quinta-feira, fevereiro 21, 2008

#16 - Roma, cidade aberta (Roma, città aperta), de Roberto Rossellini


O nome de Rossellini está ligado intrinsecamente ao neo-realismo italiano. Ao lado de diretores como Luchino Visconti (Ossessione) e Vittorio de Sica (com o célebre Ladrões de Bicicleta), ele foi responsável por todo um aprimoramento na linguagem cinematográfica moderna. Com Roma, cidade aberta, o realizador se consolidou como um dos maiores diretores de nosso tempo, dotado de forte senso crítico, personalidade política e, principalmente, ousadia.

As condições de filmagem eram as piores possíveis. Logo após a Segunda Guerra Mundial, em uma Roma ainda em escombros, Rosselini rodou sua produção com cheques sem fundo de mecenas inescrupulosos. Seu escritório foi improvisado nas ruínas de um prostíbulo e os produtores estavam descrentes sobre o sucesso da trama que conta a história de italianos, membros da Resistência (como o próprio Rossellini também foi), que precisam se esconder dos soldados nazistas que ocupam a cidade. Era a primeira vez que se fazia cinema após o cessar-fogo. E para dar ainda mais realismo a sua obra, Rossellini utilizou prisioneiros de guerra como extras - mais trabalho ainda para a direção.

Soma-se a essa ousadia uma câmera que conduz a narrativa de maneira extremamente convincente: livre, hora tremida, hora estática, testemunha. A edição é um primor, a fotografia é estonteante e o roteiro flui. Ou seja, é perfeito. Uma verdadeira aula de como se fazer cinema, mesmo que as condições não sejam as mais favoráveis.

No ano de sua estréia, Roma, cidade aberta não foi bem recepcionado pela crítica italiana. Porém, anos depois, o filme foi celebrado em festivais ao redor do mundo. E hoje, mais de 60 anos depois, é um clássico, com todo o peso que a acepção da palavra carrega.

Um filme obrigatório para quem ama o fazer cinematográfico.

5 comentários:

Debora Hegedus disse...

Então, tem na net... peguei ja baixado, copiei do meu pai.. hehe

Assista sim, o texto é fabuloso... são informações disponiveis em todo lugar acerca de história e religião mas q o cidadão conseguiu concatenar tudo perfeitamente... otimo mesmo!

ah... consegui o zen & zero... vamos ver... tenho q gravar...

bacci!

Kamila disse...

Me corrija se eu estiver errada, Dudu, mas não foi "Roma, Cidade Aberta" o filme que deu início ao movimento neo-realista italiano?

Bom final de semana!

Vulgo Dudu disse...

Debora, veja logo Zen & Zero! rs...

Kamila, você está certíssima. Esse filme, junto aos outros dois citados na resenha, do Sica e do Visconti, inauguraram o neo-realismo italiano.

Bjs!

Museu do Cinema disse...

Filmão. O cinema italiano é sem duvida algo fora do normal.

Obrigatório em qualquer estante de cinéfilos, assim como mais um punhado de filmes italianos.

Vulgo Dudu disse...

Cassiano, é verdade! E filmes de todas as épocas,todos os gêneros...

Abs.