

é Dudu, primeiramente parabens pela coragem de dizer que nao gostou do filme. Tenho lido e ouvido muita coisa por ai, de gente que diz que gostou só pq todo mundo fala.

Eu gostei do filme, mas, como já comentei em diversos blogs afora, nao acho que ele merecia estar concorrendo a todos as categorias que concorreu. principalmente melhor filme.

O roteiro, ok, nao havia melhor este ano, mas de resto, o filme fez sucesso pq é bonitinho e cativante. Roubou lugares de "Na Natureza Selvagem", "O Gangster" e "Zodiaco".

Vulgo Dudu disse...

Kamila, não conheço esse seriado. Mas sabe que agora, depois de você dizer isso, acho que o filme tem essa cara de seriado de TV mesmo. As tiradas são típicas desse tipo de comédia.

Pois é, Rogerio... Eu não gostei mesmo. Achei o roteiro muito fraco, mas muito fraco mesmo! Nada demais, superestimado, bem fraquinho. E o filme não mexeu nada comigo. E quanto à coragem, pfff... Se eu não era maria-vai-com-as-outras quando adolescente, não vai ser agora, adulto.

Bjs e abs!

Museu do Cinema disse...

É fraco sim Dudu, ainda mais depois desse sucesso todo, o que contribui ainda mais para sabermos q os norte-americanos ficaram bitolados.

Debora Hegedus disse...

haha mais um q concordou comigo. achei um filme "legal" (ponto).

sou menina e não achei graça logo, o genero sexual nao influencia e sim ter um pouquinho de discernimento (caraca tá certo? deu branco na palavra!) rsrsrsrs

Vulgo Dudu disse...

Cassiano, além de achar o filme fraco, o que é um ajuizamento de gosto muito pessoal, eu acho estranho as pessoas gostarem tanto de Juno desse jeito assim exagerado...

Debora, eu nem "legal" achei... hahaha!

Bjs e abs!

André disse...

não vi o filme, e espero um sub-Pequena Miss Sunshine (que é outro filme mediano supervalorizado), mas dizer que um diretor que escolhe bons roteiros e atores, e, imagino, sabe trabalhar bem esses atores, é somente mediano, é negligenciar muita coisa.

saber escolher roteiros e atores, e trabalhar bem esses atores é muito mais do que a maioria dos diretores sabe fazer. e considerando o obrigado por fumar, o cara até tem uma gramatica visual interessante, não é visionário, mas faz filme pipoca com muito sabor.

Vulgo Dudu disse...

André, eu acho que dirigir um filme é muito, mas muito, muito mesmo, mais do que escolher um bom roteiro e bons atores. Entender e extrair o melhor da linguagem cinematográfica é tarefa árdua, ofício de quem conhece cinema em seus mínimos detalhes. Como a escola antiga de cienastas, que interferia na fotografia, na montagem (importantíssima), na edição, na trilha sonora etc.

No meu entender, essa é a minh aopinião, Jason Reitman está longe, muito longe mesmo, dessas características supracitadas. Escolher bons atores e bons roteiros, quando isso é um mérito, devia render louros aos produtores executivos.

Eu acho Obrigado por fumar um bom exemplo de um belo roteiro, com um belo ator, mas que não rende o que poderia por causa de uma direção fraquíssima.

Bom, essa é minha opinião.

Obrigado pela visita, volte sempre!

Abs!